Do frevo ao samba: Lula percorre Recife, Salvador e Rio e expõe distância entre narrativas de impopularidade criadas pela extrema direita e a realidade nas ruas
Após ser aplaudido por cerca de 2 milhões de foliões no Galo da Madrugada, presidente acompanha o Carnaval de Salvador e já está no Rio para os desfiles na Sapucaí.
Recife / Salvador / Rio de Janeiro — A política brasileira é feita de narrativas. Algumas ganham força nas redes sociais, outras ecoam em discursos de adversários. Nos últimos anos, uma delas foi repetida à exaustão: a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderia sair às ruas sem ser vaiado ou hostilizado.
Neste fim de semana de Carnaval, porém, a realidade respondeu com imagens — e com multidões.
Na manhã de sábado (14), Lula participou do tradicional Galo da Madrugada, no Recife, considerado o maior bloco carnavalesco do mundo, que reúne cerca de 2 milhões de pessoas. Ao lado da primeira-dama Janja da Silva, o presidente foi recebido com aplausos, acenos e palavras de incentivo. Não houve registro de vaias generalizadas. O que se viu foi celebração.
Mais cedo, o próprio presidente compartilhou em seu perfil oficial na rede X um vídeo ao lado de Janja, celebrando a presença na capital pernambucana:
Acompanhei hoje o desfile do Galo da Madrugada, no Recife, uma das maiores manifestações populares do nosso país. A força do Carnaval pernambucano, do frevo ao maracatu, e a energia das pessoas nas ruas são marca registrada da nossa cultura.
— Lula (@LulaOficial) February 14, 2026
Estive acompanhado do prefeito… pic.twitter.com/GQIhTxZXp6
A postagem viralizou rapidamente. Mas o roteiro do dia estava longe de terminar.
De Recife a Salvador: segunda parada da folia
Na tarde do mesmo sábado, Lula seguiu para Salvador, onde acompanhou o Carnaval no circuito Campo Grande. Segundo reportagem do Jornal Grande Bahia (JGB), o presidente chegou por volta das 14h30 e foi recepcionado pelo governador Jerônimo Rodrigues e pela primeira-dama do Estado, Tatiana Velloso.
No camarote do governo baiano, Lula esteve ao lado de Janja, da ministra da Cultura Margareth Menezes e do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Durante a passagem pelo circuito, assistiu aos trios elétricos e interagiu com atrações como a banda BaianaSystem, em meio à multidão que ocupava as ruas da capital baiana 0.
Era a segunda capital em menos de 24 horas. Dois dos maiores carnavais do planeta. E novamente, o que se viu foi presença, integração e registros festivos compartilhados nas redes sociais.
Destino final: a Marquês de Sapucaí
Da Bahia, Lula seguiu para o Rio de Janeiro, onde já se encontra para acompanhar o primeiro dia de desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Na capital fluminense, o presidente participa da agenda cultural do Carnaval e será homenageado pela escola Acadêmicos de Niterói, cujo samba-enredo faz referência à sua trajetória política.
Em três capitais, três multidões, três palcos simbólicos da cultura popular brasileira — Recife, Salvador e Rio.
Entre o discurso e o asfalto
A tese de que Lula estaria impedido de circular em público por conta de impopularidade sempre foi mais performática do que comprovada. Repetida por adversários como estratégia de desgaste político, ela encontra pouco respaldo quando confrontada com registros amplamente documentados.
O que este Carnaval expõe é um contraste difícil de ignorar: enquanto a retórica fala em isolamento, a prática mostra presença; enquanto a narrativa sugere rejeição massiva, as imagens revelam acolhimento em eventos que reúnem milhões de pessoas.
Isso não significa ausência de críticas ou polarização — o Brasil continua dividido politicamente. Mas a presença contínua do presidente em grandes eventos populares, em diferentes regiões do país, enfraquece a ideia de que ele estaria apartado das ruas.
No frevo pernambucano, no trio elétrico baiano e agora sob as luzes da Sapucaí, Lula percorre o país em plena temporada pré-eleitoral. E, até aqui, a resposta das ruas tem sido menos hostil do que previam seus opositores.
Às vezes, a política se mede em pesquisas. Outras vezes, em aplausos que ecoam entre pontes, avenidas e sambódromos.


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