sexta-feira, 17 de julho de 2026

Tarifaço dos EUA vira munição política no Paraná, enquanto preocupação maior recai sobre empregos e indústria

Deputada Gleisi Hoffmann responsabiliza Eduardo e Flávio Bolsonaro pela crise comercial com os EUA

Crédito: reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras ganhou novos contornos políticos no Paraná. Nesta quinta-feira (16), a deputada federal e pré-candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT-PR), responsabilizou integrantes da família Bolsonaro pela escalada da crise comercial, afirmando que a atuação de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos colocou em risco a soberania nacional e milhares de empregos brasileiros, especialmente no Paraná.

Segundo Gleisi, a decisão de Washington ameaça diretamente a economia paranaense, cuja relação comercial com o mercado norte-americano movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano. O estado possui aproximadamente 700 empresas com parte significativa de seu faturamento vinculada às exportações para os EUA, sendo que 16 delas dependem desse mercado para mais de 90% da receita.

"A decisão anunciada em Washington pode atingir parte da economia do país e muito da economia do nosso estado", afirmou a deputada federal.

Madeira é o setor mais vulnerável

Entre todos os segmentos econômicos, a indústria madeireira aparece como a mais exposta aos efeitos da tarifa. Produtos como compensados, molduras, madeira serrada, pisos, portas e móveis representam aproximadamente 40% das exportações paranaenses destinadas ao mercado estadunidense.

A cadeia produtiva da madeira está presente em 266 municípios do Paraná e emprega mais de 38 mil trabalhadores, especialmente nas regiões dos Campos Gerais, Centro-Sul e Norte Pioneiro.

Empresas que fabricam produtos sob medida para compradores norte-americanos podem enfrentar maior dificuldade para redirecionar rapidamente suas vendas a outros mercados, o que pode resultar em cancelamento de contratos, redução da produção e até fechamento de turnos.

Acusações e contrapontos

Gleisi afirmou que Eduardo Bolsonaro teria incentivado medidas econômicas contra o Brasil ao defender, ainda em 2025, o uso de tarifas como instrumento de pressão política sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A deputada também acusou Flávio Bolsonaro de colocar interesses nacionais em segundo plano durante articulações políticas com Donald Trump e Marcos Rúbio, na Casa Branca.

As declarações representam a visão do cenário pela ótica da parlamentar, e o blog concorda com ela. Entretanto, o ato oficial do governo norte-americano, que instituiu a tarifa, não atribui sua decisão à atuação da família Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro até se manifestou publicamente contra a cobrança de 25% durante audiência realizada em Washington, no último dia 7 de julho. Na ocasião, o senador defendeu que a entrada em vigor da medida fosse adiada por 180 dias para permitir novas negociações. Ou seja, não foi contrário ao tarifaço, apenas pediu mais prazo, o que acabou não acontecendo.

Governo brasileiro contesta justificativas

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) justificou a tarifa alegando práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano, citando temas como serviços digitais, meios de pagamento, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O departamento estadunidense não fala sobre o Irã, segundo especialistas parece óbvio que o Irã fazer parte do BRICs incomoda os trumpistas, que desprezam o multilateralismo.

O governo brasileiro rejeita essas justificativas e argumenta que, ao longo dos últimos quinze anos, os EUA acumularam superávit de aproximadamente US$ 410 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil, contestando a narrativa de prejuízo comercial.

Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua negociando para ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa, incluindo madeira serrada, móveis e outros itens relevantes para a economia paranaense.

O Paraná no centro da disputa política

O tarifaço também entrou definitivamente na disputa eleitoral de 2026. Gleisi Hoffmann sustenta que Eduardo e Flávio Bolsonaro colocaram interesses políticos acima dos interesses nacionais e afirma que essa postura ameaça diretamente empregos e empresas do Paraná.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, é um dos principais apoiadores da pré-candidatura do senador Sérgio Moro (PL) ao Governo do Paraná. Diante desse cenário, a crise comercial também alimenta o debate sobre o modelo de liderança que os paranaenses desejam para conduzir o estado nos próximos anos.

Independentemente da disputa política, a preocupação mais imediata permanece econômica. Caso a tarifa entre em vigor em 22 de julho, trabalhadores e empresas poderão sentir rapidamente seus efeitos, especialmente nas regiões cuja economia depende da indústria madeireira e das exportações para o mercado norte-americano.

Ao mesmo tempo, cresce a expectativa para que os governos federal e estadual ampliem as negociações internacionais, garantam linhas de crédito às empresas afetadas e apresentem um diagnóstico detalhado dos municípios e setores mais vulneráveis ao impacto da medida.

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