Após meses de especulações, bastidores sindicais apontam Sérgio Butka para a Câmara Federal e Nelsão da Força para a Assembleia Legislativa do Paraná
Segundo apuração do Sulpost, lideranças ligadas ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e à Força Sindical do Paraná trabalham na construção de um projeto eleitoral próprio para as eleições de 2026.
Nos bastidores, o nome do presidente do SMC e da Força Sindical Paraná, Sérgio Butka (PT), aparece como principal aposta para uma candidatura à Câmara dos Deputados. Já o primeiro vice-presidente do SMC e também da Força Sindical, Nelsão da Força (PT), estaria colocando seu nome à disposição para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná.
A movimentação reforça uma tendência antecipada pelo Sulpost ainda em 31 de março, quando o blog revelou que o sindicalismo buscava alternativas. A ideia é ampliar sua representação institucional diante da redução do número de parlamentares diretamente identificados com as pautas dos trabalhadores.
Uma construção que não começou agora
Na reportagem publicada no início do ano, Butka já demonstrava preocupação com o que considera um vazio de representação da classe trabalhadora nos espaços de poder.
Na ocasião, o dirigente afirmou que cada vez menos deputados estaduais e federais assumem a defesa das bandeiras históricas dos trabalhadores, dificultando a tramitação de pautas relacionadas ao emprego, à renda, à valorização salarial e aos direitos sociais.
O diagnóstico permanece atual. E é justamente a partir dele que surge a possibilidade de o próprio movimento sindical ocupar os espaços que considera abandonados pela política tradicional.
O currículo recente do SMC
Caso a dobradinha seja confirmada, ela chegará à disputa eleitoral respaldada por uma das estruturas sindicais mais organizadas do Sul do Brasil.
Nos últimos anos, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) esteve à frente de negociações consideradas referência nacional envolvendo montadoras, autopeças e grandes indústrias instaladas na Região Metropolitana de Curitiba.
Sob a liderança de Sérgio Butka, o sindicato participou de acordos coletivos que garantiram reajustes salariais acima da inflação em diversos segmentos, negociações de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), manutenção de postos de trabalho durante períodos de instabilidade econômica e defesa de investimentos produtivos no setor industrial paranaense.
O SMC também teve papel relevante em debates sobre reindustrialização, qualificação profissional, proteção do emprego e fortalecimento da cadeia automotiva instalada no Paraná, uma das mais importantes do país.
Butka: experiência e articulação
Com décadas de atuação sindical, Sérgio Butka se consolidou como uma das principais lideranças trabalhistas do Paraná. Além de presidir o SMC, ocupa a presidência da Força Sindical Paraná e da Federação dos Metalúrgicos do estado.
Ao longo dos anos, construiu reputação de negociador habilidoso em campanhas salariais e acordos coletivos complexos, participando diretamente de algumas das maiores negociações envolvendo a indústria automotiva brasileira.
Sua atuação também ultrapassou os limites do movimento sindical, alcançando espaços de formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, à indústria e ao trabalho.
Nelsão: presença constante na base
Ao lado de Butka surge Nelsão da Força, atual primeiro vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e dirigente reconhecido pela forte presença junto à base da categoria.
Nos últimos anos, Nelsão participou ativamente de assembleias, campanhas salariais, negociações coletivas, mobilizações trabalhistas e articulações políticas voltadas à defesa dos trabalhadores da indústria.
Seu nome também ganhou visibilidade por manter diálogo permanente com diferentes segmentos do movimento sindical e social. Ele também denunciou tentativa de cerceamento do direito de greve e violência policial no Paraná, que sofreu durante a greve na Brose do Brasil, tornando-se uma das lideranças mais conhecidas da estrutura da Força Sindical na Grande Curitiba.
Entre trabalhadores e dirigentes, é visto como uma liderança de perfil agregador, com trânsito tanto nas fábricas quanto nos espaços de articulação política. O Nelsão está sempre em todas as mobilizações e ao lado de todos os trabalhadores.
Uma dobradinha considerada fortíssima
Nos bastidores do sindicalismo e da política paranaense, a avaliação é praticamente consensual: caso as pré-candidaturas sejam confirmadas, Sérgio Butka e Nelsão da Força formarão uma das dobradinhas mais fortes já organizadas pelo movimento sindical do Paraná.
A combinação une experiência, estrutura, reconhecimento junto à categoria e presença territorial construída ao longo de décadas de atuação sindical.
Enquanto Butka reúne prestígio estadual e projeção nacional dentro do movimento dos trabalhadores, Nelsão mantém forte inserção na base operária e nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba.
Mais do que dois nomes, a eventual chapa simbolizaria a entrada formal do SMC na disputa eleitoral de 2026, levando para as urnas uma estrutura que representa milhares de trabalhadores da indústria paranaense.
As definições oficiais ainda dependem das articulações partidárias e do calendário eleitoral. Por enquanto o que estamos relatando ocorre nos bastidores. Mas entre dirigentes, sindicalistas e trabalhadores, cresce a percepção de que o SMC encontrou seus principais representantes para disputar espaço nas casas legislativas.
Se a força construída nas fábricas será transformada em votos, somente as urnas poderão responder. O fato é que o sindicalismo paranaense parece cada vez mais disposto a trocar a condição de espectador pela de protagonista na política estadual e nacional.

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