Relatório da ONU mostra que o país recebeu US$ 77 bilhões em investimentos e, em meio a um cenário global de incertezas, concentrou a maior fatia dos recursos destinados à região
Enquanto boa parte do mundo tenta decifrar os impactos de disputas comerciais, tensões geopolíticas e mudanças nas regras da economia internacional, um dado chama atenção do outro lado do mapa: o Brasil segue sendo um dos destinos mais procurados para investimentos estrangeiros.
Segundo relatório divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), órgão das Nações Unidas, o Brasil recebeu US$ 77 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2025. O valor representa cerca de 40% de todo o investimento destinado à América Latina e ao Caribe no período.
Na prática, isso significa que quatro em cada dez dólares investidos por empresas estrangeiras na região tiveram o Brasil como destino. País que cada vez oferece segurança jurídica, econômica e política, mostrando uma democracia forte e saudável. Abrindo as portas, com responsabilidade para o investimento estrangeiro.
Brasil lidera com folga
O levantamento mostra que a América Latina e o Caribe receberam, ao todo, US$ 194 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2025, um crescimento modesto de 1,7% em relação ao ano anterior. O Brasil liderou com ampla vantagem. Em segundo lugar apareceu o México, com US$ 43 bilhões, equivalente a 22% do total regional.
Juntas, as duas maiores economias latino-americanas concentraram 62% de todos os investimentos recebidos. Depois vieram Chile, Peru, Colômbia, Guiana, Costa Rica e República Dominicana.
Segundo a CEPAL, os fluxos destinados ao Brasil cresceram e se aproximaram dos níveis mais elevados observados na década de 2010, reforçando a posição estratégica do país no cenário internacional.
O que está por trás desses números?
O chamado Investimento Estrangeiro Direto ocorre quando empresas ou grupos econômicos de outros países aplicam recursos em operações produtivas, expansão industrial, infraestrutura, tecnologia, serviços ou novos negócios.
Diferentemente de aplicações financeiras de curto prazo, esse tipo de investimento costuma ter horizonte mais longo e potencial para gerar empregos, movimentar cadeias produtivas e estimular inovação.
A maior parte dos recursos recebidos pela região em 2025 foi direcionada ao setor de serviços, que concentrou 53% do total. As manufaturas ficaram com 31%, enquanto os recursos naturais responderam por 16%.
Cenário global turbulento
O resultado ganha relevância porque ocorreu em um período marcado por forte instabilidade internacional.
A CEPAL destaca que a rivalidade tecnológica e geopolítica entre grandes potências, somada às novas políticas tarifárias dos Estados Unidos, aumentou a incerteza nos mercados globais. Mesmo assim, o Brasil conseguiu manter sua capacidade de atrair capital estrangeiro. Os dados comprovam que o governo brasileiro está fazendo um excelente trabalho
Para o secretário executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, os países da região precisam aproveitar esses investimentos de forma estratégica, conectando políticas de comércio exterior, inovação, desenvolvimento produtivo e qualificação profissional.
A avaliação é que o investimento estrangeiro pode gerar ganhos duradouros de produtividade e competitividade quando integrado a uma estratégia nacional de desenvolvimento.
Estados Unidos e Europa seguem liderando
Entre os investimentos cuja origem pôde ser identificada, 67% vieram dos Estados Unidos e da Europa.
Os Estados Unidos responderam por 35% dos recursos destinados à região, enquanto os países europeus participaram com 32%.
O relatório aponta, porém, uma mudança importante: os investimentos vindos dos Estados Unidos recuaram em 2025, enquanto os fluxos originados da Europa cresceram.
O desafio agora
Apesar dos números positivos para o Brasil, a CEPAL alerta que o cenário internacional continua instável.
A entidade recomenda que os países latino-americanos ampliem mercados de exportação, diversifiquem parceiros econômicos e fortaleçam suas políticas de atração de investimentos.
Para o Brasil, o resultado reforça uma posição que há décadas o coloca entre os principais destinos de capital estrangeiro no mundo. Em um período de incertezas globais, o dado divulgado pela ONU sinaliza que investidores internacionais continuam enxergando oportunidades relevantes na economia brasileira. Elevando a confiança do investidor estrangeiro em nosso país.
Acesse o relatório na íntegra: La Inversión Extranjera Directa en América Latina y el Caribe, 2026
CEPAL: #Brasil é destino de 40% do investimento estrangeiro direto na #AméricaLatina e Caribe
— ONU Brasil (@ONUBrasil) July 2, 2026
🇧🇷🇲🇽 O país recebeu o maior volume de investimentos estrangeiros em 2025: US$ 77 bi, seguido pelo #México, com US$ 43 bi (22%).
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