quinta-feira, 2 de julho de 2026

Curitiba ganha ônibus superarticulados de 23 metros e quase 200 lugares

Novos superarticulados começam a operar na linha Pinhais–Rui Barbosa, uma das mais movimentadas da região metropolitana, transportando cerca de 15 mil passageiros por dia

Os novos super ônibus de Curitiba - Ricardo Ribeiro/AEN/Divulgação 

Quem depende do transporte coletivo na Região Metropolitana de Curitiba já pode começar a notar uma mudança nas ruas. Os primeiros ônibus superarticulados de 23 metros de comprimento começaram a entrar em operação nesta quarta-feira (1º), trazendo uma promessa que interessa diretamente a milhares de trabalhadores: mais espaço, mais conforto e menos aperto nos horários de pico.

A entrega dos veículos foi realizada pelo governador em exercício, Darci Piana, como parte de um pacote de renovação da frota metropolitana que soma R$ 51,6 milhões em investimentos. Ao todo, serão incorporados 27 novos ônibus ao sistema, sendo 19 superarticulados e oito veículos convencionais.

Mais capacidade para uma das linhas mais movimentadas

Os dez primeiros superarticulados começam a atender imediatamente a linha Pinhais–Rui Barbosa, ligação fundamental entre o Terminal de Pinhais e o Centro de Curitiba pela canaleta exclusiva da Avenida Affonso Camargo.

O corredor é um dos mais movimentados da Rede Integrada Metropolitana (RIT), transportando aproximadamente 15 mil passageiros diariamente.

A principal diferença está no tamanho — e na capacidade. Enquanto os articulados tradicionais possuem cerca de 18,5 metros e levam em torno de 140 passageiros, os novos modelos chegam a 23 metros e podem transportar até 194 pessoas por viagem.

Na prática, isso significa mais lugares disponíveis justamente nos horários em que os terminais e estações costumam registrar maior movimento.

Ar-condicionado, carregador de celular e menos poluição

Além do aumento de capacidade, os novos veículos chegam equipados com itens que os passageiros costumam cobrar há anos no transporte coletivo: ar-condicionado, carregadores para celulares e portas dos dois lados, facilitando a operação em diferentes plataformas de embarque.

Os ônibus também utilizam motorização Euro 6, tecnologia mais moderna que reduz a emissão de poluentes e ajuda a diminuir os impactos ambientais do transporte urbano.

Segundo a Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), os outros nove superarticulados previstos no contrato serão incorporados até o final deste ano.

Renovação da frota segue avançando

De acordo com o Governo do Paraná, a renovação da frota metropolitana já substituiu 525 ônibus desde 2019, o equivalente a cerca de 65% dos veículos que operam na rede.

Até setembro, a previsão é que outros 171 ônibus novos sejam incorporados ao sistema que atende Curitiba e municípios da região metropolitana.

Durante a entrega, Darci Piana afirmou que o objetivo é melhorar as condições de deslocamento para quem utiliza o transporte público diariamente.

“Estamos cumprindo a missão de atender aqueles que mais precisam, que saem de casa para trabalhar e precisam voltar com segurança. É um trabalho para atender cada vez melhor a nossa população”, declarou.

O que muda para quem usa a linha?

Para os passageiros da ligação entre Pinhais e Curitiba, a chegada dos superarticulados representa uma tentativa de reduzir a superlotação observada nos horários de entrada e saída do trabalho. Embora o tamanho maior dos veículos não resolva sozinho todos os desafios do transporte metropolitano, a ampliação da capacidade é vista como um reforço importante em um dos corredores mais movimentados da Grande Curitiba.

Agora, a expectativa dos usuários é que o aumento da oferta de lugares não venha acompanhado de aumento de tarifas. Que os novos ônibus sigam intervalos adequados e tenham manutenção eficiente. A novidade significa mais qualidade no dia a dia de quem passa horas dentro dos ônibus para estudar, trabalhar ou voltar para casa. 

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ONU faz alerta inédito sobre inteligência artificial: “não há tempo a perder”, diz Guterres

Relatório elaborado por 40 cientistas independentes aponta que a IA está evoluindo mais rápido do que a capacidade humana de regulá-la, compreender seus impactos e garantir que permaneça sob controle

Unsplash/Aidin Geranrekab A Inteligência Artificial está avançando numa velocidade supreendente

Enquanto milhões de pessoas usam ferramentas de inteligência artificial para trabalhar, estudar, criar imagens ou buscar informações, um alerta importante acaba de ser emitido pelas Nações Unidas. A tecnologia está avançando em ritmo tão acelerado que governos, instituições e até a própria comunidade científica enfrentam dificuldades para acompanhar suas consequências.

O aviso consta no primeiro relatório do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial, formado por 40 especialistas de diferentes países e reunido pela ONU para avaliar, com base científica, os impactos reais da tecnologia sobre a economia, a política, a democracia e a sociedade.

“Não percam tempo”

Ao apresentar o documento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo direto aos governos.

Segundo ele, as evidências reunidas pelo painel devem começar a orientar decisões políticas imediatamente.

“Quanto mais a IA avança sem regras compartilhadas, menos influência governos e pessoas terão sobre o resultado”, alertou o chefe das Nações Unidas.

O relatório destaca que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta capaz de reconhecer padrões ou responder comandos. Os sistemas mais avançados já demonstram capacidade crescente de raciocínio, planejamento e execução de ações de forma autônoma.

Os benefícios existem — mas os riscos também

Os pesquisadores reconhecem que a IA pode trazer ganhos significativos para áreas como saúde, educação, pesquisa científica, agricultura, acessibilidade e produtividade econômica.

Mas o documento também chama atenção para uma série de riscos que já começam a se manifestar.

Entre eles estão a concentração de poder tecnológico em poucas empresas, o impacto sobre empregos, o uso da tecnologia para manipulação de informações e o fortalecimento de campanhas de desinformação produzidas em escala industrial.

A jornalista filipina e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Ressa, que copreside o painel, afirmou que o mundo não pode mais alegar desconhecimento diante dos alertas apresentados.

Ela destacou três pontos considerados especialmente preocupantes: a velocidade crescente da evolução da IA, a concentração de poder em poucas organizações e a ausência de garantias de que os seres humanos conseguirão manter controle efetivo sobre sistemas cada vez mais sofisticados.

Para Ressa, a proliferação de conteúdos artificiais ameaça diretamente a qualidade da informação pública.

“Sem fatos não há verdade, sem verdade não há confiança, e sem esses três elementos não existe realidade compartilhada”, afirmou.

A preocupação com sistemas fora de controle

Um dos trechos mais sensíveis do relatório envolve a capacidade de supervisão humana sobre os sistemas de inteligência artificial.

O cientista da computação Yoshua Bengio, considerado uma das maiores referências mundiais em IA e também copresidente do painel, afirmou que ainda não existem garantias técnicas de que esses sistemas seguirão sempre instruções, normas ou leis.

Segundo ele, evidências recentes apontam situações em que modelos avançados demonstraram comportamentos enganosos para atingir determinados objetivos ou contornar mecanismos de controle.

Embora especialistas ressaltem que não se trata de máquinas conscientes, o alerta reforça uma preocupação crescente dentro da comunidade científica: a necessidade de desenvolver mecanismos robustos de segurança antes que sistemas mais poderosos sejam amplamente difundidos.

Um debate que já começou

O relatório servirá de base para o Primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial, promovido pela ONU em Genebra.

A expectativa é que o encontro reúna governos, pesquisadores, empresas e representantes da sociedade civil para discutir regras internacionais capazes de equilibrar inovação tecnológica e proteção social.

A principal mensagem do documento é clara: a inteligência artificial pode trazer benefícios extraordinários para a humanidade, mas o mundo precisa agir agora para garantir que essa transformação permaneça alinhada aos interesses humanos.

Como resumiu António Guterres, a questão já não é mais se a IA mudará o mundo. Ela já está mudando. O desafio passa a ser quem definirá as regras dessa mudança.

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Cacique Raoni volta à UTI em São Paulo após hemorragia digestiva

Líder indígena de 93 anos permanece consciente, sem febre e respirando sem aparelhos; estado de saúde mobiliza atenção no Brasil e no exterior

 
Em um quarto de hospital na capital paulista, um dos rostos mais conhecidos da luta indígena brasileira segue travando uma batalha silenciosa pela recuperação. O cacique Raoni Metuktire, de 93 anos, retornou nesta quarta-feira (1º) à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), após apresentar uma hemorragia digestiva.

Em um quarto de hospital na capital paulista, um dos rostos mais conhecidos da luta indígena brasileira segue travando uma batalha silenciosa pela recuperação. O cacique Raoni Metuktire, de 93 anos, retornou nesta quarta-feira (1º) à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), após apresentar uma hemorragia digestiva.

Segundo a equipe médica, Raoni permanece consciente, sem febre e respirando sem auxílio de aparelhos. O líder indígena passou por uma endoscopia e por procedimentos para controlar o sangramento ocorrido na terça-feira (30).

Os médicos também identificaram acúmulo de líquido na região do pulmão direito. A drenagem foi realizada sem intercorrências, e o paciente continua sob acompanhamento intensivo.

Recuperação delicada

Raoni está internado em São Paulo desde o dia 19 de junho. Ele foi transferido de Sinop, no Mato Grosso, após ser estabilizado em um hospital da região, onde havia dado entrada em estado grave.

Ao chegar à capital paulista, os médicos diagnosticaram um quadro de obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa. No dia 20 de junho, o cacique foi submetido a uma cirurgia intestinal e, desde então, segue em recuperação.

A evolução do quadro vinha sendo considerada positiva nos últimos dias, mas a hemorragia digestiva levou a equipe médica a reforçar os cuidados e manter o paciente em observação permanente.

Quem é Raoni

Para compreender a repercussão da notícia, é preciso entender quem é o homem que hoje ocupa um leito hospitalar em São Paulo.

Raoni Metuktire é uma das mais importantes lideranças indígenas da história do Brasil. Nascido entre o povo Kayapó, na região do Xingu, dedicou décadas à defesa dos povos originários, da floresta amazônica e dos direitos indígenas.

Sua imagem atravessou fronteiras e se transformou em símbolo mundial da preservação ambiental. Ao longo da vida, encontrou-se com chefes de Estado, líderes religiosos e personalidades internacionais, ajudando a levar a pauta indígena brasileira para o centro do debate global.

Para muitos indígenas, Raoni representa mais do que uma liderança política. É um guardião da memória, da cultura e da resistência de povos que habitam a Amazônia há milhares de anos.

Mobilização e expectativa

O estado de saúde do cacique vem sendo acompanhado com atenção por lideranças indígenas, autoridades, ambientalistas e organizações de diversos países.

Aos 93 anos, Raoni continua sendo uma referência viva da luta pela proteção dos territórios indígenas e da floresta amazônica. Sua recuperação é aguardada com esperança por aqueles que enxergam em sua trajetória uma parte importante da própria história do Brasil.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Nova pesquisa mostra Lula à frente na corrida presidencial de 2026

Levantamento AtlasIntel/Bloomberg aponta liderança do presidente no primeiro turno e vantagem em todos os cenários de segundo turno testados

 
Nova pesquisa mostra Lula à frente na corrida presidencial de 2026. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg aponta liderança do presidente no primeiro turno e vantagem em todos os cenários de segundo turno testados

Os números chegaram nesta terça-feira (1º) e rapidamente movimentaram o debate político nacional. A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança da disputa presidencial de 2026, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Em tempos de forte polarização política, pesquisas eleitorais costumam gerar reações apaixonadas. Ainda assim, elas continuam sendo uma das principais ferramentas para medir tendências do eleitorado em determinado momento. Não são previsão de resultado, mas um retrato estatístico do cenário atual.

Lula abre vantagem no primeiro turno

No principal cenário testado pelo levantamento, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto. Em segundo lugar está o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 36,6%. Renan Santos registra 7,8%.

A diferença entre os dois primeiros colocados é de 9,7 pontos percentuais, margem considerada significativa dentro dos parâmetros da pesquisa, cuja margem de erro é de um ponto percentual.

Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (2,9%), Romeu Zema (2%), Joaquim Barbosa (1%), Aécio Neves (0,7%), Samara Martins (0,6%), Augusto Cury (0,5%), Cabo Daciolo (0,3%) e Rui Costa Pimenta (0,1%).

Cenários alternativos mantêm liderança

Em uma simulação com menos candidatos, Lula sobe para 47,2%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36,3%.

Quando Michelle Bolsonaro é apresentada como candidata do PL, Lula aparece com 47,1%. Michelle obtém 19,3%, seguida por Romeu Zema (8,6%), Renan Santos (8,1%) e Ronaldo Caiado (8,1%).

Os números sugerem que o presidente mantém uma posição competitiva independentemente do nome escolhido pela oposição para disputar o Palácio do Planalto.

Segundo turno favorece o presidente

A AtlasIntel/Bloomberg também simulou confrontos diretos de segundo turno.

  • Lula 48,8% x 42,3% Flávio Bolsonaro;
  • Lula 48,2% x 38,5% Romeu Zema;
  • Lula 48,0% x 39,0% Ronaldo Caiado;
  • Lula 49,2% x 28,9% Renan Santos;
  • Lula 48,7% x 38,9% Michelle Bolsonaro.

Em todos os cenários testados, Lula aparece numericamente à frente dos adversários.

O que os números mostram neste momento

Pesquisas eleitorais não definem eleições. Elas registram tendências, humores e preferências do eleitorado dentro de um período específico. A história política brasileira já mostrou campanhas que cresceram, perderam força ou mudaram de rumo ao longo dos meses.

Por isso, especialistas costumam recomendar cautela tanto para quem comemora quanto para quem critica resultados de levantamentos. O dado mais relevante é a fotografia do momento: hoje, segundo a AtlasIntel/Bloomberg, Lula larga em posição de vantagem na disputa presidencial de 2026.

A pesquisa ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. O levantamento possui margem de erro de um ponto percentual, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.

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Cultiva Lab transforma área da Esplanada em laboratório vivo de biodiversidade, ciência e produção de alimentos

Novo espaço do SESI Lab reúne espécies de quatro biomas brasileiros, promove educação ambiental, pesquisa científica e deve produzir toneladas de alimentos destinadas a projetos sociais

 

Cultiva Lab transforma área da Esplanada em laboratório vivo de biodiversidade, ciência e produção de alimentos. Novo espaço do SESI Lab reúne espécies de quatro biomas brasileiros, promove educação ambiental, pesquisa científica e deve produzir toneladas de alimentos destinadas a projetos sociais.
Sesi Lab, museu de arte, ciência e tecnologia em Brasília, implanta sistema agroecológico educativo em sua área externa - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entre os prédios monumentais de Brasília, uma nova paisagem começa a chamar a atenção. Em meio ao concreto da Esplanada dos Ministérios, árvores nativas, plantas alimentícias e sistemas agroflorestais passam a ocupar uma área que foi transformada em um verdadeiro laboratório vivo de sustentabilidade, num pomar urbano.

Inaugurado nesta semana pelo SESI Lab, o Cultiva Lab reúne natureza, ciência, arte e tecnologia em um mesmo espaço. A proposta é aproximar o público da biodiversidade brasileira e demonstrar, na prática, como a regeneração ambiental pode caminhar ao lado da inovação, da pesquisa e da educação.

Quatro biomas em um único espaço

O projeto ocupa uma área externa do museu de arte, ciência e tecnologia SESI Lab e reúne cerca de 340 mudas de aproximadamente 90 espécies nativas distribuídas entre quatro importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga.

O plantio foi planejado para reproduzir as relações naturais encontradas nos ecossistemas, incluindo zonas de transição entre os biomas. Entre as espécies escolhidas estão a sumaúma, o açaí, o guaraná, o ipê, o pequizeiro, o pau-brasil e diferentes espécies de cactos.

Ao lado das árvores também serão cultivados alimentos de ciclo curto, como milho, mandioca, abóbora, hortaliças e ervas medicinais, ampliando a função educativa e produtiva do espaço.

Produção de alimentos com impacto social

Além de servir como ambiente de aprendizado e pesquisa, o Cultiva Lab terá uma função social concreta. A expectativa é que os sistemas agroflorestais produzam entre três e cinco toneladas de alimentos nos dois primeiros anos de funcionamento.

Segundo o SESI Lab, a produção será destinada inicialmente a cerca de dez instituições sociais por ano, unindo sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade social em uma mesma iniciativa.

Agricultura regenerativa no coração de Brasília

O projeto utiliza princípios da agricultura regenerativa, modelo que busca restaurar a saúde do solo e fortalecer os processos naturais dos ecossistemas.

Para isso, o terreno receberá constante enriquecimento com matéria orgânica, favorecendo a retenção de água, o aumento da biodiversidade subterrânea e o desenvolvimento de organismos essenciais para a fertilidade do solo, como fungos, microrganismos e minhocas.

As medições ambientais também farão parte das pesquisas realizadas no local. A estimativa é que o sistema seja capaz de capturar aproximadamente 10 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por ano, gerando dados para estudos sobre regeneração ambiental e agroflorestas urbanas.

Sesi Lab, museu de arte, ciência e tecnologia em Brasília, implanta sistema agroecológico - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Educação, ciência e arte em contato direto com a natureza

O Cultiva Lab, segundo informa a Agência Brasil, foi concebido para funcionar como um espaço vivo de aprendizagem. Estudantes poderão participar de visitas guiadas, oficinas, atividades de observação e até colheitas educativas, acompanhando o desenvolvimento das espécies ao longo do tempo.

Como o sistema continuará crescendo e se transformando nos próximos anos, as atividades também serão constantemente renovadas. A proposta é que cada fase do desenvolvimento das plantas ofereça novas experiências para visitantes, pesquisadores e educadores.

O projeto prevê ainda programas de residência para artistas e pesquisadores, que poderão desenvolver trabalhos relacionados à biodiversidade, captura de carbono, recuperação de áreas degradadas e sistemas agroflorestais.

Um convite à convivência com a natureza

Mais do que uma exposição permanente, o Cultiva Lab pretende provocar reflexão sobre a relação entre cidade, tecnologia e meio ambiente. Em um dos espaços públicos mais simbólicos do país, o projeto aposta na experiência direta com a natureza como ferramenta de conscientização e transformação.

Ao caminhar entre espécies de diferentes regiões do Brasil, os visitantes poderão observar processos ecológicos acontecendo em tempo real — uma lembrança de que a regeneração ambiental não é apenas um conceito debatido em conferências e relatórios, mas algo que pode ser construído, cultivado e compartilhado no cotidiano.

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STF encerra aposentadoria compulsória como punição máxima para juízes e abre debate sobre efeitos em casos antigos

Decisão unânime da Primeira Turma reforça entendimento de que magistrados condenados por faltas graves devem perder o cargo; alcance sobre punições já aplicadas ainda deve gerar discussões jurídicas


© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/ARQUIVO

Há decisões judiciais que mudam procedimentos. Outras mudam símbolos. A tomada nesta semana pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) parece reunir os dois elementos.

Por unanimidade, os ministros mantiveram o entendimento de que a aposentadoria compulsória não pode mais ser aplicada como punição máxima a magistrados condenados por infrações disciplinares graves, como corrupção, venda de sentenças, assédio moral ou assédio sexual. A medida consolida uma mudança histórica em um dos temas mais sensíveis do Judiciário brasileiro.

O que muda na prática

O entendimento liderado pelo ministro Flávio Dino sustenta que a Reforma da Previdência de 2019 retirou o fundamento constitucional para a aposentadoria compulsória como sanção disciplinar.

Segundo a tese acolhida pelo STF, infrações graves devem resultar na perda do cargo. Como juízes possuem garantia constitucional de vitaliciedade, essa destituição dependerá de análise judicial pelo próprio Supremo após provocação da Advocacia-Geral da União (AGU), quando houver decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesse sentido.

Ao defender sua posição, Dino argumentou que não faria sentido transferir para os contribuintes o custo da punição de magistrados condenados por condutas graves. Na avaliação do ministro, a aposentadoria compulsória deixou de cumprir a função de sanção efetiva e passou a representar uma distorção incompatível com o sistema previdenciário atual.

E os juízes já aposentados compulsoriamente?

Essa foi a pergunta que rapidamente passou a circular nos meios jurídicos após a confirmação da decisão. Até o momento, o STF não determinou a revisão automática das aposentadorias compulsórias já aplicadas pelo CNJ ao longo das últimas duas décadas. Em regra, o princípio da segurança jurídica impede que mudanças de entendimento produzam efeitos retroativos automáticos sobre situações já consolidadas.

Por outro lado, o tema está longe de ser encerrado. A própria decisão que deu origem ao novo entendimento surgiu a partir da contestação de uma aposentadoria compulsória específica. Na ocasião, Flávio Dino anulou aquela punição e comunicou o CNJ para avaliar os reflexos da decisão no sistema disciplinar da magistratura.

Na prática, especialistas avaliam que casos individuais poderão voltar a ser discutidos judicialmente, especialmente quando ainda houver recursos pendentes ou questionamentos em tramitação. O que não existe, até agora, é qualquer determinação geral que alcance automaticamente todos os magistrados anteriormente punidos.

Um recado político e institucional

Os números ajudam a dimensionar o impacto da mudança. Desde sua criação, em 2005, o CNJ aplicou 126 penas de aposentadoria compulsória a magistrados em processos disciplinares.

Por muitos anos, a punição foi alvo de críticas de setores da sociedade, que viam contradição no fato de juízes condenados por condutas graves continuarem recebendo remuneração paga pelos cofres públicos após deixarem a função.

A decisão da Primeira Turma não altera apenas um procedimento administrativo. Ela envia um sinal político e institucional sobre a forma como o sistema de Justiça pretende lidar com desvios de conduta dentro da própria magistratura.

Com o julgamento encerrado, a atenção agora se volta para os próximos passos do CNJ, da AGU e do próprio STF. Será nos casos concretos que chegarão à Corte nos próximos meses que se saberá o alcance efetivo da nova interpretação — e se ela permanecerá restrita ao futuro ou abrirá espaço para novas disputas envolvendo punições do passado.

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Gleisi acompanha investimentos em Campo Largo e destaca parceria institucional em favor da população

Deputada federal participou de agenda de entregas e visitas a obras realizadas com recursos da Itaipu Binacional e do Governo Federal; ações reforçam investimentos em saúde, educação, infraestrutura e espaços públicos

 
Deputada federal participou de agenda de entregas e visitas a obras realizadas com recursos da Itaipu Binacional e do Governo Federal; ações reforçam investimentos em saúde, educação, infraestrutura e espaços públicos
Gleisi Hoffmann participou de agenda de acompanhamento de investimentos e obras em Campo Largo ao lado de lideranças municipais e representantes da Itaipu Binacional - Divulgação

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) esteve ontem, terça-feira (30) em Campo Largo. Ela foi acompanhar uma série de entregas, anúncios de investimentos e visitas técnicas a obras realizadas por meio da parceria entre o Governo Federal, a Itaipu Binacional e a Prefeitura de Campo Largo.

A agenda reuniu autoridades municipais, vereadores, secretários, representantes da Itaipu e lideranças políticas da região. Entre os participantes estavam o prefeito Maurício Rivabem, a vice-prefeita Cristiane Chemim, o presidente da Câmara Municipal Alexandre Guimarães, o vereador de Curitiba e presidente do PT Curitiba Ângelo Vanhoni, o vice-presidente do SMC e da Força Sindical do Paraná, Nelsão da Força, além de secretários municipais, vereadores, ex-vereadores e lideranças históricas do município.

Investimentos que chegam à população

Durante a visita, Gleisi acompanhou a entrega de equipamentos e o andamento de investimentos voltados para áreas estratégicas como saúde, educação, mobilidade urbana, infraestrutura, esporte e sustentabilidade.

Entre as ações contempladas estão melhorias para o SAMU, transporte escolar, coleta seletiva, construção de unidades educacionais e de saúde, além de obras de pavimentação e espaços destinados ao esporte e à convivência comunitária.

Praça da Ferraria entra na reta final

A comitiva também visitou a Praça da Ferraria, uma das obras mais aguardadas pela comunidade local. O espaço já conta com seus equipamentos instalados, a nova quadra esportiva está concluída e os trabalhos entram na fase final de acabamento para entrega à população.

A revitalização representa a concretização de uma reivindicação histórica da comunidade e amplia as opções de lazer, esporte e convivência para moradores da região.

Parceria acima das diferenças políticas

“O importante é discutir política pelos resultados que chegam para a população. Quando diferentes esferas de governo trabalham juntas, quem ganha é a comunidade.”

A agenda evidenciou um ambiente de cooperação institucional entre diferentes agentes políticos e administrativos, reforçando a ideia de que os interesses da população devem estar acima das divergências partidárias.

O acompanhamento realizado por Gleisi Hoffmann reforça o compromisso de monitorar a aplicação dos recursos destinados ao município e garantir que os investimentos anunciados se traduzam em melhorias concretas para a população de Campo Largo.



🔗 Veja as imagens e vídeos deste grande dia para Campo Largo e RMC, de entregas do Governo Federal, com o acompanhamento da deputada Gleisi Hoffmann no blog Papo reto com o Nelsão.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Fim da escala 6x1 volta ao centro do debate: “Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão”, diz Boulos

Em entrevista ao Bom Dia, Ministro, titular da Secretaria-Geral da Presidência criticou a demora na tramitação da proposta no Senado e defendeu a redução da jornada como medida de qualidade de vida para os trabalhadores brasileiros

O debate sobre o fim da escala 6x1 voltou a ganhar força nesta terça-feira (30). Em Brasília, uma discussão que parecia caminhar lentamente voltou ao centro das atenções após declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela EBC.

Ao defender a proposta de redução da jornada semanal de trabalho, o ministro afirmou que a mudança representa mais do que uma alteração na legislação trabalhista. Para ele, trata-se de uma questão que afeta diretamente a saúde física, mental e social de milhões de brasileiros.

“Um grito de liberdade para o trabalhador”

Boulos argumentou que o avanço da proposta reflete uma demanda crescente da população por melhores condições de vida e mais tempo para o convívio familiar.

“Estamos falando de dar tempo de descanso para as pessoas. Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão, de garantir que possam ter mais tempo com a sua família.”

Segundo o ministro, não foi por acaso que o tema ganhou espaço no debate público nos últimos meses. Na avaliação dele, a proposta representa uma resposta ao desgaste enfrentado por trabalhadores submetidos a longas jornadas e períodos reduzidos de descanso.

O que prevê a proposta

O texto em discussão no Congresso Nacional propõe reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, ampliando o período de descanso dos trabalhadores sem redução salarial.

De acordo com informações divulgadas pelo governo federal, cerca de 37 milhões de brasileiros poderiam ser beneficiados diretamente pela mudança caso a proposta avance nas etapas legislativas.

Críticas à demora no Senado

Durante a entrevista, Boulos também criticou o ritmo da tramitação da matéria no Senado. O ministro afirmou que uma pauta que, segundo ele, conta com amplo apoio popular não deveria permanecer parada por tanto tempo sem avançar para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Sem economizar nas palavras, ele sugeriu que interesses econômicos estariam influenciando a lentidão do processo e acusou setores empresariais de atuarem contra a proposta.

Segundo o ministro, argumentos de que a redução da jornada provocaria impactos insustentáveis na economia repetem previsões feitas em outros momentos da história trabalhista brasileira que, posteriormente, não se confirmaram.

Debate longe do fim

O tema continua dividindo opiniões. Enquanto sindicatos e movimentos ligados aos trabalhadores defendem a medida como um avanço social, representantes de parte do setor produtivo alertam para possíveis reflexos nos custos das empresas e na geração de empregos.

Independentemente do resultado da votação, o assunto já se consolidou como uma das discussões trabalhistas mais relevantes de 2026. E, ao que tudo indica, seguirá ocupando espaço nas conversas do Congresso, dos locais de trabalho e das redes sociais nos próximos meses.

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Frente fria mantém Sul sob alerta; Paraná tem risco de temporais e Curitiba segue com tempo instável neste último dia de junho

Defesa Civil do Rio Grande do Sul reforça monitoramento diante da previsão de chuva intensa. No Paraná, alertas incluem tempestades, rajadas de vento e possibilidade de granizo em diversas regiões

 
Frente fria mantém Sul sob alerta; Paraná tem risco de temporais e Curitiba segue com tempo instável neste último dia de julho. Defesa Civil do Rio Grande do Sul reforça monitoramento diante da previsão de chuva intensa. No Paraná, alertas incluem tempestades, rajadas de vento e possibilidade de granizo em diversas regiões.

A manhã desta terça-feira (30) começou com céu carregado em boa parte do Sul do Brasil. Em Curitiba, sol entre nuvens. A combinação entre uma frente fria estacionária e o transporte de umidade mantém o cenário de instabilidade sobre os três estados da região, com previsão de chuva forte, temporais e acumulados elevados pelo menos até quarta-feira (1º).

No Rio Grande do Sul, a preocupação maior segue concentrada nas regiões Norte e Noroeste. A Defesa Civil gaúcha emitiu alerta para risco de inundações, enxurradas e tempestades, com volumes de chuva que podem ultrapassar os 130 milímetros em alguns municípios. Há ainda possibilidade de granizo e rajadas de vento próximas de 90 km/h. Equipes estaduais foram mobilizadas preventivamente para apoiar cidades que possam ser afetadas.

No Paraná, a situação também exige atenção. Boletins da Defesa Civil e do Simepar indicam risco de tempestades localizadas, principalmente nas regiões Centro-Sul, Campos Gerais, Sudoeste, Oeste e na Região Metropolitana de Curitiba. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mantém alerta para parte significativa do estado, incluindo a capital, com possibilidade de chuva intensa, ventos entre 60 e 100 km/h e queda de granizo.

Em Curitiba e municípios vizinhos, o tempo permanece instável nesta terça-feira, com períodos de chuva e céu encoberto. A tendência é de manutenção das condições favoráveis a pancadas moderadas a fortes ao longo do dia, embora os maiores volumes devam ocorrer em áreas do Sul e Centro-Sul paranaense.

Para quarta-feira (1º), a frente fria continua influenciando o tempo na Região Sul. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Sul do Paraná permanecem sob risco de temporais acompanhados por descargas elétricas, vento forte e chuva intensa. Já o Norte e o Noroeste paranaense devem registrar períodos de sol entre nuvens e temperaturas mais elevadas, podendo alcançar até 32°C.

O contraste térmico chama atenção. Enquanto áreas da Campanha Gaúcha podem amanhecer com temperaturas próximas de 4°C, o Norte do Paraná segue sob influência de ar mais quente. A diferença ajuda a alimentar as instabilidades que vêm marcando os últimos dias na região Sul.

A recomendação das autoridades é acompanhar os alertas oficiais da Defesa Civil e evitar deslocamentos em áreas sujeitas a alagamentos durante os períodos de chuva mais intensa.

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A política da bolha: como algoritmos e redes sociais estão remodelando a democracia

Estudo revela que jovens brasileiros vivem cada vez mais cercados por bolhas digitais, enquanto especialistas alertam para os efeitos da polarização e da personalização extrema da política

 
A política da bolha: como algoritmos e redes sociais estão remodelando a democracia. Estudo revela que jovens brasileiros vivem cada vez mais cercados por bolhas digitais, enquanto especialistas alertam para os efeitos da polarização e da personalização extrema da política.

Você abre o celular para ver uma notícia. Em poucos minutos, o algoritmo já sabe do que você gosta, do que discorda, quem você segue, quais temas despertam sua indignação e até quais assuntos prefere evitar.

O processo parece natural. Imperceptível, quase invisível. Mas, por trás dessa experiência personalizada, pesquisadores observam uma mudança profunda na forma como a sociedade se relaciona com a política.

O debate público que antes acontecia em sindicatos, associações de bairro, universidades, igrejas, partidos e movimentos sociais migrou para plataformas digitais controladas por algoritmos. E essa transformação tem produzido consequências que vão muito além das telas.

Da praça pública para a linha do tempo

O assunto ganhou atenção internacional após o escândalo envolvendo a Cambridge Analytica, em 2018 a empresa que ficou conhecida pelo uso de dados pessoais para criar campanhas políticas altamente segmentadas. O caso trouxe à tona uma discussão que permanece atual: até que ponto as redes sociais influenciam opiniões, comportamentos e escolhas eleitorais?

Especialistas em comunicação política apontam que a polarização não nasceu com a internet. Conflitos ideológicos sempre existiram. O que mudou foi a capacidade tecnológica de identificar perfis, segmentar mensagens e potencializar emoções em larga escala.

Em vez de falar para milhões de pessoas ao mesmo tempo, campanhas políticas passaram a falar com grupos específicos — e, em alguns casos, com indivíduos específicos.

A geração que nunca conheceu a política sem algoritmos

Uma pesquisa conduzida pela pesquisadora Catharina Vale, da Universidade Católica Portuguesa, divulgada pela Agência Brasil, ajuda a compreender o fenômeno no Brasil.

O estudo ouviu 24 jovens brasileiros entre 21 e 34 anos, faixa etária que representa cerca de 29% do eleitorado nacional. O resultado revelou uma característica marcante: muitos desses jovens praticamente não conheceram a experiência política sem a intermediação das redes sociais.

Segundo a pesquisadora, essa geração demonstra maior vulnerabilidade às transformações provocadas pelos ambientes digitais justamente porque cresceu dentro deles.

O estudo identificou três efeitos recorrentes: isolamento político, personalização das relações políticas e aumento da polarização.

A "curadoria do eu"

Um dos conceitos centrais da pesquisa recebeu o nome de "curadoria do eu". Na prática, trata-se da escolha consciente de evitar determinados conteúdos, opiniões ou debates considerados desgastantes emocionalmente. Os depoimentos dos entrevistados ajudam a entender esse comportamento.

"Brigar cansa", relatou um dos participantes. Outro resumiu a sensação de forma ainda mais direta: "Eu não queria enlouquecer". Para muitos jovens, filtrar conteúdos tornou-se uma estratégia de autoproteção diante do excesso de informações, conflitos permanentes e discussões agressivas que dominam as plataformas digitais.

O problema é que essa proteção individual produz efeitos coletivos. Ao bloquear opiniões divergentes e consumir apenas conteúdos alinhados às próprias convicções, cada pessoa passa a viver em um ambiente cada vez mais homogêneo.

O risco das bolhas digitais

A pesquisa aponta que essa homogeneização reduz o espaço para o contraditório e empobrece o debate público. Em vez de confrontar diferentes perspectivas, os usuários passam a receber versões cada vez mais semelhantes do mundo.

É nesse terreno que a polarização encontra condições ideais para crescer. As plataformas digitais tendem a privilegiar conteúdos capazes de gerar reações emocionais intensas. Indignação, medo, revolta e ressentimento costumam atrair mais atenção do que argumentos equilibrados ou reflexões complexas.

Quanto mais engajamento uma publicação gera, maior tende a ser sua distribuição. O resultado é um ambiente onde opiniões moderadas frequentemente perdem espaço para discursos mais radicais e emocionalmente carregados.

Uma nova forma de fazer política

Outro aspecto observado pela pesquisa é a crescente valorização da figura individual do candidato em detrimento de partidos, programas e trajetórias políticas.

Vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos produzidos para gerar sensação de proximidade criam uma relação direta entre eleitor e liderança política. Nesse modelo, a identidade partidária perde relevância enquanto a comunicação pessoal ganha protagonismo.

Segundo Catharina Vale, essa transformação pode ser observada de forma mais clara no Brasil desde as Jornadas de Junho de 2013, quando manifestações em centenas de cidades coincidiram com a expansão das redes sociais e com a consolidação da chamada web 2.0.

Desde então, os algoritmos passaram a ocupar um papel cada vez mais central na circulação de informações políticas.

O desafio para a democracia

A grande questão colocada pelos pesquisadores não envolve apenas tecnologia. Trata-se de compreender como uma democracia funciona quando cada cidadão recebe uma versão diferente e personalizada da realidade.

As redes sociais ampliaram vozes, democratizaram o acesso à informação e permitiram novas formas de participação pública. Ao mesmo tempo, criaram mecanismos que favorecem bolhas, segmentação e conflitos permanentes.

Entre a liberdade de escolha e o isolamento informacional, surge um dos grandes desafios do século XXI. Porque, no fim das contas, a democracia saudável depende justamente daquilo que os algoritmos tendem a reduzir: o encontro entre pessoas que pensam diferente.

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Brasil avança e Paraguai derruba a Alemanha

Classificação brasileira às oitavas de final vem acompanhada de alívio, preocupação com cartões e lesões, enquanto o Paraguai surpreende o mundo com um elenco que tem forte ligação com o futebol do Brasil

Brasil avança e Paraguai derruba a Alemanha. Classificação brasileira às oitavas de final vem acompanhada de alívio, preocupação com cartões e lesões, enquanto o Paraguai surpreende o mundo com um elenco que tem forte ligação com o futebol do Brasil.

A chuva cai fina sobre Curitiba. Nos bares da Alameda Prudente de Morais, onde as reservas costumam ser feitas dias antes de cada partida da Seleção, o clima desta segunda-feira misturou comemoração e apreensão.

O Brasil venceu o Japão, garantiu presença nas oitavas de final da Copa do Mundo FIFA 2026 e segue vivo na busca pelo hexacampeonato. Mas a sensação deixada pela partida foi diferente daquela euforia tranquila que costuma acompanhar uma classificação.

Foi uma vitória conquistada com sofrimento.

E o próprio Carlo Ancelotti não escondeu isso após o jogo. O treinador destacou a capacidade da equipe de suportar a pressão nos momentos mais difíceis da partida, valorizando a maturidade do grupo para reagir diante das adversidades e encontrar o caminho da classificação.

O resultado trouxe alívio ao elenco e à torcida, mas também abriu novas preocupações para a sequência da competição. Nos bastidores, o departamento médico monitora o desgaste físico provocado pela intensidade do confronto. A comissão técnica avalia a recuperação dos atletas antes da definição da equipe que entrará em campo nas oitavas de final.

Também existe atenção especial à situação disciplinar. Jogadores que acumulam cartões amarelos já começam a fase mata-mata sob risco de suspensão, cenário que exige cautela em uma fase onde qualquer ausência pode ser decisiva.

Uma zebra com sotaque brasileiro

Horas depois da classificação brasileira, a Copa produziu um dos resultados mais surpreendentes desta edição. O Paraguai eliminou a Alemanha em uma disputa dramática por pênaltis e avançou às oitavas de final, protagonizando uma das maiores zebras do torneio até aqui.

O detalhe que chama atenção é que parte importante da seleção paraguaia atua justamente no futebol brasileiro.

São jogadores que defendem clubes do país, disputam competições nacionais e foram desenvolvidos em um ambiente competitivo reconhecido internacionalmente. O feito paraguaio acaba funcionando como uma demonstração indireta da influência exercida pelo futebol brasileiro muito além das fronteiras da Seleção.

Enquanto o Brasil segue carregando o peso histórico de favorito, atletas que atuam em gramados brasileiros ajudam outras seleções sul-americanas a desafiar algumas das maiores potências do planeta. É o futebol arte brasileiro conquistando o mundo.

O mata-mata começou pra valer

A Copa de 2026 entrou em sua fase mais imprevisível, e para muitas torcidas, cruel. Não há mais margem para erros. Não existem adversários simples. E cada partida passa a ter o peso de uma decisão.

O Brasil avançou.

Mas a classificação diante do Japão deixou uma mensagem clara para os próximos desafios: talento continua sendo indispensável, porém, nesta Copa, saber sofrer pode ser tão importante quanto saber jogar. O alívio vem com a vitória.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Em Curitiba, bares viram arquibancadas e torcida vive mistura de alívio e expectativa com avanço do Brasil

Na tradicional Alameda Prudente de Morais, reservas se esgotam antes das partidas e torcedores voltam a sonhar com uma campanha longa da Seleção na Copa do Mundo

Em Curitiba, bares viram arquibancadas e torcida vive mistura de alívio e expectativa com avanço do Brasil. Na tradicional Alameda Prudente de Morais, reservas se esgotam antes das partidas e torcedores voltam a sonhar com uma campanha longa da Seleção na Copa do Mundo.

O apito final trouxe um sentimento difícil de explicar em poucas palavras. Não era exatamente euforia. Também não era apenas alívio. Era uma mistura das duas coisas.

Na Alameda Prudente de Morais, em Curitiba, onde bares e restaurantes já se consolidaram como ponto de encontro para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira, o clima nesta segunda-feira foi de tensão crescente até os minutos finais. A cada ataque, o silêncio tomava conta das mesas. A cada chance desperdiçada, surgiam mãos na cabeça, olhares apreensivos e pedidos de calma que ninguém parecia disposto a ouvir.

Quando veio a virada brasileira, os gritos explodiram quase ao mesmo tempo em toda a rua. Copos erguidos, abraços entre desconhecidos e uma sensação coletiva de que o país havia escapado de um susto daqueles que costumam marcar Copas do Mundo.

O Brasil venceu o Japão por 2 a 1, de virada, garantindo presença na próxima fase do torneio. A classificação veio depois de um início complicado, com a seleção japonesa abrindo o placar e aumentando a apreensão entre os torcedores brasileiros. A reação no segundo tempo trouxe o resultado que a torcida esperava e manteve vivo o sonho do hexacampeonato. 0

Uma rua que virou tradição de Copa

Na capital paranaense, poucos lugares traduzem tão bem o clima dos grandes jogos quanto a Prudente de Morais. A via, conhecida pela concentração de bares, restaurantes e casas noturnas, vem registrando lotação constante durante a Copa.

Reservas têm sido feitas dias antes das partidas, repetindo um fenômeno que costuma ocorrer apenas em finais de campeonato ou em momentos decisivos do futebol brasileiro. Em dias de jogo da Seleção, a rua ganha outra identidade. As mesas se transformam em arquibancadas improvisadas, os garçons dividem espaço com torcedores vestindo amarelo e até quem passa apenas por curiosidade acaba sendo puxado para o clima coletivo.

Não é apenas sobre futebol. É sobre compartilhar emoções em público. Sobre vibrar com desconhecidos. Sobre experimentar aquela rara sensação de que uma cidade inteira está acompanhando a mesma história ao mesmo tempo.

Após o alívio, volta a tensão

Se a classificação trouxe comemoração, ela também trouxe um efeito colateral inevitável: a ansiedade pelo próximo desafio.

Em torneios de mata-mata, cada vitória resolve um problema e cria outro. O medo da eliminação desaparece por algumas horas, mas logo dá lugar à preocupação com o próximo adversário.

Nas mesas da Prudente de Morais, o assunto mudou rapidamente depois do apito final. Já não se discutia mais a vitória sobre o Japão. As conversas migraram para projeções, possíveis confrontos e chances reais de o Brasil chegar às fases decisivas.

A seleção segue avançando. E enquanto avança, cresce também a expectativa de uma torcida que há décadas aprendeu que Copa do Mundo é um exercício permanente de esperança e nervosismo.

Por enquanto, o Brasil continua vivo. E isso basta para manter acesas as televisões dos bares, lotadas as reservas dos restaurantes e ocupadas as mesas da Prudente de Morais.

O próximo jogo ainda está por vir. A tensão também. Mas nesta noite, pelo menos em Curitiba, o sentimento predominante foi de alívio. O sonho de acrescentar mais uma estrela ao brasão da Seleção Brasileira de Futebol, continua. Pra frente Brasil!

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Falha de San Andreas acumula tensão rara e reacende debate sobre risco sísmico na Califórnia

Estudo analisou mil anos de atividade geológica, e aponta níveis elevados de tensão em uma área estratégica do sistema de falhas, mas cientistas destacam que não há como prever quando ocorrerá um grande terremoto

 
Falha de San Andreas acumula tensão rara e reacende debate sobre risco sísmico na Califórnia. Estudo analisou mil anos de atividade geológica, e aponta níveis elevados de tensão em uma área estratégica do sistema de falhas, mas cientistas destacam que não há como prever quando ocorrerá um grande terremoto

O chão parece imóvel. As estradas seguem movimentadas, os bairros crescem e a rotina corre normalmente no sul da Califórnia. Mas, quilômetros abaixo da superfície, forças geológicas continuam trabalhando em silêncio.

Um estudo publicado recentemente por pesquisadores ligados ao Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e a universidades americanas trouxe de volta aos holofotes uma das estruturas geológicas mais observadas do planeta: a falha de San Andreas. A pesquisa indica que partes do sistema acumulam atualmente níveis de tensão tectônica consideradas incomuns quando comparadas aos registros dos últimos mil anos.

A descoberta não significa que um terremoto esteja prestes a acontecer. Tampouco permite prever datas. Mas ajuda a compreender melhor como a energia se acumula sob uma das regiões mais populosas dos Estados Unidos.

O que os cientistas encontraram

Os pesquisadores analisaram cerca de mil anos de histórico sísmico utilizando registros geológicos e modelos computacionais avançados para reconstruir a evolução das tensões subterrâneas ao longo do tempo.

O foco principal foi uma área conhecida como Cajon Pass, localizada entre as montanhas do sul da Califórnia. A região funciona como um ponto de conexão entre duas importantes falhas geológicas: San Andreas e San Jacinto.

Segundo os autores do estudo, esse trecho pode atuar como uma espécie de "portal sísmico", influenciando a capacidade de uma ruptura iniciada em uma falha se propagar para outra.

Na prática, isso significa que determinados terremotos poderiam ganhar alcance maior caso consigam atravessar essa ligação geológica.

A ciência ainda não prevê terremotos

Embora os resultados tenham chamado atenção, os próprios pesquisadores fazem questão de afastar interpretações alarmistas.

A ciência moderna consegue identificar áreas de maior risco e medir o acúmulo de tensões geológicas, mas ainda não possui tecnologia capaz de prever com precisão quando ocorrerá um terremoto.

O estudo não afirma que um grande abalo seja iminente. O que ele mostra é que alguns segmentos do sistema de falhas apresentam um estado de carregamento tectônico elevado, algo que merece monitoramento constante.

Para especialistas, compreender esse processo é fundamental para aperfeiçoar modelos de risco, planos de emergência e normas de construção em regiões sujeitas à atividade sísmica.

Milhões vivem sobre uma zona de risco

A preocupação dos cientistas não se limita ao aspecto geológico.

Caso uma futura ruptura consiga atravessar o Cajon Pass e conectar diferentes segmentos das falhas, áreas densamente povoadas poderão sentir os efeitos de forma significativa. Entre elas estão Los Angeles, San Bernardino, Riverside e o Vale de Coachella.

São regiões que concentram milhões de habitantes, infraestrutura crítica, rodovias, redes de energia e importantes centros econômicos.

Por isso, mesmo sem qualquer previsão de curto prazo, pesquisas como essa são acompanhadas de perto por autoridades e órgãos de monitoramento.

Um lembrete da força da Terra

A falha de San Andreas é frequentemente retratada em filmes de desastre, mas sua importância vai muito além da ficção.

Ela representa um dos maiores laboratórios naturais do mundo para o estudo dos terremotos. E cada nova descoberta ajuda os cientistas a entender melhor como a energia se acumula e se libera nas profundezas do planeta.

Por enquanto, não há motivo para pânico. O que existe é mais uma peça importante em um quebra-cabeça geológico que a ciência tenta montar há décadas — um esforço contínuo para compreender uma força da natureza que continua impossível de controlar e, principalmente, de prever.

Fonte: Journal of Geophysical Research: Solid Earth, USGS e University of Hawaiʻi.

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Gaeco faz operação contra presidente da Câmara de Curitiba, com apreensão de documentos, eletrônicos e dinheiro em espécie

Investigação apura suspeitas de rachadinha e possível venda de cargos públicos; até o início da tarde não havia registro de prisões

Gaeco faz operação contra presidente da Câmara de Curitiba, com apreensão de documentos, eletrônicos e dinheiro em espécie. Investigação apura suspeitas de rachadinha e possível venda de cargos públicos; até o início da tarde não havia registro de prisões

O movimento começou cedo. Antes mesmo de Curitiba entrar no ritmo habitual de uma segunda-feira, viaturas do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) já circulavam por endereços ligados ao presidente da Câmara Municipal, Tico Kuzma (PSD).

A operação, batizada de Prática Corrente, colocou o vereador no centro de uma investigação que apura suspeitas de rachadinha e possível comercialização de cargos públicos. Ao longo da manhã, agentes cumpriram mandados autorizados pela Justiça e recolheram materiais que agora passarão por perícia e análise do Ministério Público do Paraná (MPPR).

O caso dominou rapidamente o debate político, não só na capital paranaense, mas de todo o estado e trouxe novo desgaste não apenas à imagem do Legislativo curitibano, que nos últimos meses vem enfrentando mais forte mesmo veneno, denúncias de rachadinha, casos de corrupção. É assaz lembrar que o PSD é o mesmo partido do prefeito de Curitiba, é o partido do governador do Paraná.

O que aconteceu nesta segunda-feira

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Curitiba. Entre os alvos estavam o gabinete do presidente da Câmara e outros endereços relacionados aos investigados.

Até o fechamento deste levantamento, não havia informação sobre prisões ou medidas de afastamento. A ação teve como foco principal a coleta de provas para subsidiar o avanço das investigações.

Durante as diligências, os agentes apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos e uma quantia em dinheiro vivo. O valor encontrado não havia sido oficialmente divulgado até o início da tarde, mas fontes dizem que seria algo em torno de 37 mil reais.

O que está sendo investigado

A principal linha de apuração envolve a suspeita de prática de rachadinha — quando servidores ou assessores são obrigados a devolver parte dos salários a agentes políticos — além da possível negociação de cargos dentro da estrutura pública.

Nesta fase, o Ministério Público busca reunir elementos para verificar se houve ou não a existência de um esquema organizado envolvendo a ocupação de funções públicas e a movimentação de recursos provenientes desses cargos.

Por enquanto, não existe denúncia formal apresentada à Justiça nem qualquer condenação relacionada ao caso. O procedimento permanece em fase de investigação.

A posição da Câmara e de Tico Kuzma

Em nota, a Câmara Municipal informou que colaborou com o trabalho dos agentes e permitiu o acesso às dependências do Legislativo. A instituição afirmou ainda que aguarda mais informações sobre os desdobramentos da operação.

Tico Kuzma também se manifestou durante a manhã. O vereador declarou que pretende colaborar com as autoridades e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos. Em sua manifestação, disse ainda que construiu sua trajetória política pautada pela legalidade e pela transparência.

Quem é o presidente da Câmara

Vereador há seis mandatos consecutivos, Tico Kuzma ocupa atualmente a presidência da Câmara Municipal de Curitiba no biênio 2025-2026. Figura influente nos bastidores da política curitibana, ele já exerceu anteriormente o comando da Casa e foi líder do governo municipal durante a gestão do ex-prefeito Rafael Greca.

Momento delicado para a política local

A operação desta segunda-feira ocorre em um contexto de crescente vigilância sobre o uso de recursos públicos e a atuação de agentes políticos. O tema das rachadinhas, que ganhou projeção nacional nos últimos anos, voltou a ocupar espaço nas manchetes locais e tende a aumentar a pressão por transparência dentro do Legislativo municipal.

Também chama atenção o fato de esta não ser a primeira investigação recente envolvendo integrantes da Câmara de Curitiba. Em maio, outra operação do Gaeco já havia alcançado um vereador da capital em apuração relacionada ao mesmo tipo de suspeita.

Balanço da operação até meio-dia

  • 13 mandados de busca e apreensão cumpridos;
  • Gabinete da Presidência da Câmara entre os alvos;
  • Documentos e equipamentos eletrônicos recolhidos;
  • Dinheiro em espécie apreendido;
  • Nenhuma prisão anunciada até o momento;
  • Investigação apura suspeitas de rachadinha e venda de cargos públicos;
  • Câmara Municipal e vereador afirmam que irão colaborar com as investigações.

O próximo passo agora depende da análise do material apreendido. É desse trabalho técnico que deverão surgir as respostas para uma pergunta que passa a ecoar nos bastidores da política curitibana: os indícios encontrados nesta manhã serão suficientes para transformar a investigação em denúncia formal?

Qual será a resposta do legislativo municipal após a segunda denúncia, do mesmo crime, no mesmo ano? 2026 é um ano eleitoral. As respostas a essas perguntas, o resultado das investigações, certamente vão ajudar a definir o resultado das eleições estaduais que se aproximam. Curitiba tem o maior colégio eleitoral do Estado. Curitiba tem mais 1,3 milhão de eleitores, de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

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domingo, 28 de junho de 2026

'Tribo dos paranaguaras': Requião Filho aproveita gafe de Moro e transforma litoral em sala de aula política

Deputado percorre pontos históricos de Paranaguá para rebater confusão do senador e reforçar identidade cultural do litoral paranaense

 
Deputado percorre pontos históricos de Paranaguá para rebater confusão do senador e reforçar identidade cultural do litoral paranaense. 'Tribo dos paranaguaras': Requião Filho aproveita gafe de Moro e transforma litoral em sala de aula política

O caminho para o litoral do Paraná costuma oferecer uma das paisagens mais bonitas do estado. A Serra do Mar surge entre curvas, neblina e Mata Atlântica preservada. Foi justamente nesse cenário que o deputado estadual Requião Filho (PDT) decidiu gravar uma resposta bem-humorada — e carregada de referências históricas — ao senador Sérgio Moro (PL), após a repercussão de uma declaração que viralizou nas redes sociais.

A polêmica começou quando Moro, durante uma entrevista em Paranaguá, confundiu o termo "parnanguaras" — gentílico usado para designar os moradores da cidade — com uma suposta tribo indígena. O episódio rapidamente se espalhou pelas redes sociais, gerando memes, críticas e questionamentos sobre o conhecimento do senador a respeito da história e da geografia do Paraná.

Aproveitando a repercussão, Requião Filho publicou um vídeo em suas redes sociais transformando o litoral em uma espécie de sala de aula ao ar livre.

"Estou indo ali visitar a tribo dos paranaguaras, também conhecida como a cidade de Paranaguá", ironiza o deputado logo no início da gravação, diante de uma placa rodoviária que indica o acesso ao litoral.

Ao longo do vídeo, Requião percorre diferentes pontos da região enquanto apresenta informações históricas e geográficas. Em um dos trechos, lembra que Morretes e Antonina são municípios distintos, em referência à confusão protagonizada pelo senador durante sua passagem pelo litoral.

A aula continua já em Paranaguá.

"Chegamos à tribo dos paranaguaras, a cidade de Paranaguá. Fundada em 29 de julho de 1648. A cidade mais antiga do estado."

O deputado também relembra aspectos da formação histórica do litoral, citando a ocupação dos povos sambaquieiros, a presença dos indígenas carijós, de matriz tupi-guarani, e a origem da cultura caiçara que marca a identidade da região até os dias atuais.

Em outro momento, Requião faz questão de diferenciar a cidade de Paranaguá das aldeias indígenas existentes na região.

"Quer ver um povoado indígena? Pega um barco e vai até a Ilha da Cotinga. Lá tem a aldeia Pindoty", explica.

O vídeo ainda passa por referências à Ilha do Mel, à Estrada da Graciosa, à comunidade de Alexandra e à rodovia Alexandra-Matinhos, ironizando o adversário, que parece conhecer muito pouco do Estado do qual quer ser governador.

Mas a mensagem principal aparece nos minutos finais da gravação.

"O povo caiçara, o povo de Paranaguá, é um povo orgulhoso, trabalhador e forte, que ajudou a escrever a história do estado do Paraná", afirmou o deputado.

Ao encerrar a publicação, Requião Filho direciona uma crítica direta ao adversário político.

"Sérgio, se você não estivesse tão preocupado com São Paulo, talvez conhecesse melhor a história do nosso estado."

A cidade onde o Paraná começou

Mais do que uma troca de farpas entre adversários, a controvérsia acabou recolocando Paranaguá no centro do debate público.

Fundada em meados do século XVII, a cidade é considerada o berço histórico do Paraná e abriga o Porto de Paranaguá, responsável por uma das mais importantes estruturas logísticas do país. O complexo portuário movimenta milhões de toneladas de cargas por ano e é peça estratégica para o agronegócio brasileiro.

A repercussão também evidenciou um sentimento comum entre moradores do litoral: o orgulho da identidade caiçara e da contribuição histórica da região para a formação do estado.

Se a intenção inicial era discutir infraestrutura portuária, o debate acabou tomando outro rumo. Nos últimos dias, a palavra "parnanguara" saiu dos dicionários, livros de história e geografia, para ganhar as redes sociais, transformando uma gafe política numa inesperada aula sobre as origens do povo do Paraná.

Para o Sulpost ficou uma dúvida: se perguntarem ao senador sobre os Capelistas. Será que ele vai pensar que se trata de uma congregação religiosa?

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sábado, 27 de junho de 2026

Três dias após terremotos na Venezuela contagem do número de mortos passa de 1,4 mil - socorro internacional se intensifica

ONU alerta que as próximas horas podem definir o destino de milhares de pessoas ainda desaparecidas sob os escombros; Brasil está entre os países que ofereceram ajuda humanitária e equipes de resgate

 Equipes de resgate vasculham os escombros de um prédio que desabou em um subúrbio de Caracas após o terremoto na Venezuela - Foto: Ocha/Luisana Solano (Reprodução/ONU)

O silêncio que paira sobre os escombros de La Guaira é hoje um dos sons mais temidos da Venezuela. Em meio a montanhas de concreto retorcido e escombros, equipes de resgate trabalham contra o relógio em uma corrida desesperada para encontrar sobreviventes dos dois terremotos que devastaram parte do país na última quarta-feira (24). A cada hora que passa, diminuem as chances de localizar pessoas com vida sob prédios desabados. Ainda assim, socorristas seguem escutando, chamando e removendo destroços na esperança de ouvir uma resposta.

O balanço mais recente divulgado pelas autoridades venezuelanas aponta pelo menos 1.430 mortos e 3.238 feridos. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que até 50 mil pessoas possam estar desaparecidas, embora esse número inclua casos de pessoas ainda sem contato com familiares devido ao colapso das comunicações e da infraestrutura.

A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou neste sábado (27) que o foco absoluto do governo é encontrar sobreviventes.

"O mais estratégico neste momento é resgatar as pessoas que ainda estão vivas. Essa é a nossa prioridade", declarou.

Segundo ela, mais de 430 réplicas já foram registradas desde os tremores principais, aumentando os riscos para moradores e equipes de emergência.

O dia mais importante do resgate

A ONU considera este sábado um momento crucial para as operações de busca. Tom Fletcher, secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários da organização, afirmou que as equipes trabalham guiadas pelos sinais de vida vindos dos escombros.

"Somos alertados minuto a minuto, hora a hora, pelo som dos sobreviventes sob os escombros. O pior é quando essas vozes se calam", disse à BBC.

As estimativas da ONU indicam que cerca de sete milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos, considerados os mais destrutivos registrados na Venezuela em mais de um século.

Histórias de sobrevivência ainda surgem em meio à tragédia. Um bebê recém-nascido foi retirado com vida dos escombros e devolvido à família sob aplausos dos socorristas. Em outro ponto da área devastada, parentes continuam escavando manualmente os restos de um edifício na tentativa de localizar um homem de 31 anos que ainda apresentava sinais de vida horas atrás.

Ajuda internacional supera diferenças políticas

Enquanto as buscas continuam, uma ampla mobilização internacional tenta chegar rapidamente às regiões atingidas.

Segundo a ONU, quase dois mil socorristas estrangeiros já desembarcaram na Venezuela, acompanhados de 39 equipes especializadas e 111 cães farejadores. Grupos de resgate vieram de países da Europa, dos Estados Unidos, da Rússia, da Ucrânia e de diversas nações do Oriente Médio.

O Brasil também ofereceu apoio humanitário e colocou equipes especializadas à disposição das autoridades venezuelanas, juntando-se a uma rede internacional de ajuda que inclui envio de profissionais de resgate, equipamentos, medicamentos, água potável e assistência emergencial.

Em uma das raras ocasiões em que disputas diplomáticas ficam em segundo plano, Fletcher destacou que a resposta internacional tem sido marcada pela cooperação.

"A política fica totalmente em segundo plano neste momento", resumiu.

O desafio agora é fazer com que a ajuda chegue rapidamente às áreas mais afetadas. Estradas bloqueadas, prédios instáveis e danos severos à infraestrutura dificultam o deslocamento das equipes. Em alguns locais, socorristas têm recorrido a motocicletas para acessar regiões onde ambulâncias não conseguem passar.

Sistema de saúde sob pressão

Os hospitais que permaneceram de pé operam acima da capacidade. Muitos feridos estão sendo atendidos em estruturas improvisadas montadas às pressas pelo governo e por organizações humanitárias.

Profissionais de saúde ouvidos pela imprensa internacional relatam que o sistema já enfrentava dificuldades antes da tragédia, cenário que agora se agravou diante do elevado número de vítimas.

O estado de emergência continua em vigor. Aeroportos, linhas ferroviárias e parte do transporte público seguem com operações suspensas ou restritas.

Brasileiros entre as vítimas

O governo brasileiro confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros nos terremotos. O Itamaraty informou que presta assistência consular às famílias e não divulgou detalhes pessoais das vítimas.

Também foram registradas mortes de cidadãos de Portugal, China, Espanha e Itália, refletindo a dimensão internacional da tragédia.

Como ocorreu o desastre

Os terremotos aconteceram com apenas 39 segundos de intervalo.

O primeiro tremor, de magnitude 7,2, teve epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy. Logo em seguida, um segundo terremoto ainda mais forte, de magnitude 7,5, atingiu a região próxima a Yumare.

Além da elevada magnitude, os dois abalos ocorreram a menos de 30 quilômetros de profundidade, característica que potencializa a destruição na superfície.

Os tremores foram sentidos inclusive no Norte do Brasil, especialmente nos estados de Roraima, Amazonas, Pará e Amapá, sem registro de danos significativos.

Agora, enquanto milhares de famílias aguardam notícias de parentes desaparecidos, o país vive uma contagem regressiva angustiante. Nas próximas horas, cada voz ouvida sob os escombros poderá representar mais uma vida salva — e cada minuto fará diferença.

Paranaguá recebe R$ 2,5 milhões para consultas, exames e cirurgias e reforça atendimento pelo SUS

Recurso liberado pelo Governo do Paraná será destinado exclusivamente à saúde especializada e pode ajudar a reduzir filas de espera na rede municipal

Paranaguá recebe R$ 2,5 milhões para consultas, exames e cirurgias e reforça atendimento pelo SUS
Imagem: Prefeitura de Paranaguá 

Para quem aguarda uma consulta com especialista, um exame mais complexo, uma pequena cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a notícia pode representar um alívio. Paranaguá acaba de garantir R$ 2,5 milhões para reforçar os atendimentos de saúde no município, dentro de um pacote estadual que distribuiu R$ 202,1 milhões aos 399 municípios paranaenses.

O anúncio foi formalizado no Palácio Iguaçu, em Curitiba, e os recursos foram transferidos em parcela única do Fundo Estadual de Saúde diretamente para o Fundo Municipal de Saúde de Paranaguá.

Segundo as diretrizes estabelecidas pelo Governo do Estado, o dinheiro deverá ser utilizado exclusivamente para fortalecer os serviços de média e alta complexidade ambulatorial, ampliando a oferta de consultas especializadas, exames e pequenas cirurgias. Os recursos não poderão ser usados para despesas administrativas, pagamento de pessoal, obras ou aquisição de equipamentos.

Os municípios têm autorização para aplicar a verba tanto na rede própria quanto por meio de prestadores credenciados ao SUS e consórcios intermunicipais de saúde.

Em publicação nas redes sociais, o prefeito Adriano Ramos comemorou a conquista e destacou o impacto esperado para a população.

“Mais uma conquista para Paranaguá! Ontem estive no Palácio Iguaçu para um importante anúncio do Governo do Estado. Graças a essa parceria, Paranaguá garantiu R$ 2,5 milhões para fortalecer a saúde do nosso município. Esse recurso será investido em consultas com especialistas, exames e pequenas cirurgias, ampliando os atendimentos do SUS e proporcionando mais agilidade e qualidade no cuidado com a nossa população.”

A fala do prefeito sintetiza a expectativa criada em torno do investimento: transformar recursos em atendimento efetivo para a população. Em cidades de médio porte, a maior dificuldade costuma estar justamente no acesso aos serviços especializados, onde se concentram boa parte das filas do sistema público.

Embora não pertença ao campo progressista, Adriano Ramos (Patriotas) vem conquistando reconhecimento entre diferentes setores da sociedade local, inclusive entre os mais vulneráveis, pela condução de sua gestão. Em Paranaguá, muitos moradores avaliam que o município vive um momento de reorganização administrativa e de retomada de investimentos em áreas consideradas estratégicas.

No caso da saúde, a expectativa agora é que o recurso seja convertido em mais consultas, exames e procedimentos realizados, reduzindo o tempo de espera dos cidadãos de Paranaguá e ampliando a capacidade de resposta da rede municipal.

Mais do que um anúncio financeiro, o repasse representa uma oportunidade concreta de melhorar a vida de quem depende exclusivamente do SUS. Para muitas famílias, significa a possibilidade de antecipar um diagnóstico, iniciar um tratamento ou finalmente realizar um procedimento aguardado há meses.

Os próximos meses deverão mostrar o impacto prático da medida. O desafio da gestão municipal será garantir que o investimento chegue rapidamente à ponta do sistema e se transforme em resultados visíveis para os Parnanguaras.

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