8.8.26

Petrobras no Paraná: soberania, emprego e transição energética podem caminhar juntas

Candidata ao Senado Federal pelo Paraná, deputada Gleisi Hoffmann faz visita ao Sindipetro-PR e assume compromisso com petroleiros paranaenses

Candidata ao Senado Federal pelo Paraná, deputada Gleisi Hoffmann faz visita ao Sindipetro-PR e assume compromisso com petroleiros paranaenses

A visita da deputada Gleisi Hoffmann ao Sindicato dos Petroleiros do Paraná (Sindipetro-PR), recoloca na mesa um debate que vai além da Petrobras. É uma discussão sobre soberania nacional, industrialização, segurança energética, fertilizantes e o futuro do trabalho no estado. E os números ajudam a entender por que essa agenda merece atenção.

A começar pela Araucária Nitrogenados (ANSA), a Fafen do Paraná. Depois de permanecer hibernada desde 2020, a fábrica voltou a produzir ureia em abril deste ano. A unidade tem capacidade para produzir 720 mil toneladas de ureia por ano, volume equivalente a cerca de 8% do mercado nacional, além de 475 mil toneladas anuais de amônia e 450 mil m³ de ARLA 32.

Não é pouca coisa. O Brasil está entre os maiores consumidores de fertilizantes do planeta — cerca de 8% do consumo mundial — e ainda depende fortemente do mercado externo. Segundo o Ministério da Agricultura, mais de 80% dos fertilizantes utilizados no país são importados. O Plano Nacional de Fertilizantes foi criado justamente para reduzir essa vulnerabilidade.

É nesse ponto que a defesa da incorporação da Fafen ao sistema Petrobras ganha uma dimensão estratégica: produzir aqui aquilo que o Brasil precisa importar significa reduzir vulnerabilidades, fortalecer a indústria nacional e dar mais segurança ao produtor rural.

E a própria Petrobras voltou a colocar os fertilizantes no seu planejamento. No Plano de Negócios 2026-2030, a companhia prevê investimentos no segmento de Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes, mantendo a ANSA, as fábricas da Bahia e de Sergipe e a UFN-III entre os ativos considerados para continuidade operacional.

Mas existe outro capítulo nessa história: a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). A Petrobras prevê ampliar sua capacidade de processamento no conjunto do parque nacional de refino de 1,8 milhão para 2,1 milhões de barris por dia até 2030, enquanto avança em combustíveis de menor intensidade de carbono e em projetos de eficiência energética. O Paraná está inserido nessa estratégia.

É justamente aí que a fala da deputada sobre transição energética com participação dos trabalhadores ganha força. Transição energética não precisa significar desindustrialização. Não precisa significar simplesmente fechar uma unidade, demitir trabalhadores e importar tecnologia.

Pode significar o contrário: usar a capacidade industrial que o Brasil já construiu para produzir energia mais limpa, desenvolver novas tecnologias, qualificar trabalhadores e preparar a indústria para a economia de baixo carbono.

A Petrobras informa que já reduziu em 36% suas emissões absolutas de gases de efeito estufa em relação a 2015, chegando a 50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025. Para os próximos anos, a companhia mantém metas de redução de emissões e prevê investimentos em transição energética, biocombustíveis, descarbonização e novas tecnologias.

Há, portanto, uma equação possível: mais indústria + mais soberania + mais empregos qualificados + menos emissões. E há uma pauta paranaense que continua aberta: a SIX, em São Mateus do Sul.

A unidade, que durante décadas integrou o patrimônio da Petrobras, tem capacidade de processamento de 5.800 toneladas de xisto por dia. A Petrobras concluiu a venda do ativo, de modo que qualquer discussão sobre sua retomada pela estatal passa necessariamente por uma decisão política e empresarial complexa.

Ainda assim, a discussão é legítima: qual deve ser o papel de ativos estratégicos para o desenvolvimento regional e para a soberania energética brasileira? No fundo, é disso que trata a Carta Compromisso recebida pela deputada Gleisi Hoffmann.

Não se trata apenas de defender uma empresa. Trata-se de decidir se o Paraná quer continuar sendo apenas fornecedor de matéria-prima e consumidor de tecnologia produzida fora ou se quer participar da construção de uma indústria nacional forte, tecnológica, ambientalmente responsável e capaz de gerar emprego e renda.

A Petrobras é uma empresa de economia mista. Mas sua dimensão estratégica para o Brasil ultrapassa os números de um balanço. No petróleo, no refino, nos fertilizantes, na pesquisa e agora também na transição energética, existe uma pergunta que precisa continuar sendo feita: que país queremos construir com aquilo que produzimos?

Para a deputada, a resposta passa por soberania, indústria, trabalhadores e desenvolvimento. E os números mostram que o debate está longe de ser apenas ideológico. É economia real. É Paraná. É Brasil.


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