Na tradicional Alameda Prudente de Morais, reservas se esgotam antes das partidas e torcedores voltam a sonhar com uma campanha longa da Seleção na Copa do Mundo
O apito final trouxe um sentimento difícil de explicar em poucas palavras. Não era exatamente euforia. Também não era apenas alívio. Era uma mistura das duas coisas.
Na Alameda Prudente de Morais, em Curitiba, onde bares e restaurantes já se consolidaram como ponto de encontro para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira, o clima nesta segunda-feira foi de tensão crescente até os minutos finais. A cada ataque, o silêncio tomava conta das mesas. A cada chance desperdiçada, surgiam mãos na cabeça, olhares apreensivos e pedidos de calma que ninguém parecia disposto a ouvir.
Quando veio a virada brasileira, os gritos explodiram quase ao mesmo tempo em toda a rua. Copos erguidos, abraços entre desconhecidos e uma sensação coletiva de que o país havia escapado de um susto daqueles que costumam marcar Copas do Mundo.
O Brasil venceu o Japão por 2 a 1, de virada, garantindo presença na próxima fase do torneio. A classificação veio depois de um início complicado, com a seleção japonesa abrindo o placar e aumentando a apreensão entre os torcedores brasileiros. A reação no segundo tempo trouxe o resultado que a torcida esperava e manteve vivo o sonho do hexacampeonato. 0
Uma rua que virou tradição de Copa
Na capital paranaense, poucos lugares traduzem tão bem o clima dos grandes jogos quanto a Prudente de Morais. A via, conhecida pela concentração de bares, restaurantes e casas noturnas, vem registrando lotação constante durante a Copa.
Reservas têm sido feitas dias antes das partidas, repetindo um fenômeno que costuma ocorrer apenas em finais de campeonato ou em momentos decisivos do futebol brasileiro. Em dias de jogo da Seleção, a rua ganha outra identidade. As mesas se transformam em arquibancadas improvisadas, os garçons dividem espaço com torcedores vestindo amarelo e até quem passa apenas por curiosidade acaba sendo puxado para o clima coletivo.
Não é apenas sobre futebol. É sobre compartilhar emoções em público. Sobre vibrar com desconhecidos. Sobre experimentar aquela rara sensação de que uma cidade inteira está acompanhando a mesma história ao mesmo tempo.
Após o alívio, volta a tensão
Se a classificação trouxe comemoração, ela também trouxe um efeito colateral inevitável: a ansiedade pelo próximo desafio.
Em torneios de mata-mata, cada vitória resolve um problema e cria outro. O medo da eliminação desaparece por algumas horas, mas logo dá lugar à preocupação com o próximo adversário.
Nas mesas da Prudente de Morais, o assunto mudou rapidamente depois do apito final. Já não se discutia mais a vitória sobre o Japão. As conversas migraram para projeções, possíveis confrontos e chances reais de o Brasil chegar às fases decisivas.
A seleção segue avançando. E enquanto avança, cresce também a expectativa de uma torcida que há décadas aprendeu que Copa do Mundo é um exercício permanente de esperança e nervosismo.
Por enquanto, o Brasil continua vivo. E isso basta para manter acesas as televisões dos bares, lotadas as reservas dos restaurantes e ocupadas as mesas da Prudente de Morais.
O próximo jogo ainda está por vir. A tensão também. Mas nesta noite, pelo menos em Curitiba, o sentimento predominante foi de alívio. O sonho de acrescentar mais uma estrela ao brasão da Seleção Brasileira de Futebol, continua. Pra frente Brasil!

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