Quando a chuva deixou de ser ameaça: casas, vidas e o recomeço da Vila Brás
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| Primeiras 54 unidades do Projeto Moradias estão prontas desde 25/08; entrega aguarda apenas conexões de infraestrutura e documentação - William Brisida |
O direito à moradia faz-se presente nas coisas simples: a janela que abre para a rua sem medo, o corredor por onde a criança corre, o chão que não cede quando chove. Em Foz do Iguaçu, essa normalidade — tão distante para muitos — começou a ganhar forma com a conclusão do primeiro lote do Projeto Moradias, iniciativa capitaneada pela Itaipu Binacional em parceria com a Itaipu Parquetec.
São 54 casas prontas desde 25 de agosto, parte de um conjunto de 254 unidades destinadas a famílias que viviam na Vila Brás, em uma Área de Preservação Permanente degradada e suscetível a enchentes. Casas que simbolizam o fim da angústia de quem, até ontem, empacotava pertences antes das chuvas e acordava contando perdas.
Pronto, mas não entregue: as etapas que faltam
As moradias existem — modernas e projetadas para conforto e segurança —, mas a chegada das famílias depende de etapas complementares e da formalização jurídica. A Sanepar precisa concluir a ligação de água e esgoto; a Copel, a conexão elétrica. Em paralelo, a Prefeitura de Foz do Iguaçu conduz a finalização da documentação da obra e a individualização das matrículas, etapas que garantirão a regularização fundiária e a segurança jurídica das famílias beneficiadas.
"Não é só entregar chaves. É entregar endereço, dignidade e garantia de futuro." — declaração de um técnico envolvido no projeto.
O cadastramento das famílias foi realizado pelo programa Foz Habita, e o terreno — um loteamento de aproximadamente 11 mil metros quadrados — foi cedido pela Prefeitura como contrapartida. No novo bairro, além de moradia, haverá acesso a serviços públicos essenciais: creche, escola, posto de saúde e transporte coletivo.
Investimento, inovação e sustentabilidade
O Projeto Moradias recebeu aporte de R$ 76,3 milhões. Desse total, R$ 61 milhões (80%) foram aplicados pela Itaipu Binacional, com recursos originados da venda de antigos imóveis de sua titularidade — propriedades que serviram aos trabalhadores na época da construção da usina e foram leiloadas a partir de 2023.
O método construtivo adotado é um dos pontos de destaque: um sistema sustentável e inovador que permite erguer uma casa em apenas um dia, diminuindo o tempo de obra e reduzindo a geração de resíduos. Por essa combinação entre tecnologia, eficiência e impacto social, o projeto foi reconhecido pelo Instituto Habita Brasil com o Prêmio 21 de Agosto (2024), na categoria Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade.
Recuperar o rio, recuperar vidas
As ações não se encerram com a mudança das famílias. Após a realocação, a Prefeitura de Foz do Iguaçu iniciará a recuperação ambiental do Córrego Poty, com recursos aprovados pelo Governo Federal por meio do PAC. A recuperação busca reequilibrar a bacia hidrográfica e proteger um manancial fundamental para a região — um gesto que liga moradia digna à responsabilidade ambiental.
Além das casas: um compromisso com a cidade
O Projeto Moradias integra o programa Itaipu Mais que Energia e dialoga com as diretrizes federais de habitação pública, ampliando e complementando iniciativas como o Minha Casa Minha Vida. A Itaipu também segue investindo em outras obras estruturantes na região — entre elas a duplicação da BR-469 (Rodovia das Cataratas) e as obras da Perimetral Leste, que facilitarão o uso da Ponte da Integração — além de investimentos em segurança pública, saúde, educação e esportes.
É, em suma, um esforço articulado: recursos, tecnologia e políticas públicas alinhadas para que a moradia deixe de ser um sonho distante e se torne um direito exercido com responsabilidade e dignidade.
O que muda na rotina das famílias
Na prática, mudar de casa significa mais do que um novo telhado. É a certeza de um endereço para matricular crianças na escola sem preocupação; é a possibilidade de receber atendimento de saúde próximo; é o acesso ao transporte que conecta ao trabalho, ao comércio e às oportunidades. É, sobretudo, a tranquilidade de não ter que empacotar tudo às pressas quando o céu escurece.
Para a Vila Brás, o Projeto Moradias representa a virada de página que muitas famílias esperavam — e que, agora, depende apenas das últimas conexões e do ato administrativo que formalizará essa conquista.
Reconhecimento e próximos passos
O reconhecimento nacional conquistado em 2024 pelo Projeto Moradias — o Prêmio 21 de Agosto — legitima a escolha por soluções de habitação que combinam tecnologia e cuidado socioambiental. Ainda que as casas estejam prontas, a entrega efetiva depende de uma articulação final entre Itaipu, órgãos públicos municipais e concessionárias de serviços. A expectativa é de que, com a conclusão dessas etapas, as chaves sejam oficialmente entregues e a recuperação do Córrego Poty possa começar.

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