19.8.26

Justiça rejeita acusação de fake news contra Arilson em publicação sobre Filipe Barros e Banco Master

Decisão do TRE-PR considerou que não ficou comprovada divulgação de informação falsa ou gravemente fora de contexto; novas revelações da investigação do Banco Master mantêm o caso no centro do debate político e judicial

A Justiça Eleitoral rejeitou a acusação apresentada pelo Partido Liberal (PL) do Paraná contra o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), que havia sido questionado por relacionar o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e a legenda ao Banco Master.

Na decisão, a desembargadora federal Claudia Cristina Cristofani concluiu que não ficou comprovada a divulgação de informação falsa ou gravemente fora de contexto. A magistrada também considerou que as manifestações de Arilson estavam inseridas no contexto de crítica política e debate eleitoral.

O processo teve origem em um vídeo gravado pelo deputado estadual em frente à sede do PL, em Curitiba. Na gravação, Arilson fez críticas a integrantes do campo político adversário e mencionou o Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro e posteriormente liquidada pelo Banco Central.

Segundo a decisão, as expressões utilizadas no vídeo apresentavam tom de ironia e crítica política. No caso específico de Filipe Barros, a defesa de Arilson apresentou documentos, projetos, requerimentos e reportagens que, segundo a decisão, serviam de base para os questionamentos feitos pelo parlamentar.

A Justiça, entretanto, não entrou no mérito de determinar se a interpretação política feita por Arilson a partir desse material era correta ou proporcional. O ponto analisado no processo eleitoral foi se a publicação configurava divulgação de informação falsa ou propaganda eleitoral irregular.

A decisão também rejeitou a alegação de que Arilson teria pedido diretamente aos eleitores que não votassem nos políticos mencionados. Conforme a análise judicial, a manifestação tinha caráter persuasivo e desfavorável aos adversários, mas não configurava pedido direto de não voto.

Investigação sobre Filipe Barros

A disputa judicial ocorre em meio a uma série de investigações sobre o Banco Master e às acusações políticas envolvendo diferentes agentes públicos.

No início de agosto, Arilson Chiorato protocolou na Polícia Federal, em Brasília, uma notícia de fato para pedir apuração sobre a atuação de Filipe Barros em assuntos relacionados ao banco. O pedido foi apresentado na capital federal porque, por ser deputado federal, Barros possui foro por prerrogativa de função.

Na ocasião, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o documento apresentado por Arilson solicitou diligências para verificar a origem de minutas legislativas e eventual contato com representantes do Banco Master. Barros negou favorecimento ao banco e afirmou que havia denunciado a instituição à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Tribunal de Contas da União.

O próprio deputado federal também já havia reagido publicamente às acusações. Em julho, classificou como “mentirosa” a afirmação de Arilson de que teria atuado em favor do Master e afirmou que pretendia reapresentar proposta relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos.

Até o momento, portanto, as acusações políticas e os pedidos de investigação não equivalem a uma conclusão judicial de que Filipe Barros tenha cometido crime ou favorecido ilegalmente o Banco Master.

Novas revelações aumentam pressão sobre o caso Master

O caso ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. Reportagem publicada em 18 de agosto informou que a Polícia Federal investiga dois ex-servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, por suspeitas de terem fornecido informações internas ao então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo a apuração, os dois participaram de um grupo de WhatsApp criado em 2025 com Vorcaro, no qual teriam sido compartilhados documentos e informações relacionadas à fiscalização do banco. A investigação também apura se os servidores receberam vantagens indevidas. Ambos negam irregularidades e suas defesas sustentam que contribuíram com as investigações e que os contatos tinham caráter institucional.

Outra reportagem publicada nesta semana revelou que instituições interessadas em adquirir ativos do Master chegaram a procurar o Banco Central em busca de garantias jurídicas diante da deterioração financeira da instituição. BTG Pactual e J&F, por meio do PicPay, teriam solicitado manifestações do BC para reduzir riscos relacionados a operações envolvendo ativos do grupo.

As investigações também continuam avançando na esfera do mercado de capitais. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou para 8 de setembro o julgamento de um processo que envolve Daniel Vorcaro, integrantes de sua família e outras pessoas por suspeitas de irregularidades relacionadas à emissão de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. O processo trata de fatos ocorridos antes mesmo de o Banco Master assumir a atual configuração.

O que a decisão da Justiça significa

A decisão do TRE-PR não declarou que todas as afirmações feitas por Arilson sobre Filipe Barros são verdadeiras, nem determinou que o deputado federal tenha cometido qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master.

O que a Justiça Eleitoral decidiu foi que, naquele processo, não ficou comprovado que Arilson tenha divulgado informação falsa ou gravemente fora de contexto, e que as manifestações analisadas estavam dentro dos limites do debate político.

A distinção é relevante porque o caso envolve, de um lado, acusações e questionamentos políticos e, de outro, investigações que ainda estão em andamento. Eventuais responsabilidades criminais ou administrativas dependem das respectivas apurações e das decisões das autoridades competentes.

Em declaração divulgada após a decisão, Arilson afirmou que a decisão confirma que suas manifestações estavam baseadas em informações que já faziam parte do debate público.

“Se existem documentos, projetos, requerimentos e reportagens, nós temos o direito e o dever de cobrar explicações.”

Arilson Chiorato

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio à crise financeira da instituição e às investigações sobre operações envolvendo carteiras de crédito. Daniel Vorcaro foi preso no âmbito das investigações e voltou a ser detido em 2026. As acusações são negadas pelas defesas dos investigados.

Com novas frentes de investigação abertas e processos ainda em andamento, o caso Master continua envolvendo autoridades do sistema financeiro, empresários e diferentes personagens da política brasileira. No Paraná, a decisão do TRE-PR encerra, neste processo específico, a acusação eleitoral apresentada contra Arilson pela publicação que relacionava Filipe Barros e o PL ao episódio.


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