quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Metalúrgicos transformam conflito em mobilização e caminham até a ALEP nesta quarta (26)

Após nova tensão com a Polícia Militar no amanhecer, trabalhadores da Brose decidem ir às ruas e levam a pauta ao Centro Cívico em busca de negociação e respeito

Trabalhadores imobilizaram em frente a brosi na manhã de hoje (26) - Colaboração

O dia amanheceu tenso em frente à Brose do Brasil. Trabalhadores e trabalhadoras que participam do movimento registraram novo episódio de conflito com a Polícia Militar do Paraná logo nas primeiras horas desta quarta-feira (26). A cena, segundo relatos, reforçou um sentimento que já vinha crescendo: a necessidade de tornar a luta pública.

Foi nesse contexto que nasceu a decisão de mobilização imediata. Ainda pela manhã, a concentração começou diante da fábrica, transformando indignação em organização — e organização em caminhada.

O destino é simbólico e político: a Praça Nossa Senhora de Salete, em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, onde a categoria pretende dar visibilidade ao impasse e buscar mediação institucional.

Uma escalada que não começou hoje

Na véspera, uma comissão do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) esteve em reunião na Superintendência Regional do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego. A empresa foi formalmente convidada a participar do encontro.

De acordo com a ata encaminhada ao Sulpost, a Brose do Brasil não compareceu, não enviou representante nem apresentou manifestação naquele momento. Para trabalhadores, o gesto foi interpretado como agravamento do impasse.

A ausência na mesa de negociação somada à tensão registrada na porta da fábrica no amanhecer desta quarta ajudou a consolidar a decisão coletiva: sair da fábrica e levar a pauta para o espaço público.

Da fábrica para a rua

Mensagens, conversas entre turnos e documentos sindicais começaram a circular ainda cedo. Convocatórias assinadas pela direção do sindicato chamavam trabalhadores e trabalhadoras para a mobilização do dia.

O movimento não nasce apenas de uma reivindicação pontual. Nas falas colhidas, aparece um sentimento mais amplo — de desgaste, de espera prolongada e de necessidade de respeito.

Por trás de cada trabalhador existe uma família. Por trás de cada turno existe planejamento financeiro, rotina e expectativa. Quando a negociação trava, a insegurança atravessa o cotidiano.

Advogados, representante dos trabalhadores e do SMC estiveram no Ministério do Trabalho e do Emprego para tentar um acordo com a empresa que não enviou representante ou satisfação - Nelsão/SMC

A caminhada como linguagem

A saída em caminhada até o Centro Cívico representa uma tentativa de ampliar o diálogo. Levar o conflito ao espaço político significa buscar mediação, visibilidade e pressão institucional para que a negociação avance.

Trabalhadores já se concentravam em frente à empresa ao longo da manhã e organizavam a saída conjunta. A chegada ao Centro Cívico está prevista para o início da tarde, por volta das 14 horas.

Em movimentos trabalhistas, a rua costuma cumprir um papel claro: transformar um impasse invisível em debate público.

Neste exato momento os trabalhadores estão se concentrando para partir em caravana rumo à praça nossa Senhora de Salete no centro cívico - Divulgação/SMC

Posicionamento institucional

Conforme registro da reunião realizada na Superintendência Regional do Trabalho, a empresa foi convidada a participar e não compareceu, não enviou representante nem apresentou manifestação naquele momento. O espaço permanece aberto para posicionamento oficial da empresa.

O SMC, por sua vez, divulgou a seguinte nota em suas redes sociais:

"ATENÇÃO, POLICIA MILITAR BATE NOS TRABALHADORES!

Hoje dia 26/2 mais uma ação truculenta da polícia militar de São José dos Pinhais, contra os trabalhadores que estão em greve a mais de vinte sete dias, na frente da empresa Brose, em São José dos Pinhais."

Serviço — Mobilização

  • Concentração: em frente à Brose do Brasil
  • Caminhada: até a Praça Nossa Senhora de Salete
  • Ato: em frente à Assembleia Legislativa do Paraná
  • Chegada prevista: por volta das 14h

Veja o vídeo da convocação feita pelo Nelsão, Vice-presidente do SMC, na manhã de hoje

3 comentários:

  1. Força aos Metalúrgicos e ao seu Sindicato. Fazer a PM atacar os trabalhadores é MAIS UMA VERGONHA do Governo Rato Júnior.

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  2. E a mídia... Silenciosa. Nenhuma matéria a respeito. Força, trabalhadores

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  3. Polícia e para proteger patrimônio público não para fazer segurança privada na frente da empresa

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