10.8.26

Requião Filho aposta em propostas

Depois do debate da Band, candidato do PDT diz que pretende trocar o embate direto pelo debate por propostas para o Paraná

Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) nos estúdios da Band Paraná - Reprodução

O debate termina, as câmeras se apagam e a disputa eleitoral continua, agora com a devida apresentação pública dos candidatos, no já tradicional Debate da Band, o primeiro realizado durante o período eleitoral. Sérgio Moro não compareceu, mas as campanhas de Requião Filho e Sandro Alex começaram para valer. É neste momento, durante esta semana, que vai repercutir em todo o estado o debate e os embates entre os candidatos. 

Em vídeo publicado nas redes sociais na tarde desta segunda-feira (10), o candidato do PDT afirma que não pretende entrar na lógica de uma disputa baseada apenas na agressividade. A ideia, segundo ele, é responder aos adversários com firmeza, mas concentrar a campanha na apresentação de propostas.

“Nessa eleição, todo mundo espera de mim o Requião do Velho Testamento. Pau, polícia e cacete. Só que nessa eleição, a gente tem muito mais proposta e muito mais conhecimento do Paraná...  Eles esperam de nós agressividade. Nós vamos entregar assertividade.”

A frase resume o tom que Requião Filho pretende imprimir à caminhada eleitoral. Em vez de transformar cada divergência em um novo confronto, o candidato diz que quer apresentar soluções para problemas que considera centrais para o Estado.

A manifestação também ocorre em meio às primeiras repercussões do debate da Band, realizado neste domingo (9). A ausência de Sergio Moro (PL) acabou alterando a dinâmica do encontro, que teve momentos de confronto mais direto entre Requião Filho e Sandro Alex (PSD).

Para o candidato do PDT, o debate não deve ser medido apenas pelos momentos de maior tensão. A proposta anunciada é levar a discussão para aquilo que acontece fora dos estúdios e das redes sociais: o cotidiano de quem vive no Paraná.

“Vamos apresentar propostas que já deram certo, que já demonstraram resultados, e aprimorá-las para a realidade do Paraná.”

É uma tentativa de mudar o centro da conversa. Em vez de fazer da eleição uma sucessão de ataques, Requião Filho procura apresentar a disputa como uma escolha entre diferentes projetos para o Estado. E, é o que é. Candidatos devem ser medidos por projetos e não por ataques pessoais.

Temas que entram no centro da campanha

Essa linha, aliás, não começou com o debate. Antes mesmo do encontro da Band, o candidato já havia sinalizado que pretende colocar no centro da campanha questões como emprego, saúde, impostos, segurança e desenvolvimento do interior.

São temas que, na prática, ultrapassam a disputa entre candidatos. Estão presentes no dia a dia de quem procura atendimento de saúde, de quem depende de emprego, de quem enfrenta a violência. Ouvir aqueles que vivem longe dos grandes centros e cobram do poder público oportunidades semelhantes às encontradas nas regiões mais desenvolvidas.

O desafio, agora, será transformar o discurso de campanha em propostas suficientemente concretas para que o eleitor consiga comparar caminhos diferentes para o Paraná.

O cenário eleitoral

Na pesquisa Quaest divulgada pela Band em 27 de julho, Requião Filho aparecia em segundo lugar na disputa pelo governo do Paraná, com 18% das intenções de voto.

No cenário de segundo turno apresentado pelo levantamento, o candidato registrava 37%, contra 20% de Sandro Alex.

Os números, porém, retratam apenas um momento da corrida eleitoral. Com a campanha ainda em construção e os debates começando a colocar os candidatos frente a frente. Novas posições podem surgir à medida que o eleitor conhecer melhor nomes, propostas e, principalmente, a capacidade de cada um de transformar discurso em projeto de governo.

Depois do primeiro debate, a mensagem de Requião Filho parece estar definida: se os adversários esperam mais confronto, ele pretende responder com propostas. A eleição, daqui para frente, dirá quanto espaço essa estratégia conseguirá conquistar no debate sobre o futuro do Paraná.

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