Artista deixa legado marcado por crítica social, identidade latino-americana e fidelidade à tradição do muralismo
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| Melchor Peredo García - Sputnik/Reprodução |
O silêncio tomou conta de Xalapa, neste dia 8 de abril de 2026. A cidade, no leste do México, amanheceu como se uma parede do tamanho da América Latina toda tivesse deixado de contar sua história, a nossa história.
Morreu aos 99 anos o muralista Melchor Peredo García, um dos últimos representantes vivos de uma geração que transformou muros em manifestos e arte em consciência coletiva. Com sua partida, encerra-se mais um capítulo direto do muralismo mexicano — um dos movimentos culturais mais potentes da América Latina.
Nascido na Cidade do México, em 6 de janeiro de 1927, foi discípulo indireto de gigantes como Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros, Peredo construiu uma trajetória própria, profundamente marcada por temas sociais, humanistas e pela identidade nacional mexicana. Sua obra nunca foi neutra — dialogava com o povo, com a história e com as tensões do seu tempo.
Ao longo da vida, produziu pelo menos 25 murais, espalhados não apenas pelo México, mas também por países como Estados Unidos, Canadá e França. Em cada parede, uma narrativa: conflitos, resistências, memórias.
Mesmo nas fases mais recentes, já nonagenário, o artista seguiu ativo. Revisitou episódios como a chegada dos espanhóis à América, propondo leituras críticas e contemporâneas — uma prova de que sua arte nunca se acomodou ao passado.
A morte de Peredo não apaga seus traços. Eles permanecem — firmes — nas superfícies que escolheu como palco, onde a história ainda respira em cores e formas.


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