segunda-feira, 6 de abril de 2026

Violência policial no Paraná expõe crise de transparência e pressiona por uso de câmeras

Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) realiza audiência pública contra letalidade policial e lança campanha por controle e segurança para todos

Sulpost — 06/04/2026

Violência policial no Paraná expõe crise de transparência e pressiona por uso de câmeras. Bancada de Oposição na Alep realiza audiência pública e lança campanha por controle e segurança para todos

O debate sobre segurança pública no Paraná volta a ganhar corpo — e tensão — nesta semana. Em meio a denúncias recorrentes de abuso de autoridade, aumento da letalidade policial e dificuldades de acesso a informações oficiais, a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) abre espaço para um tema que insiste em não desaparecer: quem vigia a força do Estado?

A Bancada de Oposição na Alep, liderada pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT), promove nesta terça-feira (7), às 18h30, uma audiência pública para discutir a violência policial no estado. A proposta é reunir parlamentares, especialistas, instituições públicas e, sobretudo, familiares de vítimas — aqueles que vivem, na prática, as consequências de uma política de segurança ainda marcada por opacidade.

O encontro pretende enfrentar questões estruturais: a letalidade policial, a fragilidade nos mecanismos de investigação e a dificuldade de acesso a dados confiáveis sobre operações e mortes classificadas como “confronto”.

Desde 2019, mais de 2.300 pessoas morreram em ações das forças de segurança no Paraná — número que coloca o estado entre os mais letais do país. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a transparência sobre esses casos ainda é limitada, o que dificulta o controle social e a responsabilização de eventuais excessos.

“Não é possível falar em segurança pública enquanto ela não for garantida para todos. Precisamos enfrentar a violência, garantir transparência e construir políticas que respeitem a vida e os direitos da população”, afirma Arilson, que também preside o PT no Paraná.

Silêncio no interior

Mas há uma camada ainda menos visível nesse cenário. No interior do estado, onde a presença institucional é mais rarefeita e as relações de poder costumam ser mais fechadas, jornalistas e radialistas enfrentam riscos que raramente chegam ao debate público.

Levantamentos de entidades da categoria apontam dezenas de casos de ameaças, agressões e homicídios contra comunicadores nos últimos anos no Paraná. Muitos desses episódios permanecem sem solução clara — um padrão que se repete em nível nacional, onde apenas parte dos assassinatos de jornalistas tem autoria identificada e denunciada.

Quando a violência atinge quem narra os fatos, o impacto vai além do indivíduo. Afeta o direito à informação, amplia zonas de silêncio e fragiliza a própria democracia local.

Em um estado onde a força muitas vezes antecede a explicação, o silêncio também passa a operar como política — nas periferias e nas pequenas redações.

Câmeras corporais e pressão política

Durante a audiência, será lançada a campanha estadual “É seguro pra você, e é seguro pra mim”, que defende a retomada do Projeto de Lei nº 449/2019. A proposta estabelece a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais por policiais militares no Paraná.

Já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a matéria segue sem avanço no plenário. Para a oposição, o uso de câmeras é um instrumento duplo: amplia a transparência das ações policiais e protege tanto a população quanto os próprios agentes, ao registrar o que de fato ocorre nas abordagens.

A audiência marca o início de uma agenda mais ampla de mobilização, que deve incluir ações regionais e campanhas de comunicação para pressionar por mudanças na política de segurança pública do estado.

Participação e vozes confirmadas

Estão convidados representantes da Defensoria Pública do Paraná e do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP).

Entre os participantes confirmados estão o professor de Direito Penal da USP, Maurício Dieter; o procurador e professor Jacson Zillio; a ativista Hayde, do Coletivo Justiça por Almas; o representante social Davi Utashina; e o defensor público Marcel Jeronymo Lima Oliveira, da Ouvidoria-Geral.

A programação inclui depoimentos de familiares de vítimas e intervenções culturais, combinando denúncia, escuta e construção de encaminhamentos.

📍 Serviço

Audiência Pública: Violência Policial no Paraná

📅 07 de abril de 2026 (terça-feira)

⏰ 18h30

📌 Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP)

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