Gleisi Hoffmann está percorre o estado, defendendo um projeto para o Paraná e carrega consigo uma história que pouca gente lembra: foi dela a iniciativa que acabou com os antigos 14º e 15º salários dos parlamentares
| Gleisi Hoffmann e Requião Filho, candidata ao Senado e candidato ao Governo do Paraná, caminham lado a lado pela Federação Progressista rumo às eleições 2026 - Foto: PDT Paraná/Reprodução. |
Há momentos em que a política deixa de ser apenas disputa de nomes e passa a ser também disputa de memória. Disputa de serviços e projetos colocados em prática para o bem do Paraná e do Brasil. Uma história de luta pelo que é certo e pelas pessoas que mais precisam, que agora percorre todo o estado.
Gleisi Hoffmann está novamente com o pé na estrada. Deputada federal pelo Paraná, ex-ministra e candidata ao Senado em 2026. Gleisi vem ampliando a presença no estado numa verdadeira maratona de encontros, reuniões, articulações e conversas políticas.
Não é uma caminhada pequena. O Paraná é grande, gigante, as distâncias são enormes. São 399 municípios, e a eleição para o Senado tem uma característica particular: são duas vagas, muitos candidatos e um eleitor que, na maioria das vezes, de acordo com pesquisas eleitorais recentes, ainda está longe de ter decidido seus dois votos, em especial no cenários de pesquisa espontânea, quando não são citados os nomes dos candidatos.
Nas pesquisas mais recentes, Gleisi aparece no grupo que disputa diretamente uma das vagas. A Genial/Quaest divulgada em julho mostrou Álvaro Dias na liderança e uma disputa embolada pela segunda cadeira, com Alexandre Curi, Deltan Dallagnol, Filipe Barros e Gleisi tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Agora, com a desistência de Álvaro Dias, de acordo com especialistas, ela deve aparecer em primeiro lugar nas próximas sondagens. E, outros levantamentos também colocaram a petista no pelotão de frente.
Uma mulher que conhece o caminho
Gleisi não está começando agora. Ela já foi senadora pelo Paraná, presidiu o PT nacional, comandou a Casa Civil no governo Dilma Rousseff, ocupou a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula e atualmente exerce mandato de deputada federal.
Sua trajetória é conhecida. Suas bandeiras e posicionamentos políticos também. O que às vezes fica esquecido, porém, são algumas decisões importantes tomadas por ela no exercício dos mandatos.
E uma delas merece ser lembrada.
Logo no começo de sua passagem pelo Senado, em fevereiro de 2011, Gleisi apresentou o Projeto de Decreto Legislativo 71/2011, propondo acabar com o pagamento dos chamados 14º e 15º salários aos deputados e senadores. Na época, o benefício era pago no início e no final de cada ano legislativo.
Gleisi foi a primeira a questionar justamente qual seria a justificativa para aquele dinheiro extra. A argumentação dela foi simples e eficientes. Ela teve a coragem de ser a primeira a dizer que as condições e a carga de trabalho dos parlamentares já não correspondia à realidade que havia originado o benefício.
E o Congresso acabou votando
Em maio de 2012, o Senado aprovou o projeto proposto por Gleisi. Meses depois, em 27 de fevereiro de 2013, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o fim dos chamados 14º e 15º salários. A medida acabou sendo promulgada em março daquele ano.
O dinheiro que antes era pago duas vezes por ano deixou de existir como remuneração extraordinária. A ajuda de custo passou a ter outra finalidade, vinculada ao início e ao final do mandato para despesas de mudança.
É uma história que merece ser contada porque revela uma coisa simples: algumas pautas populares não nascem de discurso de campanha. Nascem de decisões tomadas quando ainda não se sabe qual será o retorno político delas. E, naquele caso, Gleisi resolveu comprar uma briga dentro da própria instituição que integrava.
Política também tem memória
É claro que não dá para transformar isso numa explicação para todos os capítulos da carreira política de Gleisi. Afinal ela talvez seja a maior parlamentar que o Paraná já produziu até hoje.
Também seria incorreto afirmar, sem comprovação documental, que ela deixou de ser eleita ou sofreu uma derrota eleitoral por causa dessa iniciativa.
O que os fatos mostram é outra coisa: Gleisi apresentou a proposta, o Senado a aprovou, a Câmara confirmou e o benefício acabou. E isso é suficiente para recolocar a discussão no lugar certo. Em tempos em que muita gente promete cortar privilégios, vale olhar para quem efetivamente apresentou propostas para fazê-lo, foi lá e fez.
Agora, outra vez, o Paraná
A Gleisi de 2026 é diferente daquela senadora que chegou ao Congresso em 2011. O devir agiu em sua vida. Ela acumulou experiência, enfrentou crises políticas, ocupou espaços importantes no governo federal e passou a conhecer por dentro os corredores onde as grandes decisões nacionais são tomadas.
Agora ela quer voltar ao Senado. E sua campanha vem ganhando o Paraná. Nos últimos meses, sua agenda pelo estado passou por diferentes regiões e combinou encontros políticos, defesa de investimentos federais, desenvolvimento, infraestrutura, energia, tecnologia, fiscalização de entregas do Governo Federal e a própria relação do Paraná com o governo federal.
A candidatura também foi incorporada ao projeto do campo progressista para 2026. Gleisi aparece como um dos principais nomes do palanque que reúne diferentes forças políticas em torno da candidatura de Requião Filho ao governo estadual e da estratégia de reeleição do presidente Lula, que também de acordo com pesquisas recentes pode estar muito próximo de vencer no primeiro turno.
Não é apenas uma eleição para o Senado
Há algo maior em jogo. O Senado Federal já é, e continuará a ser, uma das arenas centrais da disputa política brasileira nos próximos anos. É ali que estarão discussões sobre orçamento, políticas públicas, direitos sociais e humanos, desenvolvimento, infraestrutura, segurança, energia, relações federativas e, inevitavelmente, os rumos da democracia brasileira.
Para o Paraná, eleger seus representantes significa também escolher quem terá voz diante dessas decisões. Gleisi apresenta uma característica que poucos candidatos conseguem reunir: conhece o estado, conhece Brasília, já viajou por todo o Brasil e conhece o funcionamento do governo federal.
As pessoas podem concordar ou discordar de suas posições políticas. Isso faz parte de toda democracia saudável. Mas é difícil negar que ela conhece o caminho e realmente sabe como fazer as coisas acontecerem.
Uma mulher que não foge de pegar a estrada
Talvez seja justamente por isso que a imagem desta campanha esteja cada vez mais associada à estrada. Dia após dia, cidade após cidade, reunião após reunião. Gente diferente, sotaques diferentes, problemas diferentes.
O Paraná não termina na Região Metropolitana de Curitiba, como também não começa em Brasília. Nosso Estado está junto com o trabalhador e a trabalhadora que pega ônibus de madrugada, na pequena empresária que tenta manter as portas abertas, no agricultor que depende da infraestrutura, no jovem e na jovem que procura seu primeiro emprego, na mãe que espera atendimento de saúde e no aposentado que faz contas antes de ir ao supermercado.
É para esse Paraná que uma candidatura ao Senado precisa olhar. E é nesse território que Gleisi está tentando construir sua volta ao Senado. Ela é um exemplo para toda mulher, paranaense e brasileira, que é candidata nessas eleições de 2026.
Gleisi é Bicho do Paraná
Há paranaenses que ganharam projeção nacional e acabaram ficando distantes de sua terra. Gleisi fez o caminho contrário. Sempre próxima às suas bases. Quanto maior foi o espaço que ocupou em Brasília, maior também se tornou a cobrança para que levasse o Paraná consigo. Agora, de volta à estrada, ela volta a transformar experiência nacional em busca da confiança e do voto da família paranaense.
Não é uma campanha fácil. A disputa pelas duas cadeiras do Senado promete ser uma das mais acirradas do estado. Mas Gleisi já demonstrou que sabe enfrentar eleições difíceis e, principalmente, que não costuma fazer política olhando apenas para o caminho mais confortável.
Em 2011, quando ainda começava sua passagem pelo Senado, decidiu enfrentar uma tradição que beneficiava os próprios parlamentares. Hoje, quinze anos depois, a paranaense volta a pedir, para os cidadãos e os cidadãs do seu estado, uma nova oportunidade para voltar a fazer acontecer a vontade popular no Senado Federal.
Talvez seja essa a parte da história que vale lembrar. Porque política também é memória. Antigamente dizia-se que o povo não tem memória, isso agora não é mais desculpa porque todos carregam a internet no bolso.
E, quando uma mulher que já ocupou alguns dos cargos mais importantes da República decide colocar novamente os pés na estrada, para disputar uma vaga pelo seu estado, vale prestar atenção.
Sim, Gleisi é uma figura central política nacional. Mas continua sendo uma mulher do Paraná. Uma paranaense que trabalha e sonha como qualquer outra. Que luta pela igualdade de gêneros, que quer trabalhar para cuidar das pessoas do nosso Estado.
E, para quem nasceu, cresceu e fez sua trajetória política por aqui, talvez não haja reconhecimento maior do que dizer: Gleisi Hoffmann é Bicho do Paraná.
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