quinta-feira, 9 de abril de 2026

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam, prisão de “Sancho Loko” amplia crise e Assembleia debate violência policial

Casos recentes, relatos internos e audiência pública expõem tensão crescente entre atuação policial, controle institucional e confiança da população

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam, prisão de “Sancho Loko” amplia crise e Assembleia debate violência policial. Casos recentes, relatos internos e audiência pública expõem tensão crescente entre atuação policial, controle institucional e confiança da população.
Ilustração: IA/Sulpost

O que começa como uma suspeita isolada, às vezes, cresce em silêncio — até se tornar impossível ignorar. No Paraná, uma sequência recente de denúncias envolvendo policiais militares passou a formar um quadro mais amplo, mais sensível — e cada vez mais difícil de tratar como episódios desconectados.

Drogas que desaparecem. Operações suspeitas. Violência fora do protocolo. Prisões de agentes. E, no meio disso tudo, vozes que começam a emergir — de dentro e de fora das instituições. O cenário já não é apenas policial. É político, social e institucional.

300 quilos de crack e uma diferença que não fecha

O ponto de partida dessa sequência remonta a uma apreensão realizada em outubro do ano passado, em Campo Largo. Cerca de 300 quilos de crack teriam sido recolhidos — mas apenas 30 quilos foram oficialmente apresentados.

A diferença — aproximadamente 270 quilos, avaliados em até R$ 45 milhões — acendeu um alerta dentro da própria Polícia Militar. Nove policiais passaram a ser investigados. Parte deles foi afastada e perdeu o porte de arma.

Mas o caso rapidamente deixou de ser apenas sobre números.

Violência, sequestro e conexões com o tráfico

Com o avanço das investigações, surgiram conexões com episódios mais graves. No bairro Sítio Cercado, um homem foi retirado de casa por indivíduos que se apresentavam como agentes do Gaeco. Horas depois, foi encontrado morto.

Relatos apontam que vítimas foram levadas a locais isolados e pressionadas a revelar o paradeiro de uma carga de drogas desaparecida.

A principal linha investigativa considera que o sumiço da droga pode ter alimentado disputas no tráfico — com reflexos diretos em crimes violentos na Região Metropolitana de Curitiba.

PMs investigados e operações sob suspeita

Uma abordagem na BR-369 ampliou ainda mais o alcance das suspeitas. Entre os envolvidos em uma ação ligada à busca por drogas, estavam policiais militares — hoje também investigados.

Os elementos começaram a se sobrepor:

  • drogas desaparecidas
  • operações com aparência oficial
  • violência associada a disputas criminosas
  • e agentes públicos sob investigação

Prisão de “Sancho Loko” aprofunda crise

Na terça-feira (7), a crise ganhou um novo capítulo — desta vez com prisão. O policial militar Júnior Sancho Cambuhy, conhecido como “Sancho Loko”, foi preso em Curitiba durante operação do Gaeco.

Outros dois policiais também foram alvos da ação. A investigação apura suspeitas de:

  • tortura
  • fraude processual
  • lesão corporal
  • falsidade ideológica

Foram apreendidos celulares, munições, dinheiro e materiais encontrados inclusive dentro de uma unidade policial, além de porções de drogas.

Com mais de 260 mil seguidores, Sancho havia se tornado uma figura pública nas redes sociais, exibindo bastidores da rotina policial.

A defesa afirma que ele é inocente e que os materiais apreendidos são compatíveis com sua atuação como instrutor de tiro.

O debate chega à Assembleia

No mesmo dia em que a operação ganhava repercussão, o tema já ocupava outro espaço — o político.

A Assembleia Legislativa do Paraná realizou uma audiência pública para debater a violência policial no estado e lançar a campanha “É seguro pra você, e é seguro pra mim”. O encontro reuniu parlamentares, especialistas, entidades e familiares de vítimas.

Entre os pontos levantados:

  • preocupação com o aumento de casos envolvendo uso excessivo da força
  • internações compulsórias 
  • defesa do uso de câmeras corporais
  • necessidade de maior controle externo das ações policiais

Especialistas destacaram que há questionamentos sobre a forma como mortes em supostos confrontos vêm sendo registradas e investigadas.

“Eu agradeço por estar vivo”

Entre os depoimentos, um dos mais marcantes foi o de Nelson da Força Sindical, metalúrgico da Grande Curitiba. Em tom emocionado, ele relatou uma experiência direta com abordagem policial.

“Eu quero primeiro agradecer por estar vivo”, disse.

O relato conecta o debate institucional a experiências concretas vividas fora dos gabinetes. Nelson afirmou que precisou reunir provas por conta própria e criticou a ausência de registros oficiais por parte da polícia.

“A polícia até agora não apresentou nada na câmera. Nós temos tudo filmado”, afirmou.

Ele também fez denúncias sobre atuação policial em áreas industriais e periféricas:

“A polícia vai na porta de fábrica… e na favela vai de madrugada. Quem me agrediu não foi soldado. Foram oficiais”.

O depoimento foi recebido em um ambiente marcado por relatos semelhantes de familiares e representantes da sociedade civil.

Entre o confronto e o controle

Em meio às investigações, denúncias e debates públicos, a Polícia Militar afirma que irá apurar os casos e reforça compromisso com a legalidade. Mas o momento é de pressão crescente.

De um lado, a necessidade de garantir segurança em um cenário complexo. Do outro, a exigência de controle, transparência e confiança.

Entre esses dois polos, o que se desenha no Paraná é mais do que uma crise pontual — é uma discussão aberta sobre os limites, os métodos e o futuro da segurança pública no estado.

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