Investigação apura suspeitas de rachadinha e possível venda de cargos públicos; até o início da tarde não havia registro de prisões
O movimento começou cedo. Antes mesmo de Curitiba entrar no ritmo habitual de uma segunda-feira, viaturas do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) já circulavam por endereços ligados ao presidente da Câmara Municipal, Tico Kuzma (PSD).
A operação, batizada de Prática Corrente, colocou o vereador no centro de uma investigação que apura suspeitas de rachadinha e possível comercialização de cargos públicos. Ao longo da manhã, agentes cumpriram mandados autorizados pela Justiça e recolheram materiais que agora passarão por perícia e análise do Ministério Público do Paraná (MPPR).
O caso dominou rapidamente o debate político, não só na capital paranaense, mas de todo o estado e trouxe novo desgaste não apenas à imagem do Legislativo curitibano, que nos últimos meses vem enfrentando mais forte mesmo veneno, denúncias de rachadinha, casos de corrupção. É assaz lembrar que o PSD é o mesmo partido do prefeito de Curitiba, é o partido do governador do Paraná.
O que aconteceu nesta segunda-feira
Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Curitiba. Entre os alvos estavam o gabinete do presidente da Câmara e outros endereços relacionados aos investigados.
Até o fechamento deste levantamento, não havia informação sobre prisões ou medidas de afastamento. A ação teve como foco principal a coleta de provas para subsidiar o avanço das investigações.
Durante as diligências, os agentes apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos e uma quantia em dinheiro vivo. O valor encontrado não havia sido oficialmente divulgado até o início da tarde, mas fontes dizem que seria algo em torno de 37 mil reais.
O que está sendo investigado
A principal linha de apuração envolve a suspeita de prática de rachadinha — quando servidores ou assessores são obrigados a devolver parte dos salários a agentes políticos — além da possível negociação de cargos dentro da estrutura pública.
Nesta fase, o Ministério Público busca reunir elementos para verificar se houve ou não a existência de um esquema organizado envolvendo a ocupação de funções públicas e a movimentação de recursos provenientes desses cargos.
Por enquanto, não existe denúncia formal apresentada à Justiça nem qualquer condenação relacionada ao caso. O procedimento permanece em fase de investigação.
A posição da Câmara e de Tico Kuzma
Em nota, a Câmara Municipal informou que colaborou com o trabalho dos agentes e permitiu o acesso às dependências do Legislativo. A instituição afirmou ainda que aguarda mais informações sobre os desdobramentos da operação.
Tico Kuzma também se manifestou durante a manhã. O vereador declarou que pretende colaborar com as autoridades e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos. Em sua manifestação, disse ainda que construiu sua trajetória política pautada pela legalidade e pela transparência.
Quem é o presidente da Câmara
Vereador há seis mandatos consecutivos, Tico Kuzma ocupa atualmente a presidência da Câmara Municipal de Curitiba no biênio 2025-2026. Figura influente nos bastidores da política curitibana, ele já exerceu anteriormente o comando da Casa e foi líder do governo municipal durante a gestão do ex-prefeito Rafael Greca.
Momento delicado para a política local
A operação desta segunda-feira ocorre em um contexto de crescente vigilância sobre o uso de recursos públicos e a atuação de agentes políticos. O tema das rachadinhas, que ganhou projeção nacional nos últimos anos, voltou a ocupar espaço nas manchetes locais e tende a aumentar a pressão por transparência dentro do Legislativo municipal.
Também chama atenção o fato de esta não ser a primeira investigação recente envolvendo integrantes da Câmara de Curitiba. Em maio, outra operação do Gaeco já havia alcançado um vereador da capital em apuração relacionada ao mesmo tipo de suspeita.
Balanço da operação até meio-dia
- 13 mandados de busca e apreensão cumpridos;
- Gabinete da Presidência da Câmara entre os alvos;
- Documentos e equipamentos eletrônicos recolhidos;
- Dinheiro em espécie apreendido;
- Nenhuma prisão anunciada até o momento;
- Investigação apura suspeitas de rachadinha e venda de cargos públicos;
- Câmara Municipal e vereador afirmam que irão colaborar com as investigações.
O próximo passo agora depende da análise do material apreendido. É desse trabalho técnico que deverão surgir as respostas para uma pergunta que passa a ecoar nos bastidores da política curitibana: os indícios encontrados nesta manhã serão suficientes para transformar a investigação em denúncia formal?
Qual será a resposta do legislativo municipal após a segunda denúncia, do mesmo crime, no mesmo ano? 2026 é um ano eleitoral. As respostas a essas perguntas, o resultado das investigações, certamente vão ajudar a definir o resultado das eleições estaduais que se aproximam. Curitiba tem o maior colégio eleitoral do Estado. Curitiba tem mais 1,3 milhão de eleitores, de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

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