quarta-feira, 17 de junho de 2026

Brasil amplia verba ambiental e registra maior investimento da série histórica no combate às queimadas

Com crédito extraordinário de R$ 337,5 milhões, governo federal reforça fiscalização, contratação de brigadistas e estrutura de combate aos incêndios florestais em todo o país

Reforço aumenta capacidade de prevenção e resposta aos incêndios florestais e eventos climáticos extremos
Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Com a liberação de R$ 337,5 milhões em crédito extraordinário, o governo federal afirma ter alcançado em 2026 o maior volume de recursos da série histórica para combate ao desmatamento, fiscalização ambiental e prevenção de incêndios florestais.

Quando a fumaça avança sobre o horizonte, ela costuma chegar antes das manchetes. Em muitos pontos do Brasil, especialmente durante os meses mais secos do ano, o fogo transforma paisagens inteiras, ameaça comunidades, afeta a fauna e coloca equipes de emergência diante de uma corrida contra o tempo.

Foi nesse cenário que o governo federal anunciou nesta segunda-feira (15) um novo reforço orçamentário para ações ambientais. Com a publicação da Medida Provisória nº 1.367/2026, foram liberados R$ 337,5 milhões em crédito extraordinário para fortalecer o combate ao desmatamento, a fiscalização ambiental e a prevenção de incêndios florestais.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o aporte faz com que o orçamento destinado a essas ações alcance o maior volume da série histórica. De acordo com os dados oficiais, o montante disponível em 2026 supera em 24% os recursos registrados em 2025, que até então representavam o maior patamar de investimento na área.

Os recursos serão executados pelo Ibama e pelo ICMBio, órgãos responsáveis por grande parte das operações de fiscalização ambiental e proteção das unidades de conservação federais.

Do total anunciado, R$ 194,4 milhões serão destinados ao Ibama. O valor deverá financiar operações de campo, contratação de brigadistas temporários, aquisição de equipamentos de proteção individual, deslocamento de equipes e locação de aeronaves utilizadas no combate ao fogo e em ações de fiscalização.

Já o ICMBio receberá R$ 143,1 milhões para ampliar o monitoramento ambiental, reforçar equipes, adquirir equipamentos e fortalecer a estrutura operacional nas unidades de conservação espalhadas pelo país.

A medida ocorre em um momento de preocupação crescente com os efeitos das mudanças climáticas. Ondas de calor mais intensas, períodos prolongados de estiagem e eventos climáticos extremos vêm aumentando o risco de incêndios florestais em diferentes regiões brasileiras.

Nos últimos anos, o governo federal também ampliou o número de brigadistas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o contingente mobilizado para 2026 soma 4.410 profissionais, o maior já contratado pela União para esse tipo de operação. A estrutura inclui ainda 19 helicópteros, 18 aviões para lançamento de água, uma aeronave para transporte de brigadistas, veículos especiais e bases operacionais de apoio.

Outro eixo da estratégia envolve recursos do Fundo Amazônia. Desde 2023, foram aprovados R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal. A partir de 2025, o financiamento também passou a contemplar ações de prevenção e combate a incêndios no Cerrado e no Pantanal.

A nova liberação de recursos também atende determinações do Supremo Tribunal Federal relacionadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e enfrentamento dos incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal.

Além dos investimentos operacionais, o governo destaca a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, sancionada em 2024, que busca coordenar ações entre União, estados, municípios, produtores rurais, pesquisadores e organizações da sociedade civil.

Dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente apontam que, em 2025, a área queimada no Brasil ficou 39% abaixo da média registrada entre 2017 e 2024. No mesmo período, a redução teria alcançado 91% no Pantanal e 75% na Amazônia, segundo levantamento citado pelo governo com base em estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Com a aproximação do período mais crítico para queimadas em diversas regiões do país, a expectativa é que o reforço financeiro amplie a capacidade de resposta das equipes em campo. O desafio, entretanto, continua proporcional às dimensões continentais do território brasileiro e aos impactos cada vez mais visíveis das mudanças climáticas sobre os biomas nacionais.

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