quarta-feira, 16 de abril de 2025

Terra passa por período de extinção, alerta cientista

“A maior e mais rápida extinção da história”: o alerta de um cientista para o futuro do planeta

 
 

A cena é familiar, quase poética. O sol toca a superfície do mar em um fim de tarde morno, o vento dança entre as folhas de uma amendoeira, e por um instante tudo parece estar em paz. Mas é justamente nessa calmaria aparente que mora o perigo. O clima do nosso planeta está mudando — rápido demais — e a humanidade, ainda sem esboçr reação à altura, segue tropeçando diante de um colapso profetizado.

Sir Hugh Montgomery, médico e pesquisador britânico, é um dos mais respeitados especialistas do mundo em saúde e mudanças climáticas. Ele não mede palavras para descrever o cenário atual: “Estamos provocando a maior e mais rápida extinção em massa da história da Terra”. A fala soou como um soco durante a abertura do Forecasting Healthy Futures Global Summit, evento internacional que reuniu cientistas, médicos e líderes políticos no Rio de Janeiro — cidade que se prepara para sediar a COP 30 em novembro.

Montgomery, que dirige o Centro de Saúde e Desempenho Humano da University College London e é um dos autores do relatório da revista *The Lancet* sobre clima e saúde, compara o cenário atual ao Período Permiano — o mais sombrio da história geológica do planeta, quando cerca de 90% das espécies foram exterminadas por condições extremas.

Mas, desta vez, não foi um meteoro. Não foi um supervulcão. Somos nós.

O clima virou emergência. E está matando

De acordo com Montgomery: “A cada tonelada de CO₂ lançada na atmosfera, empurramos a Terra mais perto de um abismo”. Em 2024, o mundo bateu o recorde de aquecimento global: 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Os cientistas projetam que, no ritmo atual de emissões, chegaremos a 2,7 °C até o fim do século.

Pode parecer pouco, mas essa diferença pode significar o colapso das geleiras do Ártico, a elevação de vários metros no nível do mar e uma cascata de desastres naturais — secas severas, enchentes históricas, ondas de calor insuportáveis. “Se alcançarmos entre 1,7 °C e 2,3 °C, já será suficiente para desacelerar drasticamente a circulação do Atlântico, o que mudará o clima do planeta como o conhecemos”, disse o cientista.

O alerta soa ainda mais dramático se lembrarmos que as mudanças já começaram. Ilhas estão desaparecendo, ecossistemas colapsando, animais sumindo. O que parecia coisa de filme apocalíptico já virou manchete.

Não é só o futuro — é o agora

As consequências da crise climática já batem à porta dos hospitais. Montgomery lembra que estamos falando de uma emergência de saúde pública. “Não é apenas sobre salvar o planeta, é sobre salvar pessoas. Já vemos hoje o aumento de doenças respiratórias, cardiovasculares, infecções e problemas de saúde mental ligados às mudanças climáticas.”

No Brasil, o calor extremo já virou pauta urgente. Em Fortaleza, por exemplo, 41% das escolas estão em áreas onde a temperatura ultrapassa a média da cidade em pelo menos 1 °C. Em São Paulo e Manaus, os chamados “cânions urbanos” — corredores formados por arranha-céus — aprisionam o calor e colocam a saúde de milhões em risco. E na Antártida, a vegetação avança à medida que o gelo recua. O mundo está se transformando diante de nossos olhos.

O preço do descaso

Há também o impacto econômico. Segundo Montgomery, a crise climática deve reduzir em até 20% a economia global anualmente a partir de 2049 — uma perda de US$ 38 trilhões por ano. “É como se ignorássemos um incêndio que começa em um canto da casa achando que não vai chegar aos quartos”, compara o cientista.

Mas os dados não são frios. Eles ganham rosto quando se pensa em comunidades inteiras afetadas por desastres ambientais, em agricultores que veem suas lavouras secarem, em populações ribeirinhas que perdem suas casas para o avanço das águas. O custo é humano.

E agora, há tempo?

A resposta é sim — mas não por muito tempo. O especialista defende ações imediatas: redução drástica nas emissões de gases do efeito estufa, corte urgente na liberação de metano (83 vezes mais nocivo que o CO₂), despoluição de centros urbanos, transição energética e uma mudança profunda nos padrões de consumo.

“Não adianta só aliviar os sintomas. É preciso atacar a causa”, diz Montgomery. Para ele, as medidas de adaptação — como infraestrutura contra enchentes ou campanhas de saúde — são importantes, mas insuficientes se não forem acompanhadas de um esforço real para frear o aquecimento global.

A escolha está feita — ou será feita por nós

Com a COP 30 no horizonte, o Brasil e o mundo têm a chance de virar a chave. A urgência foi lançada no palco do Rio, mas ecoa como um chamado coletivo: é hora de escolher entre a sobrevivência ou o colapso.

A Terra não deixará de girar. Mas talvez não gire mais com a mesma vida. A questão, como aponta Montgomery, é se estaremos aqui para contar a história.

“Se continuarmos golpeando a base dessa coluna instável sobre a qual estamos apoiados, a própria espécie humana estará ameaçada.”

O tempo corre. E o relógio do clima não aceita soneca.

Edição: Ronald Stresser

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