Financiada pela Itaipu Binacional, unidade será referência em atendimento humanizado e integrado a mulheres em situação de violência no interior do Paraná
| Representantes do Governo Federal e técnicas de Itaipu, na obra em Foz do Iguaçu - Rubens Fraulini/Itaipu Binacional |
O concreto ainda está fresco em alguns pontos da obra. Pedreiros circulam entre estruturas recém-erguidas enquanto empreiteiros observam plantas e cronogramas. Em meio ao barulho das ferramentas e ao vai-e-vem da construção, surge algo maior do que um prédio: a promessa de um espaço de acolhimento para mulheres que enfrentam violência.
Na manhã desta segunda-feira (9), representantes do governo federal visitaram as obras da Casa da Mulher Brasileira de Foz do Iguaçu, um projeto que nasce com ambição de ser referência no atendimento humanizado e integrado às vítimas de violência na região da tríplice fronteira.
Financiada pela Itaipu Binacional, a unidade será a primeira do programa em uma área de fronteira no Brasil e também a primeira instalada no interior do Paraná. A agenda reuniu representantes do Ministério das Mulheres, autoridades municipais e estaduais, integrantes do sistema de Justiça, forças de segurança e equipes técnicas da Itaipu e do Itaipu Parquetec.
Uma rede de proteção em construção
A visita foi acompanhada pela representante da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Maura Souza, que destacou que este é apenas o primeiro passo de um processo de acompanhamento que seguirá até a entrega da unidade.
Segundo ela declarou à Sala de Imprensa da Itaipu, novas visitas técnicas já estão previstas.
“Vamos ter uma outra etapa, provavelmente em maio, com a presença da nossa secretária nacional, para fazer uma reunião com toda a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres no município e no estado”, explicou.
A ideia é que a Casa funcione como um verdadeiro centro integrado de serviços. Para isso, o governo federal pretende formalizar um acordo de cooperação técnica envolvendo estado, município e os três poderes, garantindo que todas as instituições atuem de forma coordenada.
Para a gerente da Divisão de Iniciativas de Responsabilidade Social da Itaipu, Luciany dos Santos Franco, a presença de diferentes instituições na visita simboliza justamente essa construção coletiva.
“O acompanhamento dos parceiros mostra o comprometimento coletivo com o projeto e reforça que todos estamos alinhados em torno de um mesmo objetivo”, disse Luciany.
Um modelo inspirado fora do Brasil
Entre os visitantes estava também Vanda Pignato, consultora do Ministério das Mulheres e idealizadora do programa Cidade Mulher, experiência de El Salvador que inspirou o modelo brasileiro de atendimento integrado.
Para ela, o perfil tecnológico e inovador da Itaipu ajuda a impulsionar políticas públicas mais ousadas no enfrentamento à violência de gênero.
“Como a Itaipu é uma empresa tão moderna, podemos nos atrever a ter ideias mais inovadoras e fazer um modelo de política pública que combata o que leva à violência”, afirmou a consultora.
Um único espaço para quebrar o ciclo da violência
O projeto integra o programa federal Mulher: Viver sem Violência, criado para reunir em um único espaço serviços que normalmente estariam espalhados pela cidade.
Na prática, isso significa atendimento 24 horas com delegacia especializada, apoio psicossocial, orientação jurídica, juizado ou varas especializadas, promoção de autonomia econômica, brinquedoteca para crianças, alojamento temporário e até central de transportes para deslocamento das vítimas.
A delegada-chefe da Delegacia da Mulher de Foz do Iguaçu, Giovanna Antonucci, explicou que essa integração pode mudar completamente a experiência da vítima dentro do sistema de proteção.
Hoje, muitas mulheres precisam percorrer diferentes órgãos — como delegacia, IML e Defensoria Pública — para conseguir acessar todos os serviços necessários. Com a Casa da Mulher Brasileira, tudo estará concentrado em um único local.
A promotora de Justiça Rayanne Hagge Berti reforçou que o espaço deve representar algo essencial para quem chega fragilizada: segurança. Segundo ela, a mulher encontrará ali um ambiente acolhedor, com acesso à Justiça sem precisar enfrentar a burocracia de diferentes instituições.
Um projeto que olha para o futuro
O Ministério das Mulheres possui atualmente 32 novas Casas da Mulher Brasileira em implantação em diferentes regiões do país.
Em Foz do Iguaçu, a previsão é que a construção física seja concluída até outubro deste ano. Depois disso, virão as etapas de mobiliário, equipagem e integração da rede de serviços.
A expectativa é que o espaço esteja totalmente preparado para iniciar o atendimento à população no primeiro semestre de 2027. Quando abrir as portas, a Casa não será apenas um prédio público. Será, para muitas mulheres, a primeira porta segura depois de uma longa noite de silêncio.
E isso, na fronteira de três países, pode significar muito mais do que política pública. Pode significar recomeço.

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