Na Venezuela, falhas crônicas na rede elétrica afetam água, transporte e hospitais. Em Cuba, apagões prolongados e escassez de combustível provocam protestos e desabastecimento - impacto de sanções internacionais e guerra agravam crise que atinge milhões de pessoas
| Cuba sem energia elétrica - AFP |
Quando a energia elétrica desaparece, não é apenas a luz que se apaga. Geladeiras deixam de funcionar, sistemas de abastecimento de água param, hospitais operam sob pressão e atividades básicas do cotidiano se tornam um desafio. Esse cenário vem se aprofundando em Cuba e na Venezuela, dois países que enfrentam uma das mais graves crises energéticas de sua história recente.
Embora cada país tenha suas particularidades, especialistas apontam uma combinação de fatores comuns: anos de investimentos pífios em infraestrutura, dificuldades econômicas persistentes, problemas de gestão e o peso das sanções internacionais, que dificultam o acesso a recursos financeiros, equipamentos e combustíveis.
Venezuela: um país rico em petróleo, mas com milhões vivendo às escuras
Apesar de possuir algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela continua convivendo com frequentes apagões e oscilações de tensão. Fora da capital, Caracas, interrupções no fornecimento de energia fazem parte da rotina de grande parte da população.
Os efeitos vão muito além do desconforto doméstico. Falhas no sistema elétrico comprometem o abastecimento de água, prejudicam o funcionamento de unidades de saúde, afetam o transporte público e provocam perdas de alimentos e medicamentos que dependem de refrigeração.
Especialistas internacionais estimam que boa parte da capacidade de geração do país permanece fora de operação. A recuperação completa do sistema exigiria investimentos bilionários e vários anos de obras e modernização.
Nos últimos dias, o governo venezuelano anunciou novos acordos para tentar recuperar parte da capacidade energética nacional e atrair investimentos para o setor, numa tentativa de reduzir a vulnerabilidade da rede elétrica, mas a crise preocupa.
Cuba: combustível escasso e protestos após longos apagões
Em Cuba, a situação se tornou ainda mais dramática. O sistema elétrico nacional continua operando com grandes déficits de geração, obrigando milhões de pessoas a enfrentar apagões que, em algumas regiões, ultrapassam 20 horas por dia.
A escassez de combustível é apontada pelas autoridades como um dos principais fatores da crise. A Venezuela era o maior fornecedor da ilha caribenha, mas o país também comprava o petróleo do Irã. Com dificuldades para importar petróleo e derivados, diversas usinas operam abaixo da capacidade ou permanecem paradas.
O impacto é sentido em toda a economia. Alimentos estragam, sistemas de refrigeração deixam de funcionar, o transporte enfrenta limitações e serviços essenciais passam a operar em condições precárias.
O agravamento da situação levou moradores de diferentes localidades a protestar contra os cortes prolongados de energia. As manifestações refletem a crescente insatisfação popular diante das dificuldades enfrentadas diariamente. Em Cuba a crise não é só humanitária, é também política. O povo está nas ruas e a temperatura sobe a cada dia.
Guerra no Oriente Médio aumenta incertezas
Enquanto Cuba e Venezuela tentam administrar suas crises internas, a instabilidade internacional adiciona novas preocupações. O conflito envolvendo o Irã e as tensões com os Estados Unidos continuam influenciando os mercados globais de energia.
Mesmo com sinais de redução temporária das tensões diplomáticas, as sanções contra Teerã permanecem em vigor. Isso contribui para manter o mercado de combustíveis sob pressão e afeta especialmente países que dependem de importações energéticas para sustentar suas economias.
Uma crise que vai além da eletricidade
O que acontece em Cuba e na Venezuela já não pode ser visto apenas como um problema de geração de energia. A falta de eletricidade compromete o acesso à água potável, à alimentação, à saúde e à mobilidade urbana, criando um efeito dominó que atinge diretamente a qualidade de vida da população.
Para milhões de cubanos e venezuelanos, a crise energética deixou de ser uma questão técnica. Ela passou a determinar o funcionamento da vida cotidiana, transformando-se em um dos principais desafios humanitários da América Latina na atualidade.
Os Estados Unidos tem uma grande parcela de culpa no sofrimento essas duas nações. Devido a interesses econômicos e geopolíticos, o governo Trump endureceu as já pesadas tarifas e embargos aos produtos venezuelanos e cubanos. Nessa, e em outras questões, parece faltar humanidade ao presidente estadunidense.
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