sexta-feira, 8 de maio de 2026

Ouço o escuro silêncio

Texto autoral de Manaoos Aristides atravessa medo, dor e identidade em uma narrativa intensa sobre colapso, confronto e sobrevivência ...

 
Ouço o escuro silêncio: Texto autoral de Manaoos Aristides atravessa medo, dor e identidade em uma narrativa intensa sobre colapso, confronto e sobrevivência ...

Ouço o escuro silêncio.

Apenas um pensamento atravessa a mente como um raio: “E se eu simplesmente desaparecesse?”

Um corpo parado e um grito perdido no ar, um olhar distante; primeiro veio a ideia do veneno. Depois… o asfalto, um carro. Impacto e um culpado. E eu… livre.

Mas não era sobre o morrer, o acabar com; era sobre o que falava aqui dentro de mim.

Vozes, pressões e acusações invisíveis.

“Inseguro.”

As palavras ecoam.

“Inseguro… inseguro…”

Eu ouvi.

E pior… acreditei.

Chorei, sem querer, mas mesmo assim acreditei.

Caí, machuquei.

Um mergulho para dentro.

Rótulos surgem como tatuagem em todo corpo, invisíveis para alguns e doloridos para mim.

Descubro quem sou: autista. Disléxico. Borderline.

Sou feio. Pequeno.

Aproveito e dou uma risada amarga no escuro.

“Puta que pariu… só falta mais uma.”

Mas o golpe tem que ser mais forte… não veio assim do nada.

Veio de mim mesmo.

“Burro.”

De novo.

“Burro.”

Repetindo, tornou-se verdade.

Choro?

Explodo de raiva.

Punhos cerrados, para o golpe no ar.

Corpo e mente fora de controle.

Assim, eu saísse de mim… assisto tudo de longe.

No silêncio, respiro um pesado ar de medo.

Um salto do avião e sem paraquedas, um veículo desgovernado e sem freio.

Do amor percebo também o ódio, vazio, excesso simultaneamente.

Tudo agora.

Uma gota de lágrima que escorre lentamente.

Então… algo muda?

Um olhar de fuga, de confronto.

“Eu vou me encarar.”

E isso… é mais perigoso do que qualquer queda, porque, quando mergulho… eu encontro.

E o que encontro… não é pequeno.

Não é fraco.

É caos.

Mas também é criação.

A luz surge no horizonte da floresta.

A voz é minha, firme agora:

“Eu sou isso.”

Imperfeito, intenso, indomável.

E é esse sujeito que conheço… que nasce de uma história.

Ao lembrar, começa a surgir:

Homem de medo.

Um soldado fraco, sem arma.

Rascando o peito e mostrando nu o coração.

Uma força que me empurra ao abismo.

O mundo inteiro assim, frente a frente.

Em movimento, medo, medo do amanhã.

Rostos e rugas, ódio misturando-se ao silêncio.

Depois, uma última frase:

“Eu não estou solicitando permissão.”

“Estou chamando.”

Olho no olho, firme e direto, se você sente, faz parte.

Queira ou não… vai acontecer comigo, mesmo sem você…

Acabo virando história, simples assim.

E assim não morri, vivo ainda!

MANAOOS ARISTIDES

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2 comentários:

  1. Profunda reflexão. Continue a sonhar meu amigo. O show está apenas na metade e você é o protagonista deste seriado, um roteiro cheio de altos e baixos, de calmaria e explosões e nos os seus fãs estamos sempre a espera do próximo capítulo que certamente já está escrito em seu pensamento e que será especial, emocionante, poético e muito rico culturalmente. Os verbos escrever, criar, produzir e outros tantos nos fazem importantes e vivos para viver e continuar sonhando, vivendo...

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  2. Cleiton Costa - Profunda reflexão. Continue a sonhar meu amigo. O show está apenas na metade e você é o protagonista deste seriado, um roteiro cheio de altos e baixos, de calmaria e explosões e nos os seus fãs estamos sempre a espera do próximo capítulo que certamente já está escrito em seu pensamento e que será especial, emocionante, poético e muito rico culturalmente. Os verbos escrever, criar, produzir e outros tantos nos fazem importantes e vivos para viver e continuar sonhando, vivendo...

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