22.7.26

Discord: quando o crime entra em casa pela tela do computador

Não é a tecnologia que comete crimes. São pessoas. Mas nenhuma plataforma pode fechar os olhos quando sua estrutura é utilizada por organizações criminosas ou quem quer que seja para aliciar crianças, pessoas neurodivergentes incentivando a violência e destruindo famílias

Por Ronald Sanson Stresser Junior | Sulpost | Artigo editado com auxílio de pesquisa realizada por I.A.

Não é a tecnologia que comete crimes. São pessoas. Mas nenhuma plataforma pode fechar os olhos quando sua estrutura é utilizada por organizações criminosas ou quem quer que seja para aliciar crianças, pessoas neurodivergentes incentivando a violência e destruindo famílias

Durante muito tempo, imaginamos que o perigo estivesse do lado de fora de casa. Trancamos os portões, instalamos câmeras, reforçamos fechaduras e procuramos proteger quem amamos. Enquanto isso, uma nova porta foi aberta silenciosamente. Ela cabe na palma da mão. Está no celular, no computador, no videogame conectado à internet e nos aplicativos que milhões de pessoas utilizam todos os dias.

É justamente por essa porta que organizações criminosas vêm encontrando acesso ao bem mais precioso de qualquer família: a mente de crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade emocional.

É importante deixar isso absolutamente claro desde o início.

O Discord não pratica crimes. Assim como uma rodovia não atropela ninguém e um telefone não comete estelionato, quem pratica crimes são pessoas que utilizam essas ferramentas com intenção criminosa.

Mas reconhecer isso não elimina outra discussão igualmente importante: qual é o dever de uma plataforma digital quando sua infraestrutura passa a ser utilizada, de forma reiterada, para o aliciamento de menores, incentivo à automutilação, maus-tratos contra animais, extorsão, pornografia infantil e outras formas de violência?

Os casos deixaram de ser exceção

Nos últimos anos, operações da Polícia Federal, das polícias civis brasileiras e de autoridades internacionais revelaram comunidades fechadas utilizadas para manipular psicologicamente adolescentes, compartilhar material criminoso, incentivar ataques contra pessoas vulneráveis e organizar desafios que envolvem crueldade extrema.

O tema deixou de ser restrito às delegacias especializadas e ganhou repercussão nacional em reportagens exibidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, além de investigações conduzidas pelo Ministério Público e por órgãos de segurança pública.

Os relatos são perturbadores.

Há investigações envolvendo indução à automutilação, chantagem emocional, exploração sexual de crianças e adolescentes, maus-tratos contra animais, incentivo à violência doméstica e ataques contra pessoas em situação de rua. Em diversos casos, os participantes eram estimulados a registrar tudo em vídeo para obter reconhecimento dentro dessas comunidades.

Não se trata de uma teoria conspiratória.

São fatos investigados pelas autoridades brasileiras e estrangeiras.

Quando a violência se transforma em desafio

Especialistas em segurança digital e psicologia explicam que muitos desses grupos funcionam como verdadeiras redes de manipulação emocional.

A vítima é acolhida, ganha atenção, cria vínculos e, aos poucos, passa a ser pressionada a cumprir tarefas cada vez mais violentas. Quem obedece recebe aprovação. Quem resiste sofre ameaças, chantagens e exposição pública.

Esse mecanismo pode atingir qualquer jovem, mas costuma encontrar terreno ainda mais fértil entre adolescentes socialmente isolados, pessoas com sofrimento psíquico, vítimas de depressão e indivíduos neurodivergentes que enfrentam dificuldades de interação social.

A internet, criada para aproximar pessoas, acaba sendo transformada por criminosos e pessoas que agem de má fé como instrumento de manipulação psicológica, numa espécie de robotização do ser humano.

A responsabilidade das plataformas precisa ser debatida

Nenhuma plataforma consegue impedir todos os crimes praticados por seus usuários. Mas também não parece razoável aceitar que empresas de tecnologia permaneçam apenas reagindo depois que tragédias acontecem.

Quando investigações revelam servidores utilizados reiteradamente para práticas criminosas, a sociedade tem o direito de exigir respostas. As plataformas também precisam investigar e denunciar as autoridades competentes essas atividades que violam os princípios constitucionais brasileiros.

Espera-se que plataformas digitais aperfeiçoem seus mecanismos de detecção, ampliem a cooperação com as autoridades brasileiras, preservem provas quando houver determinação judicial e adotem políticas mais rigorosas contra organizações criminosas que utilizam seus serviços.

Quem utiliza essas plataformas para estudar, trabalhar, jogar ou conversar com amigos não pode ser confundido com criminosos. A imensa maioria dos usuários faz uso legítimo dessas ferramentas. É justamente para proteger esses milhões de usuários honestos que o combate aos grupos criminosos precisa ser firme. Inclusive mais firme ainda em ano eleitoral, pois pode estar sendo usada como ferramenta de ódio político.

É hora de uma grande investigação

O Brasil não pode tratar cada operação policial como um caso isolado. Os indícios apontam para um fenômeno nacional e internacional que merece investigação aprofundada.

Polícia Federal, Ministérios Públicos, polícias civis, Poder Judiciário, Congresso Nacional e as próprias plataformas digitais precisam atuar de forma coordenada para identificar organizações criminosas, administradores de comunidades ilegais, financiadores, recrutadores e todos aqueles que utilizam a internet para destruir vidas, separando famílias e acirrando a polarização política ao ponto de violência psíquica e física. Afinal nossa constituição garante a inviolabilidade do lar e do pensamento.

Também é legítimo discutir o aperfeiçoamento da legislação e dos mecanismos de responsabilização previstos no ordenamento jurídico brasileiro, sempre respeitando a Constituição Federal, o devido processo legal e as garantias individuais. Os dispositivos telemáticos e computadores pessoais são janelas para dentro das nossas próprias casas e nós mesmos às vezes sem saber podemos estar sendo vítimas dessa nova espécie de crime.

A Constituição protege a liberdade. Também protege as famílias.

O artigo 5º da Constituição Federal assegura direitos fundamentais como a dignidade da pessoa humana, a proteção da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem. Essas garantias não podem ser relativizadas porque a violência passou a utilizar cabos de fibra óptica, aplicativos de mensagens e plataformas digitais.

Quando organizações criminosas conseguem invadir psicologicamente lares brasileiros por meio de computadores e celulares, o Estado tem não apenas o direito, mas o dever de agir.

Isso não significa censura. Não significa criminalizar a tecnologia. Muito menos perseguir usuários inocentes. Significa investigar com profundidade, responsabilizar criminosos, exigir cooperação efetiva das plataformas e proteger crianças, adolescentes e famílias brasileiras.

Chegou o momento de o Brasil enfrentar essa realidade com coragem. Porque a liberdade na internet jamais poderá servir de escudo para a barbárie, seja qual for a sua origem. Inclusive ao meu ver quando se viola um artigos, princípios constitucionais se trata de crime Federal. Os dados da internet circulam em pacotes por todo o país e às vezes até chegam a dar a volta ao mundo para trazer a informação até o dispositivo em sua casa ou que você carrega no bolso.

Combater o ódio desde a raiz

O debate também ganhou reforço no meio político. O deputado estadual Carlos Minc, do MDB do Rio de Janeiro, defendeu neste dia 22 de julho que o enfrentamento desse fenômeno precisa ir além da responsabilização dos autores diretos dos crimes.

Ao comentar o crescimento de investigações envolvendo incentivo à automutilação de adolescentes e à crueldade contra animais em comunidades virtuais, Minc afirmou que plataformas digitais precisam cumprir rigorosamente a legislação brasileira e colaborar efetivamente com as autoridades na identificação de usuários que utilizam esses ambientes para a prática de crimes.

Ao mesmo tempo, o parlamentar sustenta que o combate à violência não pode ficar restrito à esfera policial ou judicial. Segundo ele, famílias, escolas, educadores, profissionais da saúde e toda a sociedade precisam participar desse enfrentamento, fortalecendo vínculos afetivos e identificando precocemente sinais de manipulação psicológica entre crianças e adolescentes.

"Quem pratica violência contra animais pode reproduzir esse comportamento contra pessoas. Precisamos enfrentar as raízes do ódio e construir uma sociedade menos violenta e mais solidária." — Deputado Carlos Minc

A afirmação dialoga com estudos da criminologia e da psicologia forense que identificam a crueldade contra animais como um possível indicador de escalada da violência em parte dos agressores, embora cada caso deva ser analisado individualmente. Também coincide com o alerta de investigadores brasileiros de que grupos dedicados ao chamado "zoosadismo" frequentemente compartilham espaços com comunidades voltadas ao aliciamento de menores, à automutilação e a outras formas de violência extrema.


Este é um artigo de opinião do Sulpost. As posições expressas refletem a análise editorial do autor, jornalista responsável por este espaço, fundamentada em fatos públicos, investigações policiais, decisões judiciais e reportagens divulgadas por órgãos de imprensa e autoridades nacionais e internacionais. É jornalismo cidadão. E também denúncia pois tenho certeza que muita gente ao ler essa postagem poderá perceber que o crime está entrando dentro da sua casa através dessa rede, inclusive com desafios para que jovens cometam agressões e cumpram desafios propostos pelos praticantes dessa espécie de crime contra os mais velhos. Está na hora das autoridades federais, como Polícia Federal, STF e STE. Essas autoridades precisam agir com presteza e rapidez, pois faltam poucos meses para as eleições e essa ferramenta pode estar supostamente sendo usada inclusive por políticos de má-fé.

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