23.8.26

Nota à Imprensa da candidata ao Senado Gleisi Hoffmann

Nota à imprensa

Deltan mente e desinforma eleitores ao impulsionar conteúdo afirmando que está elegível

Curitiba, 22 de agosto de 2026
 
 
A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann respondeu neste sábado (22) a um vídeo divulgado pelo candidato Deltan Dallagnol, com impulsionamento nas redes sociais, no qual afirma que o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) atesta sua elegibilidade.

Segundo Gleisi, ao divulgar o vídeo, Dallagnol demonstrou “má-fé e desrespeito com os eleitores do Paraná”.

Deltan divulgou um vídeo afirmando que estamos ‘chorando’ quando dizemos que ele está inelegível. Como impulsionou o conteúdo, pagando para o vídeo circular, fazendo propaganda enganosa, a resposta é necessária. Lamentamos que, com sua falta de caráter, continue mentindo, tentando enganar o povo, dizendo que o MPE confirmou que está elegível. Trata-se de uma mentira. Uma dupla mentira.

Primeiro, o MPE não confirma, o órgão emite parecer, opina. O MPE opinou pela elegibilidade, emitiu um parecer como fez em 2022, e depois o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu mandato porque era ficha suja, estava inelegível, e não poderia ter sido candidato.

Segunda mentira: afirmar que parecer do MPE confirma a elegibilidade. Deltan sabe que isso não é verdade, justamente por ter sido do Ministério Público. Quantas vezes um parecer do Ministério Público foi desconsiderado pelos julgadores?

Ao divulgar uma notícia enganosa, Deltan demonstra falta de caráter, má fé e desrespeito com os eleitores do Paraná. Esperamos que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná cumpra seu papel e julgue o mais rápido possível o caso da candidatura de Deltan Dallagnol. O processo está pronto para o julgamento. Retardar isso é comprometer o processo eleitoral.

Nota à imprensa

Curitiba, 22 de agosto de 2026


Comunicação à imprensa: GLEISI
REPRODUÇÃO: BLOG SULPOST

22.8.26

ACFF Sub-15 goleia Prodhae por 11 x 3 em Itaperuçu

Time de Campo Largo mostrou força no ataque, jogou bem e venceu fácil, de goleada, o Prodhae, em Itaperuçu 

 
Time de Campo Largo mostrou força no ataque, mas foi na defesa que surgiu o grande destaque da partida: o goleiro Ian
ACFF vence Prodhae por 11 X 3, em Itaperuçu - Imagens: Nelsão

A tarde deste sábado (22) foi de muita bola na rede e também de grandes defesas para a ACFF (Associação Campolarguense de Futebol e Futsal). Em Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba, a equipe Sub-15 venceu a Prodhae por 11 x 3, em uma partida que mostrou a força dos meninos de Campo Largo.

Se o placar chama a atenção pelo número de gols, quem acompanhou a partida também teve outro motivo para comemorar. O time jogou unido e buscou a vitória merecida pela atuação dos jogadores. Com um ataque incrível e defesas difíceis para a zaga e meta, a piazada jogou com segurança e a equipe venceu de goleada.

Os alas foram bem armados e aproveitaram bastante os contra-ataques, quando a Prodhae tentou reagir. A atuação rendeu elogios e fez da meta campo-larguense uma verdadeira máquina de fazer gols.

Equipe entrou concentrada

A ACFF contou com Kauan, Davi, Lucca, Chemin, Ian, Felipe, Richard, Gustavo, Leonardo e Arthur. A escalação reuniu jogadores de diferentes posições e mostrou a versatilidade do elenco.

Kauan, Davi, Lucca e Leonardo atuaram pelas alas; Chemin e Richard foram as opções para o pivô; Gustavo e Arthur ficaram na função de fixos; enquanto Ian e Felipe defenderam a meta da equipe.

Com a bola rolando, a equipe campo-larguense encontrou o caminho do gol e foi aumentando a vantagem. Ao mesmo tempo, quando precisou se defender, contou com a segurança dos goleiros para manter o controle da partida.

Um projeto que vem crescendo

A vitória também representa mais um capítulo do trabalho que vem sendo desenvolvido pela ACFF nas categorias de base. Criada há cerca de três anos, a associação surgiu com a proposta de trabalhar a formação de jovens atletas, oferecendo oportunidades no futebol e no futsal e aliando o desenvolvimento esportivo ao aspecto social.

Ao longo desse período, a ACFF vem ampliando sua participação em competições e conquistando espaço no futsal de base. O projeto já conta com equipes disputando competições oficiais e vem ajudando a revelar jogadores de Campo Largo e região.

Em 2025, a associação também recebeu o reconhecimento de utilidade pública municipal, reforçando a importância do trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes por meio do esporte.

É dentro dessa proposta de formação que aparecem histórias como a de Ian. Enquanto a equipe cresce e busca resultados dentro das quadras, jovens atletas ganham experiência, confiança e a oportunidade de mostrar seu talento.

E, em Itaperuçu, Ian aproveitou muito bem a oportunidade. Com o ataque marcando 11 vezes e o goleiro fazendo a diferença quando foi exigido, a ACFF saiu de quadra com uma vitória expressiva e mais uma boa atuação para colocar na conta.

ACFF 11 x 3 Prodhae. Uma goleada construída com gols, organização, talento e confiança inabaláveis da garotada campolarguense, um time completo, entrosado e goleador.



Meta Glasses - Os Borgs estão chegando: resistir é inútil?

Dos “óculos da discórdia” à inteligência artificial, a tecnologia avança sobre a vida cotidiana. A questão já não é apenas o que as máquinas podem fazer, mas quais limites nós, como sociedade, estamos dispostos a impor a elas


“Resistir é inútil. Vocês serão assimilados.”

A frase dos Borgs, em Jornada nas Estrelas, foi criada para um universo de ficção científica. Mas, olhando para o mundo de hoje, ela começa a ganhar um sentido quase desconfortavelmente real.

Os chamados “óculos da discórdia”, como vêm sendo apelidados os Meta Ray-Ban, são um bom exemplo.

Por trás de uma aparência semelhante à de um simples par de óculos estão câmeras, microfones e recursos avançados de inteligência artificial. Um objeto cotidiano passa a enxergar, ouvir e interpretar o ambiente ao redor.

E aí surgem perguntas que não são de ficção científica.

Quem está sendo filmado sabe? Quem autorizou? O que a inteligência artificial está identificando? Onde essas informações são armazenadas? Quem poderá acessá-las?

Não é exatamente uma discussão nova. É apenas uma nova etapa de uma velha relação entre seres humanos e tecnologia.

A borg '7 de 9', de Star Trek, interpretada por Jeri Ryan - Reprodução

Toda novidade já foi um pouco assustadora

Quase toda tecnologia que hoje consideramos banal já provocou estranhamento, medo ou controvérsia quando chegou às ruas. A bicicleta, por exemplo, transformou-se em símbolo de liberdade e mobilidade no século XIX, mas também mexeu com costumes, comportamento, segurança e convenções sociais. A circulação de mulheres em bicicletas, inclusive, chegou a ser tratada como ameaça aos padrões morais da época.

Depois vieram o telefone, o rádio, a televisão, o automóvel, o computador, o celular, a internet e, finalmente, as redes sociais. Cada uma dessas tecnologias alterou hábitos. Algumas provocaram pânico. Outras foram tratadas como maravilhas capazes de transformar definitivamente a humanidade.

No fim, quase todas foram assimiladas. E talvez esteja aí a parte mais interessante da história.

Assimilar não significa aceitar tudo

O fato de uma tecnologia se popularizar não significa que ela seja necessariamente boa, segura ou socialmente desejável. É justamente no período em que uma inovação ainda provoca estranhamento que a sociedade deveria discutir seus limites.

Foi assim com o trânsito. Com as telecomunicações. Com a proteção de dados. Com a exposição de crianças na internet. E precisa ser assim também com a inteligência artificial. O problema dos óculos inteligentes talvez não esteja simplesmente na existência da tecnologia.

O problema é a fronteira cada vez mais tênue entre estar no mundo e estar sendo observado por ele. A câmera já estava no bolso de quase todo mundo. Agora ela pode estar diante dos nossos olhos.

E não apenas registrando. Pode ouvir. Reconhecer. Interpretar. Traduzir. Identificar pessoas e objetos. Produzir informações a partir daquilo que acontece diante de nós. A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta que usamos. Ela começa a participar da maneira como percebemos o mundo.

Quem controla quem?

É aqui que a metáfora dos Borgs deixa de ser apenas uma brincadeira.

“Resistir é inútil. Vocês serão assimilados.”

Talvez sejam mesmo. A história mostra que sociedades dificilmente conseguem impedir indefinidamente o avanço tecnológico. Mas isso não significa que precisemos entregar às máquinas o comando sobre nossas escolhas, nossa privacidade ou nossos direitos.

Existe uma diferença fundamental entre ser assimilado pela tecnologia e assimilar a tecnologia à sociedade. No primeiro caso, nós nos adaptamos às máquinas.

No segundo, fazemos as máquinas se adaptarem aos nossos direitos, às nossas leis e aos limites que democraticamente decidimos estabelecer. Talvez essa seja a verdadeira batalha.

Não impedir o futuro.

Mas garantir que, quando ele chegar, ainda sejamos nós a decidir como queremos viver nele. Porque, afinal, talvez resistir não seja inútil.

Talvez resistir seja justamente participar da decisão sobre o que merece ser assimilado.

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SULPOST
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21.8.26

Mineradoras estrangeiras detém 42% das solicitações de exploração de terras raras no Brasil

Corrida por minerais estratégicos ganhou força nos últimos anos e coloca o Brasil no centro da disputa global por recursos que vão de celulares e carros elétricos a equipamentos militares

 

O subsolo brasileiro entrou definitivamente no radar da disputa mundial por minerais estratégicos. E, desta vez, o interesse não vem apenas de empresas nacionais. Um levantamento baseado em dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostra que empresas sediadas no exterior ou subsidiárias de grupos estrangeiros respondem por 42% dos pedidos de exploração de terras raras registrados no Brasil.

São 2.727 requerimentos contabilizados até junho de 2026, segundo levantamento da Repórter Brasil e da Associated Press. O dado chama ainda mais atenção quando se observa a velocidade desse movimento: 86% dos pedidos foram apresentados de 2023 para cá. Austrália, Estados Unidos e Canadá estão entre os países com maior presença nessa corrida.

Antes de tudo, é importante entender o que esses números significam. Um requerimento não é uma mina. O pedido representa uma etapa inicial da busca por uma área com potencial mineral e não garante que haverá extração. Muitos projetos podem não avançar depois das pesquisas, das análises técnicas e das exigências ambientais.

Mesmo assim, a quantidade de pedidos revela algo difícil de ignorar: as empresas estão se posicionando agora para disputar um mercado que tende a ganhar importância nos próximos anos.

E há uma razão bastante concreta para isso.

Por que todo mundo está de olho nas terras raras?

Apesar do nome, terras raras não são necessariamente raras na natureza. O problema está em encontrar concentrações economicamente aproveitáveis e, principalmente, em dominar as etapas necessárias para transformar esses minerais em produtos de alto valor.

O grupo reúne 17 elementos químicos usados em uma enorme variedade de tecnologias. Eles estão presentes, por exemplo, em ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.

É aí que entra a geopolítica.

A China construiu, ao longo de décadas, uma posição dominante não apenas na extração, mas também no processamento das terras raras e na fabricação de produtos derivados. Para Estados Unidos e outras potências industriais, reduzir essa dependência passou a ser uma questão econômica e também estratégica.

O cenário ficou ainda mais tenso em 2025, quando a China restringiu exportações de terras raras para os Estados Unidos, em meio à escalada da disputa comercial entre os dois países. Desde então, cresceu a busca por fornecedores alternativos. E o Brasil, dono da segunda maior reserva estimada do mundo, passou a ocupar um lugar cada vez mais importante nesse tabuleiro.

O capital estrangeiro já aparece entre os principais projetos

Embora empresas ligadas ao capital estrangeiro representem cerca de 12% dos titulares dos requerimentos, elas concentram 42% dos pedidos. A diferença mostra que os grupos internacionais, apesar de serem minoria entre os titulares, controlam uma parcela expressiva das áreas em disputa.

A presença estrangeira também fica mais evidente quando se olha para os projetos que já avançaram. Dos 45 processos identificados como em operação ou em fase de pré-operação comercial, 31 estão sob controle estrangeiro.

Entre as empresas que aparecem com destaque está a Borborema Recursos Minerais, subsidiária da australiana Brazilian Rare Earths Pty, com 217 requerimentos. A Alpha Minerals Brazil, recentemente incorporada pela norte-americana Rare Earth Americas, aparece em seguida, com 181 pedidos.

Também estão no radar empresas como a Mineração Apollo, parcialmente controlada pela norte-americana Atlas Lithium, e a canadense Aclara Resources, que mantém projetos de terras raras no Brasil e no Chile.

Ou seja, não se trata apenas de uma corrida por jazidas. Há uma disputa empresarial acontecendo antes mesmo de muitas dessas áreas chegarem à fase de produção.

Serra Verde mostra onde essa disputa pode chegar

Um dos exemplos mais claros está em Goiás.

A Serra Verde, em Minaçu, é atualmente a única produtora comercial de terras raras do Brasil. Em abril de 2026, a empresa foi adquirida pela norte-americana USA Rare Earth, em uma operação que colocou ainda mais luz sobre o potencial brasileiro.

O projeto é especialmente importante porque possui terras raras pesadas, como disprósio e térbio, minerais empregados em ímãs de alto desempenho e em tecnologias consideradas estratégicas.

O caso Serra Verde ajuda a entender por que a discussão vai muito além de simplesmente abrir uma mina. Quem controla uma jazida, quem financia a exploração, quem domina o processamento e, principalmente, quem transforma o minério em componentes tecnológicos também disputa uma parcela muito maior do valor gerado.

É justamente nesse ponto que aparece uma das principais preocupações brasileiras.

O Brasil vai vender minério ou desenvolver uma cadeia própria?

Ter uma das maiores reservas de terras raras do planeta é uma vantagem. Mas a vantagem pode ser limitada se o país continuar exportando matéria-prima e comprando de fora os produtos de maior valor agregado.

A mineração é apenas uma parte da cadeia.

Entre a retirada do minério do solo e a fabricação de um ímã usado em um motor elétrico existe uma série de etapas industriais e tecnológicas. São justamente essas etapas que podem gerar mais empregos qualificados, conhecimento e receita.

Por isso, a chegada de empresas estrangeiras não precisa ser vista necessariamente como um problema. Capital, tecnologia e capacidade de investimento podem ajudar a transformar reservas conhecidas em projetos economicamente viáveis.

A questão é outra: quais serão as condições dessa participação?

Quanto do processamento ficará no Brasil? Quantos empregos qualificados serão criados? Haverá transferência de tecnologia? O país conseguirá desenvolver fornecedores nacionais? E quanto da riqueza produzida ficará nas regiões onde estão as minas?

São perguntas que começam a ganhar importância à medida que os projetos avançam.

A corrida também acende o alerta ambiental

O aumento do interesse pelas terras raras acontece em um território que não está vazio. Existem comunidades, unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas nas áreas ou nas proximidades dos locais que despertaram o interesse das mineradoras.

Segundo o levantamento, 25% dos requerimentos analisados se sobrepõem a unidades de conservação ou comunidades tradicionais, ou estão a até 10 quilômetros desses territórios. A análise aponta que os pedidos podem afetar até 283 áreas protegidas.

Isso não significa, automaticamente, que essas áreas serão mineradas. Um requerimento pode não avançar, e qualquer empreendimento que chegue às fases de instalação e operação estará sujeito às regras ambientais e aos processos de licenciamento aplicáveis.

Mas o número mostra que a expansão da mineração não será apenas uma discussão econômica.

Em regiões ambientalmente sensíveis, uma mina pode trazer mudanças no uso do território, pressão sobre recursos hídricos, abertura de estradas e outros impactos que precisam ser avaliados antes de qualquer decisão.

E a China?

Curiosamente, a China, que domina atualmente a cadeia mundial das terras raras, não aparece como protagonista dos requerimentos analisados até junho de 2026.

O país, porém, também acompanha de perto o potencial brasileiro. A Mineração Taboca, por exemplo, foi adquirida em 2025 pela estatal chinesa China Nonferrous Metal Mining Group e anunciou planos para estudar o potencial de terras raras na Amazônia. A chinesa Shenghe Resources Holding também firmou um memorando de entendimento com empresas brasileiras para avaliar oportunidades no setor.

Isso ajuda a dimensionar a importância estratégica que o Brasil ganhou.

De um lado, empresas norte-americanas e australianas aceleram investimentos para criar alternativas ao domínio chinês. De outro, empresas chinesas também buscam espaço em uma cadeia considerada fundamental para a indústria do futuro.

O Brasil está no meio dessa disputa.

Uma oportunidade que exige estratégia

O dado de que 42% dos pedidos estão ligados a empresas estrangeiras não significa que o Brasil esteja perdendo suas terras raras. Ainda há um longo caminho entre o requerimento de pesquisa e a abertura de uma mina.

Mas o número funciona como um sinal bastante claro de que o interesse internacional já chegou.

A oportunidade econômica é real. As terras raras podem ajudar o país a atrair investimentos, desenvolver novas tecnologias e participar de cadeias ligadas à eletrificação dos transportes, às energias renováveis, à indústria eletrônica e à defesa.

Ao mesmo tempo, existe o risco de o Brasil ficar restrito à etapa menos sofisticada dessa cadeia: retirar o minério do chão e enviá-lo para outros países, onde será processado e transformado em produtos de maior valor.

É justamente essa escolha que começa a se desenhar agora.

O Brasil tem a reserva, tem território e tem potencial geológico. O que ainda precisa construir é a capacidade de transformar essa riqueza subterrânea em desenvolvimento econômico e tecnológico dentro do próprio país.

A corrida pelas terras raras já começou. E os 2.727 requerimentos registrados até junho de 2026, com 42% ligados a empresas estrangeiras, mostram que os grupos internacionais não estão esperando a próxima década para entrar nessa disputa. Eles já estão ocupando espaço.

Fontes: Agência Nacional de Mineração (ANM), dados analisados pela Repórter Brasil e Associated Press. Levantamento publicado em 20 de agosto de 2026.

20.8.26

Visita, diálogo e compromisso: movimento sindical recebe candidatos e candidata que defendem os trabalhadores do Paraná

Ao longo da semana, o SMC (Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana), a Força Sindical do Paraná e os Amigos do Butka receberam candidatos de diferentes partidos para conversar sobre propostas e políticas públicas relacionadas ao emprego, à renda, ao desenvolvimento e à valorização da classe trabalhadora do Estado

Ao longo da semana, o SMC (Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana), a Força Sindical do Paraná e os Amigos do Butka receberam candidatos de diferentes partidos para conversar sobre propostas e políticas públicas relacionadas ao emprego, à renda, ao desenvolvimento e à valorização da classe trabalhadora do Estado
Gleisi, Butka, Arilson e Nelsão, em encontro recente na RMC - Reprodução

Foram encontros que colocaram frente a frente representantes do movimento sindical paranaense e nomes que disputam diferentes cargos nas eleições de 2026. A ideia é conhecer propostas, apresentar as reivindicações dos trabalhadores e discutir os caminhos que o Paraná e o Brasil podem seguir nos próximos anos.

Entre as lideranças que contam com o apoio do movimento sindical está o presidente Lula, do PT. Lula não esteve no SMC durante esta semana, mas sua trajetória tem uma relação histórica com o movimento sindical e, especialmente, com a classe metalúrgica. O presidente e o vice-presidente da Força Paraná e do SMC também tem uma história política junto ao Presidente da República.

Antes de chegar ao Planalto, Lula foi metalúrgico e construiu sua trajetória sindical no ABC Paulista. Sua própria história se mistura ao chão de fábrica. Lula passou pela liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, tornando-se uma das principais referências do sindicalismo brasileiro.

Essa história é lembrada pelo movimento sindical como parte de um compromisso que ultrapassa períodos eleitorais: a defesa do emprego, dos salários, dos direitos trabalhistas e de melhores condições de vida para quem trabalha.

Gleisi e sua luta em defesa das trabalhadoras e trabalhadores do Brasil 

Outro nome que recebe o apoio do movimento sindical é Gleisi Hoffmann, do PT, candidata ao Senado pelo Paraná. Com uma longa trajetória política no Estado e no governo federal, Gleisi é reconhecida pela capacidade de articulação entre o Paraná, o Congresso Nacional e o governo federal.

A atuação de Gleise, na política tem sido marcada pela defesa de políticas públicas, dos direitos trabalhistas, da educação e da saúde públicas, além de programas voltados à redução das desigualdades. Gleisi já foi Senadora, e, é dela, o projeto de lei que acabou com os antigos 14º e 15º salário, que recebiam os parlamentares do Congresso Nacional.

Para o movimento sindical, essa capacidade de diálogo e articulação é importante em um momento em que decisões tomadas em Brasília têm impacto direto sobre a vida dos trabalhadores paranaenses, em especial para cuidar da trabalhadora, da mãe, da mulher paranaense. Hoje são muitos os lares paranaenses aonde o trabalho da mulher é que contribui com a maior parte da renda familiar. 

Gleisi não luta apenas pela igualdade de salários entre homens e mulheres, mas também por mais mulheres em cargos de chefia, na direção das empresas e também nas esferas da administração pública.

O candidato ao governo do estado Requião Filho, do PDT - Reprodução/Alep 

Requião Filho: serviços públicos e desenvolvimento

Na disputa pelo Governo do Paraná, Requião Filho, do PDT, também integra o grupo de candidatos que dialogam com o movimento sindical.

Deputado estadual, ele apresenta uma candidatura de oposição ao atual modelo de governo no estado e, entre suas principais bandeiras, está a defesa dos serviços públicos, das empresas estatais, da classe trabalhadora, da educação, saúde e valorização dos servidores públicos. Requião Filho promete zerar o ICMS de pequenas empresas e atrair novos negócios para o Paraná, promovendo um novo ciclo industrial no estado, aumentando a geração de empregos.

Ao passo que o candidato critica os atuais processos de privatização e terceirizações, ele também defende mudanças no modelo de pedágios, além de propostas voltadas ao desenvolvimento regional e ao fortalecimento de micro e pequenas empresas. O candidato ao governo do estado pelo PDT também promete abrir novos concursos públicos, trazendo mais empregos e renda para o povo paranaense.

Arilson Chiorato, na defesa dos direitos trabalhistas

Arilson Chiorato, do PT, é outro nome que vem mantendo diálogo próximo com o movimento sindical desde o início de sua jornada na política paranaense. Deputado estadual e presidente do PT do Paraná, Arilson tem sua atuação parlamentar marcada pela defesa da educação pública, dos servidores, da agricultura familiar, dos direitos trabalhistas e das empresas públicas.

Assim como o candidato a Governador Requião Filho e da candidata ao Senado Gleisi Hoffmann, ele quer cuidar das pessoas. Cuidar do povo paranaense. Entre as pautas que aproximam seu mandato do movimento sindical está a luta ferrenha pelo fim da escala 6x1. Tema que já foi levado a debates na Assembleia Legislativa do Paraná com participação de representantes dos metalúrgicos e da Força Sindical do Paraná.

Arilson também luta pela reestartização da Copel, e quer levar essa bandeira para Brasília. A população paranaense paga um custo muito alto pela energia elétrica. Hoje o Paraná tem o segundo maior custo de vida do Brasil, ficando atrás apenas do Distrito Federal.

Nelsão, Alexandre Guimarães e Fernanda do Nelson, no SMC - Reprodução

Alexandre Guimarães e o olhar para a Região Metropolitana

Também do PDT, Alexandre Guimarães coloca sua experiência municipalista na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná.

Vereador e presidente da Câmara Municipal de Campo Largo, Guimarães tem sua trajetória política ligada às demandas dos municípios, com atenção especial a questões como infraestrutura, saúde, transporte, desenvolvimento regional e geração de oportunidades.

Para os trabalhadores da Região Metropolitana de Curitiba, esse olhar municipalista tem um significado especial. Afinal, emprego, transporte, saúde, moradia e qualidade de vida estão diretamente ligados às condições das cidades onde o trabalhador vive e trabalha. 

Alexandre Guimarães já foi deputado estadual, e sabe o caminho para para poder atender as demandas dos trabalhadores e da trabalhadoras paranaenses na ALEP.

Alexandre Curi também assumiu compromisso com a classe trabalhadora

Na quarta-feira (19), o SMC recebeu Alexandre Curi, presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Paraná e candidato ao Senado Federal pelo Paraná.

Curi se reuniu com Sérgio Butka e Nelsão da Força, respectivamente presidente e vice-presidente da Força Sindical do Paraná e do SMC. A conversa teve como tema principal as políticas públicas voltadas aos trabalhadores e trabalhadoras do Estado, com destaque para emprego, geração de renda, qualificação profissional e valorização dos trabalhadores.

Ao longo de sua trajetória política, Curi foi autor e participou de iniciativas relacionadas ao mundo do trabalho. Entre elas está uma proposta apresentada em 2009 para fortalecer a proteção dos empregos nas empresas beneficiadas por incentivos fiscais do Paraná.

Outra frente de atuação envolve o desenvolvimento econômico e a geração de oportunidades, com iniciativas de fomento à agroindústria, capacitação, empreendedorismo, acesso ao crédito e geração de renda.

Mas, para além dos projetos e números, encontros como esse também colocam frente a frente quem representa os trabalhadores e quem pretende ocupar um espaço de decisão política em Brasília.

Foi justamente esse o espírito da conversa no SMC, segundo Sérgio Butka:

“Hoje tivemos aí a visita do presidente da ALEP, Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, que está hoje licenciado, para discutir políticas para os trabalhadores do Paraná. E eu, como presidente da Força, tive a honra de receber ele aqui no nosso Sindicato, onde tivemos uma conversa bastante produtiva, pensando já no futuro dos trabalhadores do Paraná. Foi uma boa visita, esperamos que em breve tenhamos bons resultados.”

Ouvir, dialogar e cobrar

Para Sérgio Butka e Nelsão da Força, receber os candidatos é também uma forma de colocar as reivindicações da classe trabalhadora no centro do debate eleitoral.

São diferentes partidos, diferentes trajetórias e diferentes projetos políticos. Mas existe um ponto em comum nos encontros: a necessidade de discutir o futuro do trabalho e a qualidade de vida de quem produz a riqueza do Paraná.

O trabalhador quer emprego, mas quer também emprego de qualidade. Quer salário digno, segurança, saúde, transporte, educação, tempo para a família e condições para viver com dignidade.

É por isso que o movimento sindical busca participar do debate eleitoral, ouvindo quem pretende ocupar espaços de decisão e apresentando as demandas de quem está todos os dias nas fábricas, nas empresas e nos mais diferentes setores da economia.

A eleição de 2026 coloca novamente em discussão os caminhos que o Paraná e o Brasil pretendem seguir. E, nesse processo, o trabalhador também precisa ter informação para conhecer os candidatos, suas trajetórias, suas propostas e, principalmente, seus compromissos com a classe trabalhadora e o movimento sindicalista paranaense.

Requião Filho dá largada na campanha entre propostas, pesquisas e uma disputa que começa a apertar

Candidato do PDT a governador segue firme em segundo lugar nas pesquisas, rumo ao segundo turno

 
O candidato Requião filho, do PDT - Foto: Orlando Kissner

A campanha eleitoral começou oficialmente e, no Paraná, o tabuleiro já começa a ganhar contornos mais nítidos. Para o candidato Requião Filho (PDT), os últimos dias trouxeram uma mistura de boas notícias eleitorais, exposição pública e um desafio que não pode ser ignorado: transformar uma candidatura que se mostra competitiva nas pesquisas, para buscar uma virada no segundo turno.

O cenário mais recente coloca o pedetista novamente no centro da disputa. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 18 de agosto, Sergio Moro aparece na liderança, com 37% das intenções de voto. Sandro Alex tem 22% e Requião Filho, 20%. Os dois estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro, que é de 2%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09262/2026.

É um número que merece atenção. Não porque uma pesquisa determine o resultado de uma eleição — não determina —, mas porque mostra que a briga pela segunda vaga de passagem para o segundo turno ainda está em aberto.

A disputa pelo segundo lugar

Há poucos dias, outro levantamento havia colocado Requião Filho em posição ainda mais confortável. Na pesquisa Paraná Pesquisas, realizada entre 13 e 16 de agosto e registrada no TSE sob o número PR-09048/2026, Sergio Moro aparece com 46,1%, Requião Filho com 23,4% e Sandro Alex com 16,5%.

São fotografias diferentes de um mesmo momento eleitoral. E talvez seja justamente isso que retornando a disputa ainda mais interessante. Requião Filho não está isolado em segundo lugar. Sandro Alex se aproxima. Moro mantém uma vantagem larga. E ainda existe um contingente expressivo de eleitores que não decidiu o voto.

Na Real Time, por exemplo, 12% não souberam ou não quiseram responder, enquanto 6% declararam voto branco ou nulo. A eleição, portanto, ainda está longe de estar definida.

Rejeição

Há, porém, uma pedra no caminho. Requião Filho também aparece com rejeição elevada. Na mesma pesquisa Real Time, 41% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum, percentual superior ao de Sergio Moro, com 38%, e Sandro Alex, com 29%. Na rejeição Requião Filho e Sérgio Moro também estão tecnicamente empatados, dentro da margem de erro.

É aí que a matemática eleitoral fica mais complicada. Ter 20% ou 23% das intenções de voto coloca o candidato na disputa. Mas uma rejeição alta pode limitar sua capacidade de crescer. Ainda mais em um momento em que a campanha está se tornando mais polarizada, os partidos começam a receber o fundo eleitoral e o eleitor começa, de fato, a escolher entre duas opções.

Requião Filho sabe que sua candidatura carrega um sobrenome conhecido no Paraná. Filho do ex-governador Roberto Requião, ele procura construir uma identidade própria. Ao mesmo tempo, recupera algumas bandeiras que marcaram os governos de seu pai, programas que continuam sendo sucesso até hoje, e, em especial, a defesa do patrimônio público e das empresas estatais, 

Copel, Sanepar e a ideia de devolver o Estado aos paranaenses

Uma das principais marcas da campanha é a crítica à privatização da Copel. Requião Filho defende que o Paraná volte a ter o controle da companhia. Em entrevistas, fala em recomprar ações e redirecionar a empresa para uma política de desenvolvimento estadual, com atenção especial aos custos da energia para famílias, indústria e agronegócio.

A defesa da Copel pública acompanha a trajetória política do candidato há anos e reaparece nesta eleição como uma das principais linhas de oposição ao governo Ratinho Junior. O mesmo raciocínio aparece quando ele fala da Sanepar e da Celepar.

Na sabatina recente, promovida pelo portal Bem Paraná, Requião Filho afirmou que pretende auditar a privatização da Copel, avaliar os valores envolvidos e buscar a retomada do controle estatal. Também se posicionou contra a continuidade da privatização da Celepar.

É uma proposta de forte conteúdo político. E também uma aposta eleitoral: falar diretamente sobre aquilo que o candidato entende como patrimônio dos paranaenses.

ICMS Zero para pequenos negócios

Na economia, Requião Filho tenta apresentar uma bandeira diferente. A proposta de zerar o ICMS para micro e pequenas empresas foi lançada pelo candidato ainda em março, por meio da plataforma ICMS Zero. A ideia voltou ao centro do discurso eleitoral nas últimas semanas.

O argumento é simples: aliviar a carga tributária de quem está na ponta, no comércio de bairro, na pequena empresa, no empreendimento familiar.

Requião Filho afirma que sete em cada dez empregos no Paraná são gerados por micro e pequenas empresas e sustenta que a renúncia representaria cerca de 2% da arrecadação estadual.

Seus adversários alegam que o ICMS não é apenas dinheiro do governo estadual. Pela Constituição, parte da arrecadação é repartida com os municípios. Portanto, uma eventual mudança significativa na cobrança precisará apresentar uma engenharia fiscal capaz de sustentar a promessa.

É justamente aí que uma bandeira de campanha começa a precisar transformar-se em plano de governo, mostrando de onde vai sair o dinheiro e qual será a compensação. Entretanto, parece ser óbvio que as pequenas empresas gerando mais empregos e renda, muito provavelmente também vão aumentar a arrecadação nos municípios.

Saúde: menos prédios, mais gente

Na área social, o candidato tem insistido em outro argumento: não basta inaugurar hospitais.

Na sabatina feita pelo Bem Paraná, Requião Filho criticou a terceirização de serviços de saúde e defendeu concursos públicos, valorização dos profissionais e o funcionamento pleno das estruturas que já existem. A lógica também apareceu na agenda de debates da campanha: o governo precisa cuidar das pessoas antes de contabilizar obras.

É uma narrativa que dialoga diretamente com o eleitor que enfrenta uma fila, espera por um exame ou procura atendimento médico.

Educação e escolas cívico-militares

Na educação, Requião Filho também se posiciona contra o atual modelo de escolas cívico-militares.

A crítica é acompanhada pela defesa de professores concursados, estrutura escolar e políticas de inclusão, em contraste com o modelo adotado pelo governo Ratinho Junior.

A relação com Lula

Existe ainda uma questão política delicada. O PDT confirmou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Requião Filho participou das articulações do partido e esteve ao lado de Lula no início da campanha. Mas, ao mesmo tempo, Requião Filho procura deixar claro que seu eventual governo não seria uma extensão do governo federal.

Na recente sabatina do Bem Paraná, o candidato enfatizou sua independência política em relação a Lula. É uma distinção importante para uma eleição estadual. Requião Filho precisa manter o vínculo com o campo progressista, que pode lhe garantir estrutura política e eleitoral, mas também tenta conversar com um eleitorado que não necessariamente votará em Lula.

Em outras palavras, a campanha parece procurar um equilíbrio: Lula no palanque nacional, Requião Filho como protagonista no Paraná. 

E se Moro não estiver no segundo turno?

Os números da Real Time, divulgados pelo portal UOL, trazem outro dado que chama a atenção. Num eventual segundo turno sem Sergio Moro, Sandro Alex aparece com 33% e Requião Filho com 30%. A diferença está dentro da margem de erro.

É um cenário hipotético, claro. Mas revela algo importante: a candidatura de Requião Filho tem musculatura suficiente para disputar uma eleição apertada contra o nome apoiado pelo grupo governista.

Quando Moro aparece na disputa, entretanto, o quadro muda bastante. No cenário testado pela Real Time, Moro venceria Requião Filho por 55% a 27% em segundo turno. 

Entretanto, em nossa análise, nessa hipótese apoios mudam, os candidatos derrotados em primeiro turno precisam escolher um campo político para apoiar no segundo turno que é praticamente uma nova eleição, que começa do zero.

Por isso, o desafio do pedetista é duplo: chegar ao segundo turno, ampliar seu eleitorado e diminuir os índices de rejeição.

A campanha começou — e agora vem a parte mais difícil

Há uma diferença entre uma pré-campanha e uma eleição de verdade. Antes, candidatos testam frases, propostas e alianças. Agora, cada declaração começa a ser medida pelo eleitor, pelo adversário e pelas pesquisas. Os grandes debates, que ainda vão ocorrer na televisão podem mudar a opinião dos eleitores.

Requião Filho chega a esse momento com algumas cartas importantes na mão: aparece competitivo nas pesquisas, ocupa o espaço de principal nome da oposição em parte dos levantamentos e tem propostas que já ganharam identidade própria, como o ICMS Zero e a retomada do controle público da Copel, para baixar o preço da conta de luz dos consumidores paranaense. Cuidar das pessoas, como diz o candidato.

Há uma longa estrada até outubro, mas o tempo passa rápido. De hoje, até as eleições, temos um mês e duas semanas. O Paraná ainda vai assistir a debates, sabatinas, confrontos, alianças, ataques, respostas e, principalmente, à entrada de milhões de eleitores que ainda não escolheram seu candidato.

Por enquanto, a fotografia mostra Sergio Moro na frente e uma disputa mais apertada atrás dele. Outro fator analisado é que mora não pode simplesmente deixar de comparecer a todos os debates, principalmente o da Rede Globo que encerra a rodada de debates do primeiro turno.

Requião Filho está dentro da disputa.

Agora começa a verdadeira campanha. E será nela que o candidato terá de descobrir se os 20% ou 23% que aparecem nas pesquisas são apenas um ponto de partida — ou o limite de seu eleitorado. Apoiadores da campanha de Requião Filho, ouvidos pelo blog, apontam que a expectativa da campanha é chegar ao segundo turno com cerca de 30% dos votos.

SULPOST
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19.8.26

A nova corrida espacial

Que pouso foi esse?

O Zhuque-3 Y2, da empresa chinesa LandSpace, decolou e, depois de colocar o satélite Honghu-03 em órbita, fez algo que até pouco tempo parecia exclusividade da Space X: o primeiro estágio retornou da órbita terrestre e pousou em pé, suavemente, no meio do deserto.

E até de espantar: olhando para esse foguete, é impossível não pensar em uma mistura de Falcon 9 com New Glenn. O visual é impressionante, mas o que realmente chama atenção é o que ele acabou de fazer. A China mostra mais uma vez sua força na nova era da conquista espacial.

A missão representa um passo importante para o programa espacial comercial chinês, e marca uma nova ela nas corridas espaciais, agora por parte da iniciativa privada. 

A LandSpace conseguiu realizar o retorno controlado do primeiro estágio, que é o propulsor ou o foguete propriamente dito, usando pernas de pouso, avançando na corrida pelos foguetes reutilizáveis.

E o pouso foi espetacular. Na mosca.

Neste vídeo, dá para acompanhar alguns dos momentos mais incríveis do voo: a decolagem, a separação dos estágios, a descida e, finalmente, o momento em que o Zhuque-3 reduz a velocidade e faz o touch down, tocando suavemente o chão.

É a nova era tecnológica da conquista do espaço, a nova era da conquista do espaço pela humanidade, acontecendo diante dos nossos olhos. E a corrida pelos foguetes reutilizáveis acaba de ganhar um novo protagonista. A China chegou chegando, em alto estilo.

Confira como foi a quarta-feira dos candidatos à Presidência

Candidatos tiveram agendas em Minas Gerais, Paraíba, São Paulo e Distrito Federal - veja no vídeo da Agência Brasil

Os candidatos à Presidência da República cumpriram agendas de campanha em diferentes estados nesta quarta-feira (19). As atividades incluíram reuniões com apoiadores, visitas a regiões de grande circulação, participação em eventos e apresentação de propostas para áreas como educação, segurança pública, saúde e infraestrutura.

Confira como foi o dia dos candidatos:

Hertz Dias (PSTU)

Hertz Dias esteve em Juiz de Fora (MG), onde participou de reuniões com apoiadores e da assembleia dos trabalhadores da educação municipal.

O candidato defendeu a valorização dos profissionais da educação, o aumento dos investimentos públicos e um sistema educacional que assegure oportunidades iguais para estudantes de diferentes condições socioeconômicas.

Renan Santos (Missão)

Em João Pessoa (PB), Renan Santos acompanhou a retirada de câmeras instaladas em uma região da capital paraibana e atribuídas a uma facção criminosa.

Durante a agenda, afirmou que o combate às organizações criminosas será uma de suas prioridades caso seja eleito. Segundo o candidato, o objetivo é impedir que grupos criminosos controlem a circulação de moradores ou mantenham territórios sob seu domínio.

Romeu Zema (Novo)

Romeu Zema esteve na zona leste de São Paulo, onde conversou com eleitores e visitou a Feira de Guaianases.

Em conversa com jornalistas, criticou os efeitos da inflação sobre os preços dos alimentos e defendeu a redução dos gastos públicos.

Ronaldo Caiado (PSD)

Ronaldo Caiado participou pela manhã, em Brasília, do 4º Congresso das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos.

No evento, defendeu o uso de inteligência artificial na saúde, com recursos como prontuários médicos pelo celular e agendamento virtual de consultas e revisões. Segundo ele, a tecnologia pode contribuir para agilizar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), reduzir filas e acelerar diagnósticos.

À tarde, Caiado participou do 11º Fórum CNT de Debates, promovido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), também na capital federal.

Durante o evento, afirmou que as condições das rodovias não acompanharam o crescimento do volume de cargas transportadas no país. Como alternativa, defendeu a ampliação das malhas ferroviária e hidroviária.

Sem agenda pública

Os candidatos Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pablo Marçal (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata) não tiveram agenda pública de campanha nesta quarta-feira (19).

As eleições presidenciais estão marcadas para 4 de outubro de 2026. Daqui um mês, duas semanas e um dia. 


Justiça rejeita acusação de fake news contra Arilson em publicação sobre Filipe Barros e Banco Master

Decisão do TRE-PR considerou que não ficou comprovada divulgação de informação falsa ou gravemente fora de contexto; novas revelações da investigação do Banco Master mantêm o caso no centro do debate político e judicial

A Justiça Eleitoral rejeitou a acusação apresentada pelo Partido Liberal (PL) do Paraná contra o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), que havia sido questionado por relacionar o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e a legenda ao Banco Master.

Na decisão, a desembargadora federal Claudia Cristina Cristofani concluiu que não ficou comprovada a divulgação de informação falsa ou gravemente fora de contexto. A magistrada também considerou que as manifestações de Arilson estavam inseridas no contexto de crítica política e debate eleitoral.

O processo teve origem em um vídeo gravado pelo deputado estadual em frente à sede do PL, em Curitiba. Na gravação, Arilson fez críticas a integrantes do campo político adversário e mencionou o Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro e posteriormente liquidada pelo Banco Central.

Segundo a decisão, as expressões utilizadas no vídeo apresentavam tom de ironia e crítica política. No caso específico de Filipe Barros, a defesa de Arilson apresentou documentos, projetos, requerimentos e reportagens que, segundo a decisão, serviam de base para os questionamentos feitos pelo parlamentar.

A Justiça, entretanto, não entrou no mérito de determinar se a interpretação política feita por Arilson a partir desse material era correta ou proporcional. O ponto analisado no processo eleitoral foi se a publicação configurava divulgação de informação falsa ou propaganda eleitoral irregular.

A decisão também rejeitou a alegação de que Arilson teria pedido diretamente aos eleitores que não votassem nos políticos mencionados. Conforme a análise judicial, a manifestação tinha caráter persuasivo e desfavorável aos adversários, mas não configurava pedido direto de não voto.

Investigação sobre Filipe Barros

A disputa judicial ocorre em meio a uma série de investigações sobre o Banco Master e às acusações políticas envolvendo diferentes agentes públicos.

No início de agosto, Arilson Chiorato protocolou na Polícia Federal, em Brasília, uma notícia de fato para pedir apuração sobre a atuação de Filipe Barros em assuntos relacionados ao banco. O pedido foi apresentado na capital federal porque, por ser deputado federal, Barros possui foro por prerrogativa de função.

Na ocasião, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o documento apresentado por Arilson solicitou diligências para verificar a origem de minutas legislativas e eventual contato com representantes do Banco Master. Barros negou favorecimento ao banco e afirmou que havia denunciado a instituição à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Tribunal de Contas da União.

O próprio deputado federal também já havia reagido publicamente às acusações. Em julho, classificou como “mentirosa” a afirmação de Arilson de que teria atuado em favor do Master e afirmou que pretendia reapresentar proposta relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos.

Até o momento, portanto, as acusações políticas e os pedidos de investigação não equivalem a uma conclusão judicial de que Filipe Barros tenha cometido crime ou favorecido ilegalmente o Banco Master.

Novas revelações aumentam pressão sobre o caso Master

O caso ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. Reportagem publicada em 18 de agosto informou que a Polícia Federal investiga dois ex-servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, por suspeitas de terem fornecido informações internas ao então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo a apuração, os dois participaram de um grupo de WhatsApp criado em 2025 com Vorcaro, no qual teriam sido compartilhados documentos e informações relacionadas à fiscalização do banco. A investigação também apura se os servidores receberam vantagens indevidas. Ambos negam irregularidades e suas defesas sustentam que contribuíram com as investigações e que os contatos tinham caráter institucional.

Outra reportagem publicada nesta semana revelou que instituições interessadas em adquirir ativos do Master chegaram a procurar o Banco Central em busca de garantias jurídicas diante da deterioração financeira da instituição. BTG Pactual e J&F, por meio do PicPay, teriam solicitado manifestações do BC para reduzir riscos relacionados a operações envolvendo ativos do grupo.

As investigações também continuam avançando na esfera do mercado de capitais. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou para 8 de setembro o julgamento de um processo que envolve Daniel Vorcaro, integrantes de sua família e outras pessoas por suspeitas de irregularidades relacionadas à emissão de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. O processo trata de fatos ocorridos antes mesmo de o Banco Master assumir a atual configuração.

O que a decisão da Justiça significa

A decisão do TRE-PR não declarou que todas as afirmações feitas por Arilson sobre Filipe Barros são verdadeiras, nem determinou que o deputado federal tenha cometido qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master.

O que a Justiça Eleitoral decidiu foi que, naquele processo, não ficou comprovado que Arilson tenha divulgado informação falsa ou gravemente fora de contexto, e que as manifestações analisadas estavam dentro dos limites do debate político.

A distinção é relevante porque o caso envolve, de um lado, acusações e questionamentos políticos e, de outro, investigações que ainda estão em andamento. Eventuais responsabilidades criminais ou administrativas dependem das respectivas apurações e das decisões das autoridades competentes.

Em declaração divulgada após a decisão, Arilson afirmou que a decisão confirma que suas manifestações estavam baseadas em informações que já faziam parte do debate público.

“Se existem documentos, projetos, requerimentos e reportagens, nós temos o direito e o dever de cobrar explicações.”

Arilson Chiorato

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio à crise financeira da instituição e às investigações sobre operações envolvendo carteiras de crédito. Daniel Vorcaro foi preso no âmbito das investigações e voltou a ser detido em 2026. As acusações são negadas pelas defesas dos investigados.

Com novas frentes de investigação abertas e processos ainda em andamento, o caso Master continua envolvendo autoridades do sistema financeiro, empresários e diferentes personagens da política brasileira. No Paraná, a decisão do TRE-PR encerra, neste processo específico, a acusação eleitoral apresentada contra Arilson pela publicação que relacionava Filipe Barros e o PL ao episódio.


18.8.26

Conhecimento indígena e ciência revelam biodiversidade da Terra Panará, na Amazônia

Inventário colaborativo já registrou 14.823 animais de 602 espécies em território de 500 mil hectares entre Pará e Mato Grosso

 
© André Villas Bôas/ISA

Uma iniciativa que une o conhecimento ancestral do povo Panará à ciência acadêmica está ajudando a revelar a biodiversidade da Terra Indígena (TI) Panará, na Amazônia. O primeiro inventário colaborativo realizado no território, que possui cerca de 500 mil hectares na divisa entre Pará e Mato Grosso, já registrou 14.823 animais pertencentes a 602 espécies.

A pesquisa ganhou novos contornos depois que seus resultados foram apresentados, em junho, durante o Seminário Saberes e Conservação de Territórios Indígenas, realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. As informações atualizadas mostram que o trabalho, iniciado a partir da integração entre pesquisadores indígenas e acadêmicos, também identificou espécies que até então não eram conhecidas pelos próprios Panará.

A reportagem original sobre a iniciativa foi publicada pela Agência Brasil, que acompanhou o trabalho de pesquisa e conservação no território.

O projeto é promovido pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades públicas e outras organizações. Entre as instituições envolvidas estão a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

A iniciativa integra uma estratégia de conservação da biodiversidade em uma região submetida à pressão do garimpo ilegal, da expansão de atividades agropecuárias e de outras ações irregulares. O inventário também busca produzir informações que possam fortalecer a proteção do território e o monitoramento de seus recursos naturais.

Ciência e conhecimento tradicional

Pesquisadores indígenas e das universidades trabalham juntos em trilhas pelo território, realizando registros fotográficos, coleta de amostras de espécies e de água do rio Iriri, afluente do Xingu que atravessa a Terra Indígena, além da inclusão de informações no inventário.

A proposta é combinar ferramentas científicas e tecnológicas com o conhecimento acumulado pelos Panará sobre a floresta, os animais, os rios e os ciclos naturais do território.

“Foi muito bom trabalhar junto com pesquisadores não indígenas. Um ensinou ao outro”, afirma o pesquisador Kiarysy Kaiabi Panará, conhecido como Cutia.

Segundo Renata Pinheiro, diretora do programa Povos Indígenas e Comunidades Locais da Conservação Internacional Brasil, declarou à repórter Fabíola Sinimbú, da Agência Brasil, os pesquisadores acadêmicos contribuem principalmente com ferramentas tecnológicas de catalogação, enquanto os pesquisadores indígenas oferecem um conhecimento detalhado do território construído ao longo de gerações.

“Os Panará sabem ler a floresta de um jeito que nenhum instrumento científico consegue substituir. Eles conhecem a alimentação de cada animal, como se movimenta, e esse conhecimento alimenta diretamente a ciência que construímos juntos”, destaca Renata.

Tecnologia ajuda a revelar espécies

Para a coleta de dados, pesquisadores indígenas receberam capacitação para utilizar GPS, aplicativos de catalogação e câmeras de armadilha, conhecidas como camera traps. Os equipamentos são acionados pelo movimento ou calor emitido pelos animais que passam diante dos sensores.

A tecnologia permitiu registrar animais difíceis de serem observados diretamente na floresta e ampliar o conhecimento sobre a fauna existente no território.

“Quando as câmeras capturaram os bichos de pelo, a gente conseguiu identificar mais bichos do que a gente conhece. Depois disso, eu também fiquei muito feliz em conhecer essa parte da pesquisa com a tecnologia”, diz a pesquisadora Pentê Panará.

Escolhida pelos integrantes da aldeia Panará Sõnkârãsãn, onde vive, Pentê também destaca a importância da participação das mulheres na pesquisa.

“Toda vez que eu voltava do trabalho de pesquisa, as outras mulheres me perguntavam sobre o que estávamos fazendo e como era trabalhar com essa parte de tecnologia. Acho que outras mulheres Panará também gostariam de participar”, afirma.

602 espécies e animais ameaçados

O levantamento registrou 602 espécies e identificou a presença de animais ameaçados ou vulneráveis. Entre eles estão o macaco-zogue-zogue (Plecturocebus vieirai) e o tatu-canastra (Priodontes maximus).

De acordo com os resultados divulgados durante o seminário da UFPA, também foram encontradas espécies que não faziam parte do conhecimento tradicional registrado pelos próprios Panará, entre elas a perereca-de-vidro e a maria-leque.

A pesquisa permitiu ainda acompanhar espécies ameaçadas e coletar informações sobre a qualidade da água do rio Iriri, elemento fundamental para a vida das comunidades indígenas e para o equilíbrio ecológico do território.

Árvore “Já” pode ser nova para a ciência

Uma das descobertas mais significativas está no estudo da flora. Conhecida pelos Panará como “Já”, uma árvore encontrada durante o levantamento passou a ser analisada pelos botânicos por apresentar características que indicam que pode se tratar de uma espécie ainda não descrita pela ciência.

Durante o estudo botânico, que examinou quase 500 árvores em uma parcela de um hectare de floresta, pesquisadores identificaram características particulares nas folhas da planta. Segundo informações divulgadas pela UFPA, a análise aponta uma probabilidade estimada em cerca de 90% de que se trate de uma nova espécie para a ciência.

A confirmação científica, porém, ainda depende de novas coletas. Os pesquisadores precisam encontrar novamente o indivíduo durante o período de floração ou frutificação para obter material suficiente para a descrição formal da espécie.

O pesquisador Domingos Cardoso, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e coordenador da plataforma Flora e Funga do Brasil, explicou que, até o momento, foram analisadas principalmente as folhas da planta. A identificação definitiva ainda precisa seguir os procedimentos científicos de descrição e revisão botânica.

Pesquisa ainda precisa ser concluída

Segundo a Conservação Internacional, os resultados apresentados em junho correspondem a três anos de trabalho de inventário. A pesquisa, entretanto, ainda não chegou ao fim.

A Agência Brasil informou que o trabalho foi interrompido por falta de recursos para uma nova rodada de expedições. A expectativa dos pesquisadores é retomar as atividades para completar o inventário e ampliar o número de registros.

“Durante essa pesquisa, toda vez que a gente andava na mata, a gente encontrava rastro de outros bichos. Dá até pra saber o caminho onde eles andam. Para mim, ainda tem muitos mais”, afirma Pentê Panará.

Conhecimento com autoria indígena

Uma das características centrais do projeto é a preocupação com a autoria e o controle dos conhecimentos produzidos. Ao final do inventário, os dados deverão ser analisados pelos pesquisadores indígenas antes de sua disponibilização no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), plataforma que reúne registros de ocorrência de espécies, coleções biológicas e conjuntos de dados científicos.

A proposta é que os pesquisadores Panará sejam reconhecidos como detentores e autores dos conhecimentos associados aos registros. Dessa forma, quando outras instituições de pesquisa necessitarem consultar determinadas informações, o acesso deverá considerar a participação dos pesquisadores indígenas.

A Conservação Internacional também desenvolveu um protocolo para a publicação dos trabalhos acadêmicos produzidos a partir da pesquisa. Antes da divulgação, pesquisadores não indígenas apresentam aos Panará, em vídeos ou áudios, quais informações serão utilizadas, qual é o objetivo da publicação e quais aspectos serão abordados.

Depois dessa apresentação, os pesquisadores Panará e a comunidade podem acrescentar sua visão sobre o conteúdo antes da autorização para publicação.

“A gente estabeleceu esse protocolo, e tudo que foi feito até agora vem ao encontro da tradição oral dos povos indígenas, para que todos tivessem esse cuidado de colocar essas informações na oralidade, num vídeo, para que os Panará conseguissem entender e reagir ao que estava sendo colocado ali”, conclui Renata Pinheiro.

Um modelo de pesquisa intercultural

Além dos resultados científicos, a experiência na Terra Indígena Panará apresenta uma metodologia de pesquisa baseada na colaboração entre conhecimento tradicional e ciência acadêmica. Para os envolvidos, a experiência mostra que o conhecimento indígena não é apenas uma fonte complementar de informação, mas parte fundamental da compreensão do território e da definição de estratégias para sua conservação.

A experiência também evidencia como tecnologias de monitoramento podem ser incorporadas ao conhecimento tradicional sem substituir o papel dos povos indígenas na interpretação da floresta e na definição sobre o uso dos dados produzidos.

A atualização dos resultados foi divulgada pela Universidade Federal do Pará e pela Amazônia na COP30/UFPA. Informações sobre o inventário também foram divulgadas pela Conservação Internacional Brasil.

Fonte original: Agência Brasil, reportagem de Fabíola Sinimbú, publicada em 18 de agosto de 2026. Atualização: Sulpost, com informações divulgadas posteriormente pela UFPA, Amazônia na COP30/UFPA e Conservação Internacional Brasil.

Moro e Requião Filho lideram disputa pelo Governo do Paraná; Senado tem corrida aberta por duas vagas

Pesquisa Paraná Pesquisas mostra Moro na liderança, seguido por Requião Filho. No Senado, Deltan Dallagnol aparece na frente, mas situação jurídica pode mudar completamente a disputa

 
Moro e Requião Filho lideram disputa pelo Governo do Paraná; Senado tem corrida aberta por duas vagas

O senador Sergio Moro (PL), do mesmo partido de Flávio Bolsonaro, aparece na liderança da corrida pelo Governo do Paraná, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta semana. No cenário estimulado, Moro soma 46,1% das intenções de voto.

Requião Filho (PDT) aparece em segundo lugar, com 23,4%, enquanto Sandro Alex (PSD) registra 16,5%.

Na sequência aparecem Luiz França (Missão), com 0,9%; Tayná Miessa (UP), com 0,6%; Alexandre Salomão (Missão), com 0,4%; Samuel de Mattos (PSTU), com 0,1%; e Adriano Teixeira (PCO), com 0,0%. Outros 5% não souberam ou não quiseram opinar.

Eleições rumam para 2º turno

O resultado coloca Moro em uma posição confortável na largada da campanha. A diferença para Requião Filho é de 22,7 pontos percentuais, enquanto Sandro Alex aparece 29,6 pontos atrás do peelista.

Candidato Intenção de voto
Sergio Moro (PL) 46,1%
Requião Filho (PDT) 23,4%
Sandro Alex (PSD) 16,5%
Luiz França (Missão) 0,9%
Tayná Miessa (UP) 0,6%
Alexandre Salomão (Missão) 0,4%
Samuel de Mattos (PSTU) 0,1%
Adriano Teixeira (PCO) 0,0%

Com os números atuais, Moro e Requião Filho são os dois candidatos mais bem posicionados para chegar a um eventual segundo turno. A definição, naturalmente, dependerá dos votos válidos e do resultado efetivo da eleição.

Senado: Deltan lidera, mas situação jurídica é decisiva

Se a disputa pelo governo apresenta uma liderança bastante clara, o cenário para o Senado é bem mais apertado. O Paraná elegerá dois senadores em 2026, e a pesquisa mostra quatro nomes competitivos na disputa pelas duas cadeiras.

Deltan Dallagnol (Novo) aparece em primeiro lugar, com 34%. Alexandre Curi (PSD) registra 29,6%, Gleisi Hoffmann (PT) aparece com 28,1%, Filipe Barros (PL) soma 26% e Cristina Graeml (PSD) tem 17,2%.

Candidato Intenção de voto
Deltan Dallagnol (Novo) 34,0%
Alexandre Curi (PSD) 29,6%
Gleisi Hoffmann (PT) 28,1%
Filipe Barros (PL) 26,0%
Cristina Graeml (PSD) 17,2%

A diferença entre Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann é de apenas 1,5 ponto percentual. Já Gleisi está somente 2,1 pontos à frente de Filipe Barros. Na prática, portanto, a pesquisa aponta uma disputa bastante aberta pelas duas vagas.

Deltan pode ter candidatura indeferida

O resultado de Deltan exige uma ressalva jurídica importante. O ex-procurador da Operação Lava Jato teve seu registro de candidatura a deputado federal cassado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, em decisão que reconheceu causa de inelegibilidade relacionada à forma como deixou o Ministério Público Federal enquanto havia procedimentos disciplinares em andamento.

Agora, Dallagnol tenta disputar uma das duas vagas do Senado pelo Paraná. Para isso, apresentou à Justiça Eleitoral um Requerimento de Declaração de Elegibilidade, buscando afastar antecipadamente os efeitos da decisão anterior.

A questão, entretanto, está longe de ser pacífica. A discussão jurídica envolve justamente saber se a decisão do TSE de 2023 produz efeitos de inelegibilidade para a eleição de 2026. O TRE-PR deverá analisar a situação no processo de registro da candidatura, e uma eventual decisão poderá ser posteriormente submetida ao TSE.

O ponto central: Deltan lidera a pesquisa para o Senado, mas sua candidatura ainda está sujeita à análise da Justiça Eleitoral. Caso o registro seja definitivamente indeferido, a presença de seu nome na pesquisa não significará necessariamente uma candidatura válida nas urnas.

Votos podem perder validade

Mesmo que um candidato esteja com o registro questionado judicialmente e apareça na urna, isso não significa que seus votos estejam definitivamente garantidos.

A legislação permite, em determinadas circunstâncias, que candidatos com registro sub judice continuem realizando campanha e tenham seus nomes apresentados ao eleitor. Entretanto, a validade dos votos fica condicionada à situação definitiva do registro pela justiça eleitoral.

Assim, se a candidatura de Dallagnol for definitivamente indeferida pela Justiça Eleitoral, os votos eventualmente recebidos por ele poderão não produzir os efeitos de uma candidatura válida. É justamente esse fator que pode alterar completamente a leitura da pesquisa para o Senado.

O que aconteceria sem Dallagnol?

Se Dallagnol for impedido definitivamente de disputar a eleição, o cenário das duas vagas se torna ainda mais relevante. Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann aparecem atualmente em segundo e terceiro lugares, respectivamente, com Filipe Barros se aproximando dos primeiros colocados.

Por isso, não seria correto afirmar que Curi e Gleisi já estariam eleitos com base exclusivamente nesta pesquisa. O levantamento mostra uma vantagem numérica para os dois, mas, de acordo com a pesquisa Filipe Barros está praticamente empatado, dentro da margem de erro.

A eventual saída de Dallagnol, portanto, pode provocar uma redistribuição significativa das intenções de voto e transformar a corrida pelas duas cadeiras em uma disputa ainda mais acirrada entre Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann e Filipe Barros.

Pesquisa mostra cenários diferentes para governo e Senado

O levantamento apresenta dois retratos bastante diferentes da eleição paranaense. Para o Governo do Estado, Sergio Moro aparece na liderança, enquanto Requião Filho e Sandro Alex disputam a segunda posição.

A mesma pesquisa também nos faz observar que o primeiro, segundo e terceiro colocados na pesquisa têm, pela ordem, praticamente o dobro de votos de quem vem atrás. O cenário mais provável é de um segundo turno entre Moro e Requião Filho.

No Senado, por outro lado, a disputa está muito mais apertada. Deltan lidera numericamente, mas sua situação jurídica pode ser determinante. Logo atrás estão Curi e Gleisi, separados por poucos pontos percentuais.

Portanto, o principal dado político da pesquisa para o Senado não é apenas quem está na frente, mas a possibilidade de uma mudança no cenário caso a Justiça Eleitoral impeça Dallagnol de disputar.

Sobre a pesquisa

O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas foi realizado entre os dias 13 e 16 de agosto de 2026, com 1.520 eleitores em 65 municípios do Paraná. A margem de erro é de aproximadamente 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Outro ponto bastante relevante que precisa ser observado nesta rodada apresentada pelo Instituto Paraná Pesquisas, é que no cenário espontâneo, quando não é apresentado o nome dos candidatos, 59,5% do eleitorado não conhece ou não sabe em quem votar para o Governo do Estado. Já para o Senado o número é maior, 78,6% do eleitorado não sabe e/ou não opinou.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-09048/2026.

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