Ausência temporária do governador ocorre às vésperas das convenções partidárias e alimenta dúvidas e movimentações nos bastidores da disputa pelo Palácio Iguaçu em 2026
O Centro Cívico amanheceu nesta sexta-feira (26) com uma mudança de comando que, no papel, segue a rotina institucional. Na prática, porém, a transferência temporária do cargo de governador para Darci Piana acontece justamente quando a política paranaense entra em uma de suas fases mais delicadas.
Com Ratinho Junior em viagem aos Estados Unidos, o vice-governador assumiu interinamente o comando do Estado e fez questão de registrar o momento nas redes sociais.
“O importante é trabalhar sempre ao lado dos melhores. Assumo hoje, interinamente, o governo do Paraná durante viagem internacional do governador Ratinho Junior”, escreveu Piana.
O gesto administrativo seria apenas mais um entre tantos ao longo de um mandato. Mas o calendário eleitoral transformou a substituição temporária em assunto político.
Faltam poucas semanas para o início das convenções partidárias que vão definir os candidatos ao Governo do Paraná. É justamente nesse momento que aliados do próprio grupo governista demonstram preocupação com a ausência do governador em uma etapa considerada estratégica para a construção das alianças que sustentarão a disputa de outubro. O governador é tido como o grande "puxador de votos" do PSD no Paraná.
Nos corredores da Assembleia Legislativa (ALEP), e nas conversas reservadas entre prefeitos e lideranças regionais, a avaliação é que a sucessão estadual entrou em sua reta de definição final. E, nesse cenário, nesta fase do processo democrático, cada reunião, cada articulação e cada demonstração de liderança passam a ter um peso maior.
O desafio de Sandro Alex
O principal herdeiro político do grupo governista é o secretário de Infraestrutura, Sandro Alex, apontado como pré-candidato preferencial do PSD para disputar o Palácio Iguaçu. Nome inclusive já anunciado por Ratinho Júnior à sua sucessão.
O problema, segundo relatos de bastidores, é que a candidatura depende fortemente da capacidade de mobilização política e popular de Ratinho Júnior. Prefeitos, deputados e dirigentes partidários aguardam definições sobre alianças, composição de chapas e distribuição de espaços políticos antes de assumirem compromissos definitivos.
Por isso, parte dos aliados considera que o governador deveria estar pessoalmente envolvido nas negociações mais sensíveis. Afinal, estamos no momento pré-eleitoral que vai decidir o rumo do Estado nos próximos 4 anos.
A preocupação não está relacionada à legalidade da viagem, realizada durante período de férias. O debate gira em torno do efeito político produzido pela ausência justamente quando as peças do tabuleiro começam a se mover com mais intensidade. Segundo fontes, circula nos corredores da Assembleia, inclusive entre apoiadores do Governo do Estado, que Ratinho não escolheu um bom momento para se ausentar.
Greca observa a movimentação
Enquanto o grupo governista busca manter a unidade, adversários acompanham atentamente o cenário. O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, tem ampliado sua presença no debate sucessório e procura dialogar com setores políticos que ainda não fecharam posição para 2026.
Nos bastidores, lideranças observam especialmente os movimentos da federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. O bloco é visto como peça-chave para qualquer projeto competitivo devido à sua estrutura regional, número de prefeitos e influência na montagem das chapas proporcionais.
Dependendo das negociações das próximas semanas, o apoio da federação poderá se transformar em um dos fatores mais importantes da disputa estadual.
Tempo cada vez mais curto
O calendário eleitoral também aumenta a pressão sobre todos os grupos políticos. As convenções partidárias ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que as candidaturas serão oficialmente homologadas. Ao mesmo tempo, a legislação eleitoral começa a impor restrições que reduzem a margem de manobra dos governos na reta final antes das eleições.
Na prática, isso significa que o tempo para resolver pendências políticas, consolidar alianças e acomodar interesses regionais está ficando cada vez mais curto.
É nesse contexto que Darci Piana assume temporariamente a administração estadual. A máquina pública segue funcionando normalmente. As secretarias continuam executando suas atividades e não há qualquer sinal de instabilidade administrativa. Mas a política raramente se resume aos atos formais.
Enquanto a caneta do governo permanece nas mãos do vice-governador, os olhares dos bastidores continuam voltados para a sucessão. E a pergunta que circula entre lideranças, prefeitos e parlamentares não é quem ocupa a cadeira de governador neste momento.
A dúvida que realmente movimenta Curitiba, e que ressoa por todo o estado, é quem chegará mais forte à largada oficial da disputa pelo Palácio Iguaçu. De acordo com as sondagens públicas mais recentes, Sandro Alex (PSD), candidato de Ratinho Júnior à sucessão, é o quarto colocado nas pesquisas. Ele está atrás de: Sérgio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (MDB).
Enquanto o Ratinho Júnior embarca rumo aos EUA, talvez para assistir alguma partida da Copa do Mundo? Na visão de muitos, a campanha de seu candidato ainda não decolou.

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