Ao lado de Moro e Dallagnol, senador enfrentou questionamentos sobre Daniel Vorcaro, mas desviou o foco para ataques ao presidente Lula; episódio ocorre em meio às movimentações da corrida eleitoral de 2026 no Paraná
O sábado político em Curitiba teve duas cenas bem diferentes. Enquanto milhares de pessoas se reuniam no Tarumã para acompanhar o lançamento das pré-candidaturas de Requião Filho ao Governo do Paraná e de Gleisi Hoffmann ao Senado, outro evento, horas antes, reuniu figuras conhecidas da direita paranaense. Entre elas, Flávio Bolsonaro, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.
Mas foi um momento fora do roteiro que acabou chamando atenção. Durante uma entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro, manifestantes passaram a fazer perguntas sobre o empresário Daniel Vorcaro e sobre as controvérsias envolvendo o Banco Master. As cobranças eram diretas. A resposta veio por outro caminho.
Quando a pergunta é uma e a resposta é outra
Em vez de responder objetivamente aos questionamentos apresentados, Flávio Bolsonaro optou por atacar adversários políticos e ressuscitar uma estratégia bastante conhecida do debate público brasileiro.
"E o Lulinha?"
A partir dali, o senador passou a citar acusações e críticas direcionadas ao presidente Lula, ao governo federal e a pessoas ligadas ao PT, sem abordar diretamente o tema que motivava os protestos naquele momento.
O vídeo rapidamente começou a circular pelas redes sociais e grupos de mensagens, gerando comentários sobre a forma como a situação foi conduzida.
O silêncio que também falou
Outro detalhe não passou despercebido. Enquanto os questionamentos eram feitos, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol permaneceram ao lado de Flávio Bolsonaro observando a cena. Nas redes sociais, muitos usuários destacaram as expressões dos dois ex-integrantes da Operação Lava Jato, que acabaram se tornando tema de comentários e memes.
Em política, às vezes uma fotografia diz tanto quanto um discurso inteiro. Ao final Moro, e ainda não apresentou nenhum projeto, ao menos que tenha ganhado repercussão, para o estado do Paraná, embarco na narrativa.
"Nós estamos juntos combatendo o governo mais corrupto da história do país. O que fez ao Brasil o mensalão, onde o petrolão é o responsável pelos escândalos do Banco Master e da roubalheira do INSS...", disse Moro, seguindo a mesma narrativa da extrema-direita brasileira.
Perguntas que continuam no ar
Independentemente das preferências partidárias de cada eleitor, algumas perguntas seguem sem resposta pública. Os manifestantes queriam esclarecimentos sobre Daniel Vorcaro, sobre relações políticas e sobre temas que vêm sendo debatidos por adversários do bolsonarismo nas últimas semanas.
Em vez disso, o debate acabou migrando para uma troca de acusações entre grupos políticos, algo que já se tornou rotina no ambiente polarizado da política nacional. Como se tivesse que haver, em plena Era da Informação, forças opostas lutando dentro de um mesmo país para que ele seja grande.
O impacto na disputa pelo Paraná
A visita de Flávio Bolsonaro ocorre justamente quando começam a ganhar forma as articulações para a eleição estadual de 2026. A aproximação entre Flávio e Sérgio Moro certamente entrará na conta dos eleitores quando a campanha esquentar. Soma-se a isso o desgaste enfrentado por setores da direita após a votação da proposta que busca acabar com a escala 6x1.
No caso da deputada federal Rosângela Moro (PL-SP), esposa do pré-candidato ao Governo do Paraná, o voto contrário à medida continua sendo lembrado por sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores que defendem mudanças na jornada de trabalho brasileira.
Se tudo isso terá reflexo nas urnas, ainda é cedo para afirmar. Mas as próximas pesquisas de opinião poderão mostrar se a associação entre Moro, Flávio Bolsonaro e pautas rejeitadas por parte significativa dos trabalhadores terá na percepção do eleitorado paranaense.
A dúvida permanece
No fim das contas, ficou uma sensação difícil de ignorar. Quando alguém pergunta sobre Banco Master, Daniel Vorcaro e prestação de contas, mas a resposta é "E o Lulinha?", a pergunta inicial foi realmente respondida?
Por enquanto, essa continua sendo a principal questão deixada por mais este infame episódio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário