segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ratinho pede para não depor no caso do Marroquino; Requião Filho confirma presença em audiência

Processo envolvendo o jornalista Esmael Morais volta a expor denúncias de suposto monitoramento ilegal no Paraná, tema que segue sem conclusão pública definitiva

 
Ratinho pede para não depor no caso do Marroquino; Requião Filho confirma presença em audiência. Processo envolvendo o jornalista Esmael Morais volta a expor denúncias de suposto monitoramento ilegal no Paraná, tema que segue sem conclusão pública definitiva.

Uma audiência marcada para esta terça-feira (16), em Curitiba, recoloca no centro do debate político paranaense um caso que mistura disputa judicial, denúncias de monitoramento ilegal, liberdade de imprensa e embates entre governo e oposição.

O governador Ratinho Junior (PSD) pediu à Justiça para não depor no chamado "caso do Marroquino", processo criminal envolvendo o jornalista Esmael Morais. O mesmo pedido foi apresentado pelo secretário-chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega.

Segundo informações divulgadas pela defesa das autoridades, ambos sustentam que seus depoimentos não teriam relação direta com os fatos discutidos na ação. Como alternativa, solicitaram que, caso a magistrada mantenha a convocação, possam responder por escrito ou prestar informações sem comparecer presencialmente à audiência.

Do outro lado, o deputado estadual Requião Filho (PDT) confirmou que pretende comparecer para prestar depoimento. O parlamentar foi um dos primeiros a levar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) questionamentos sobre denúncias envolvendo uma suposta estrutura de monitoramento instalada em órgãos do Estado.

O que está em discussão

Embora o processo em questão trate de suposta ofensa à honra, o caso acabou ganhando repercussão política por estar ligado a denúncias que vêm sendo discutidas há anos nos bastidores da política paranaense.

As suspeitas levantadas por setores da oposição envolvem a contratação, pelo Governo do Paraná, de tecnologia associada ao sistema FirstMile, ferramenta que também apareceu nas investigações da Polícia Federal sobre o escândalo conhecido nacionalmente como "Abin Paralela".

Na época, Requião Filho apresentou requerimentos e pedidos de esclarecimento sobre a aquisição do sistema e sobre a atuação da Diretoria de Inteligência da Controladoria-Geral do Estado (CGE), então comandada pelo marroquino naturalizado brasileiro Mehdi Mouazen.

As denúncias apontavam a necessidade de investigar se ferramentas de monitoramento poderiam ter sido utilizadas de forma indevida contra agentes públicos, jornalistas ou adversários políticos.

Importante: até o momento, não há conclusão pública definitiva que comprove a existência de uma estrutura ilegal de espionagem no Paraná. O que existe são denúncias políticas, questionamentos parlamentares, procedimentos de investigação e disputas judiciais envolvendo diferentes versões sobre os fatos. Investigações seguem em curso.

Governo nega irregularidades

Ao longo das discussões públicas sobre o tema, o Governo do Paraná e os envolvidos nas denúncias têm negado qualquer prática irregular relacionada ao uso de sistemas de inteligência ou monitoramento.

O debate, portanto, permanece aberto no campo político e judicial, sem uma conclusão definitiva que confirme as acusações apresentadas pela oposição.

Audiência pode ampliar repercussão

A expectativa em torno da audiência desta terça-feira vai além dos aspectos jurídicos do processo. Dependendo das decisões da Justiça sobre os depoimentos solicitados pela defesa, o caso poderá voltar a ocupar espaço relevante no debate político estadual.

Para a defesa de Esmael Morais, os depoimentos de autoridades públicas são importantes para o exercício do direito de defesa. Já os representantes de Ratinho Junior e João Carlos Ortega argumentam que a legislação prevê tratamento específico para autoridades convocadas como testemunhas.

O episódio também evidencia o contraste político entre os personagens envolvidos. Enquanto o governador busca ser dispensado do depoimento ou autorizado a responder por escrito, Requião Filho afirma que pretende comparecer pessoalmente para prestar esclarecimentos.

Independentemente do desfecho da audiência, o caso continua reunindo elementos sensíveis para a vida pública paranaense: liberdade de imprensa, transparência institucional, atividade de inteligência estatal e o papel das autoridades diante de questionamentos que seguem sob escrutínio político e judicial.

O caso segue, investigações continuam. A espionagem de cidadãos, jornalistas e autoridades por parte do Estado do Paraná não foi comprovada, ao menos por enquanto.

Certo é que a arapongagem, ou prática de espionar adversários políticos e ideológicos, é herança dos anos de chumbo da ditadura militar. Trata-se de uma prática inaceitável, por isso merece o acompanhamento não apenas da imprensa, mas de todos aqueles que vêem a privacidade do cidadão como direito inalienável e defendem a democracia.

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