quarta-feira, 17 de junho de 2026

James Webb revela exoplaneta extremo que chega a ser “assado” por sua estrela

Observações do telescópio espacial da NASA mostram mudanças radicais de temperatura e química em um gigante gasoso localizado fora do Sistema Solar

Em algum ponto distante da Via Láctea, um planeta gigante mergulha em direção à sua estrela como se estivesse em uma trajetória de autodestruição. A cada aproximação, sua atmosfera é submetida a um calor brutal. Nuvens podem desaparecer, moléculas se reorganizam e a temperatura dispara em poucas horas. Agora, graças ao Telescópio Espacial James Webb, os cientistas conseguiram observar esse fenômeno com um nível de detalhe sem precedentes.

Observações do telescópio espacial da NASA mostram mudanças radicais de temperatura e química em um gigante gasoso localizado fora do Sistema Solar Em algum ponto distante da Via Láctea, um planeta gigante mergulha em direção à sua estrela como se estivesse em uma trajetória de autodestruição. A cada aproximação, sua atmosfera é submetida a um calor brutal. Nuvens podem desaparecer, moléculas se reorganizam e a temperatura dispara em poucas horas. Agora, graças ao Telescópio Espacial James Webb, os cientistas conseguiram observar esse fenômeno com um nível de detalhe sem precedentes.
Concepção artística do exoplaneta HD 80606 b - NASA WEBB
O exoplaneta HD 80606 b apresentou um aumento de temperatura superior a 600°C durante sua passagem mais próxima da estrela, tornando-se um dos mundos mais extremos já estudados pelo James Webb.

O protagonista dessa descoberta é o exoplaneta HD 80606 b, um gigante gasoso com aproximadamente quatro vezes a massa de Júpiter. Diferentemente da maioria dos chamados "Júpiteres quentes", que orbitam muito próximos de suas estrelas, ele segue uma trajetória extremamente alongada, semelhante a um estilingue cósmico.

Essa órbita incomum faz com que o planeta passe longos períodos relativamente distante da estrela e, depois, mergulhe rapidamente em sua direção. Durante essa aproximação, conhecida pelos astrônomos como periastron, o calor aumenta de forma dramática.

Os dados obtidos pelo James Webb revelaram que a temperatura do planeta sobe cerca de 1.100 graus Fahrenheit — aproximadamente 610 graus Celsius — durante esse processo. O resultado é uma transformação atmosférica intensa, capaz de alterar a composição química e a formação de nuvens praticamente em tempo real.

Segundo a pesquisadora Tiffany Kataria, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, HD 80606 b já era considerado um dos exoplanetas mais extremos conhecidos, mas as novas observações mostraram que o comportamento do planeta é ainda mais impressionante do que se imaginava.

Para estudar o fenômeno, a equipe utilizou o instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument), especializado em observações no infravermelho. A técnica empregada foi a espectroscopia, que permite decompor a luz em diferentes comprimentos de onda para identificar substâncias químicas, medir temperaturas e compreender propriedades físicas dos corpos celestes.

Os cientistas acompanharam o planeta antes, durante e depois da passagem mais próxima da estrela. A operação exigiu anos de planejamento, já que HD 80606 b completa uma órbita a cada 111 dias e o James Webb possui janelas específicas para observação, determinadas pela posição da Terra ao redor do Sol.

Embora a análise dos dados esteja apenas começando, os pesquisadores já identificaram sinais químicos importantes, incluindo moléculas como metano e dióxido de carbono. Essas informações poderão ajudar a compreender não apenas esse planeta específico, mas também dezenas de outros gigantes gasosos espalhados pela galáxia.

Os resultados foram apresentados durante a 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, realizada em Pasadena, na Califórnia. Para os astrônomos, o conjunto de dados obtido pelo James Webb é tão rico que deverá gerar novos estudos por muitos anos.

O telescópio espacial, considerado atualmente o observatório científico mais avançado do mundo, continua ampliando o conhecimento humano sobre planetas distantes, sistemas estelares e as origens do próprio Universo. E, desta vez, mostrou que existem mundos onde o clima não muda apenas entre estações — ele pode se transformar radicalmente em questão de horas.

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