Líder sindical Nelson Silva, o Nelsão da Força, propõe vaquinha nacional para sustentar salários e manter luta dos trabalhadores da Brose
O dia amanheceu tenso na porta da fábrica. Em frente à unidade da Brose, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, trabalhadores voltam a se reunir nesta quinta-feira para decidir os próximos passos de uma greve que já atravessa mais de um mês.
São 36 dias de paralisação — tempo suficiente para transformar o que começou como um impasse trabalhista em um conflito que agora mobiliza sindicato, empresa, autoridades públicas e até a própria sociedade.
Logo cedo, o dirigente sindical Nelson Silva, o Nelsão da Força, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), divulgou vídeos em suas redes sociais fazendo um apelo direto aos trabalhadores.
A mensagem é clara: manter a mobilização e fortalecer a solidariedade para sustentar a greve.
“Se precisar, vamos fazer uma vaquinha no Brasil inteiro”
No vídeo divulgado pela manhã, Nelsão afirmou que recebeu diversas mensagens de trabalhadores preocupados com a possibilidade de descontos salariais ou empréstimos para compensar os dias parados.
Ele defende que a luta continue e sugere a criação de um fundo coletivo caso o sindicato não consiga cobrir integralmente os salários.
“Essa luta começou e já vai fazer 36 dias. Se tiver que aguentar 30, 60 ou 90 dias, vamos aguentar. Temos que discutir com o sindicato e com a categoria para garantir o salário de quem está em greve, sem desconto.”
O dirigente foi além: disse estar disposto a mobilizar solidariedade nacional.
“Se for o caso, eu me proponho a criar um link e fazer uma vaquinha no Brasil inteiro para ajudar essa greve. Nós não podemos perder para a direção da empresa.”
Segundo ele, a paralisação envolve atualmente cerca de 60 a 70 trabalhadores diretamente impactados.
Greve foi marcada por confronto com a Polícia Militar
O conflito trabalhista ganhou novos contornos no fim de fevereiro. No dia 26 de fevereiro, trabalhadores grevistas da Brose realizaram uma manifestação em frente à fábrica e denunciam ter sido alvo de um ataque da Polícia Militar do Paraná.
De acordo com relatos dos operários, a ação ocorreu durante uma tentativa de assembleia organizada pelo sindicato. Trabalhadores afirmam que houve repressão policial ao movimento, episódio que intensificou a tensão entre grevistas, empresa e autoridades estaduais.
Após o confronto, os operários organizaram uma marcha até a Praça 19 de Dezembro, no centro de Curitiba, onde fica parte da estrutura administrativa do governo estadual.
Denúncias à Superintendência do Trabalho
Depois da manifestação, representantes dos trabalhadores participaram de uma reunião com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Paraná (SRTE-PR).
Na ocasião, os grevistas denunciaram práticas que consideram ilegais durante o movimento, entre elas:
- contratação de trabalhadores temporários durante a greve,
- pressões internas dentro da empresa,
- e ações da Polícia Militar contra os manifestantes.
A empresa foi convidada a participar da reunião, mas, segundo os trabalhadores, não enviou representantes. Ainda naquele dia, em assembleia, a categoria decidiu manter a greve e ingressar com dissídio coletivo na Justiça do Trabalho.
Decisão desta quinta pode ser adiada
Apesar da assembleia prevista para hoje, Nelsão também pediu cautela aos trabalhadores antes de qualquer decisão definitiva sobre o futuro da paralisação.
Em outro vídeo divulgado nesta manhã, o dirigente explicou que há movimentações jurídicas e institucionais em andamento, o que pode influenciar diretamente o destino da greve.
“Hoje também vai ter um julgamento do destino da greve. Qualquer decisão tomada agora pode ser precipitada. Pode ser favorável a nós ou não.”
Por isso, ele sugeriu que a categoria avalie adiar a decisão final para sexta-feira ou para o início da próxima semana, quando o cenário institucional deve estar mais claro.
Demissões e contratações aumentam tensão
O clima de conflito se intensificou nas últimas semanas. Segundo lideranças sindicais, a empresa não respondeu às demandas apresentadas pelos trabalhadores e estaria realizando demissões e contratações durante o movimento grevista — situação que aumenta a pressão dentro da fábrica.
A possibilidade de uma mobilização mais ampla, envolvendo políticos e a sociedade civil, também foi levantada pelo dirigente. “Vamos conversar com os políticos, com a Justiça e com o sindicato”, afirmou.
Uma luta que ultrapassa os portões da fábrica
A greve na Brose, multinacional do setor automotivo instalada em uma das maiores regiões industriais do Paraná, começa a ganhar contornos mais amplos. Um apelo por mobilização social que — com a possibilidade de financiamento coletivo — mostra que a disputa ultrapassou os limites da empresa e agora integra o debate público sobre direitos trabalhistas e sobre o próprio trabalhismo.
No centro dessa história estão trabalhadores que, há mais de um mês, permanecem em vigília diante da fábrica — esperando uma negociação que, até agora, não chegou.
Atualização — Nelsão da Força pede solidariedade nacional para metalúrgicos
Pouco após o fechamento dessa reportagem, a voltei a ser procurado pelo dirigente sindical Nelson Silva, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC). Ele pediu reforço, por parte do blog, num ponto que considera central neste momento da greve: a necessidade da solidariedade das pessoas diante da situação enfrentada pelos empregados da Brose.
Segundo o sindicalista, a indignação entre os operários cresce à medida que a paralisação se prolonga sem que haja sequer alguma proposta de negociação por parte da empresa. Nelsão também critica os episódios de violência contra trabalhadores relatados durante as mobilizações e afirma que eles não podem ser tratados com repressão enquanto lutam por direitos básicos, constitucionais.
O vice-presidente do SMC afirma que muitos grevistas já estão enfrentando severas dificuldades para manter até mesmo despesas essenciais — como alimentação, medicamentos, contas de água, luz e outras necessidades domésticas — e que a categoria não pretende “voltar de cabeça baixa” diante do impasse criado pela empresa.
Por isso, ele voltou a defender a criação de uma campanha pública de apoio aos trabalhadores em greve.
A proposta, segundo o dirigente, é mobilizar entidades sindicais, representantes políticos e a própria sociedade civil para dar suporte à luta dos metalúrgicos da Brose, por pelo menos três meses, caso a greve continue.
“O trabalhador é o principal patrimônio de qualquer empresa. O que pedimos é respeito, negociação e dignidade para a categoria”, afirmou Nelsão.
A assembleia que acontece hoje pode indicar se a paralisação seguirá adiante ou se a categoria aguardará os próximos desdobramentos judiciais, para poder tomar uma decisão definitiva. Uma coisa, porém, parece clara: a greve da Brose entrou num momento decisivo.


Nenhum comentário:
Postar um comentário