Reajuste acompanha a inflação, evita perdas maiores, mas mantém aposentados sem ganho real
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| Fachada do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - Agência Senado/Flickr |
A aposentadoria continua sendo um dos maiores sonhos — e também uma das maiores angústias — de quem vive do próprio trabalho no Brasil. Em meio a regras cada vez mais duras para se aposentar, o reajuste anual dos benefícios acaba funcionando mais como um freio contra perdas do que como um avanço real na qualidade de vida dos aposentados.
A partir de fevereiro, os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem acima de um salário mínimo terão um reajuste de 3,9%. Com a correção, o teto da Previdência Social sobe de R$ 8.157,40 em 2025 para R$ 8.475,55 em 2026.
O percentual corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador mede a inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos — justamente o perfil predominante dos segurados do INSS.
Reajuste recompõe perdas, mas não garante avanço
O aumento de 3,9% será pago integralmente aos segurados que já recebiam aposentadoria ou pensão acima do salário mínimo em 1º de fevereiro de 2025. Para quem passou a receber o benefício após essa data, o reajuste será proporcional ao número de meses em que o pagamento foi feito.
Segundo o INSS, 13,25 milhões de beneficiários recebem acima do piso nacional. Já 21,9 milhões de pessoas, cerca de 62,5% do total de aposentados e pensionistas, ganham exatamente um salário mínimo, que subiu de R$ 1.580 para R$ 1.618.
Por mais um ano consecutivo, quem recebe acima do mínimo não terá aumento real. O reajuste apenas recompõe o poder de compra corroído pela inflação. Já os beneficiários do salário mínimo tiveram ganho real de 2,5%, conforme a política aprovada pelo Congresso no fim de 2024, limitada pelo arcabouço fiscal.
Calendário de pagamentos
- Benefícios de um salário mínimo: pagamentos entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro;
- Benefícios acima do mínimo: pagamentos com reajuste de 3,9% entre 2 e 6 de fevereiro.
A data exata varia conforme o número final do cartão de benefício, desconsiderando o dígito verificador.
Tabela de contribuição também muda
O reajuste de 3,9% também atualiza a tabela de contribuição do INSS, utilizada por trabalhadores com carteira assinada e empregados de empresas estatais.
| Salário de contribuição | Alíquota | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 1.621,00 | 7,5% | R$ 0,00 |
| De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 | 9% | R$ 23,66 |
| De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 | 12% | R$ 110,75 |
| De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 | 14% | R$ 197,83 |
Fonte: INSS
Como consultar o benefício
O extrato com os novos valores estará disponível nas próximas semanas pelo site e aplicativo Meu INSS. Quem não tem acesso à internet pode ligar para o telefone 135, informando o CPF e confirmando dados cadastrais.
Entre o alívio e a frustração
O reajuste do teto evita perdas maiores, mas evidencia uma realidade cada vez mais dura: aposentar-se ficou mais difícil — e viver da aposentadoria também. Com regras mais rígidas, idade mínima elevada e reajustes limitados à inflação, a Previdência garante sobrevivência, mas raramente tranquilidade.
A chamada “aposentadoria dos sonhos” segue distante. Para milhões de brasileiros, o reajuste anual já não representa avanço — apenas a tentativa de não ficar para trás. Cada vez mais especialistas recomendam fundos de previdência privada, e que as pessoas criem uma reserva para garantir tranquilidade na melhor idade, ou mesmo no caso de uma emergência.
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