Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao Senado, defende que devemos discutir o futuro do Paraná apostando em universidades, ciência e inovação como motores de uma nova era de desenvolvimento tecnológico
O Paraná amanhece todos os dias movimentando colheitadeiras, caminhões, cooperativas e portos. A força do campo faz parte da identidade do estado e ajuda a explicar sua relevância econômica no Brasil.
Para a deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann, o futuro paranaense não pode estar limitado apenas ao agronegócio ou à indústria tradicional. O Paraná precisa continuar fortalecendo sua agricultura mas também precisa evoluir para poder gerar empregos nas áreas ligadas à tecnologia.
Hoje formamos talentos incríveis em áreas tecnológicas estratégicas e importantes, mas por falta de mercado de trabalho acabamos perdendo esses talentos para outros estados e até para o exterior.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Gleisi apresentou uma reflexão que vai além das disputas ideológicas que costumam dominar o debate político. Segundo ela, a eleição para o Senado deveria ser encarada como uma escolha sobre qual projeto de futuro o Paraná deseja construir para as próximas décadas.
A fala chama atenção porque desloca o foco da polarização entre direita e esquerda para uma discussão mais estratégica, e realmente importante, principalmente para o eleitorado mais jovem: qual papel o estado pretende ocupar dentro da economia brasileira do século XXI.
A questão da representatividade
Um dos principais argumentos apresentados por Gleisi é que o Paraná perdeu protagonismo político em Brasília. Ao lembrar sua atuação ao lado do ex-senador Roberto Requião, ela sustenta que, independentemente das divergências políticas que existiam em torno dos dois, havia uma interlocução forte junto ao governo federal e uma defesa mais incisiva dos interesses paranaenses no Congresso Nacional.
Vivemos na era da informação, do conhecimento. A avaliação da deputada é que um estado com o peso econômico do Paraná precisa ter maior capacidade de influência nos debates nacionais, especialmente em temas relacionados a infraestrutura, inovação, educação e desenvolvimento regional.
Um Paraná além do agronegócio
Talvez o trecho mais interessante da fala seja quando Gleisi propõe discutir uma visão de futuro para o estado.
Ninguém questiona a importância do agronegócio paranaense. O Paraná está entre os maiores produtores de alimentos do país e possui algumas das cooperativas mais eficientes do mundo. Também mantém um parque industrial relevante, concentrado principalmente na Região Metropolitana de Curitiba e em polos regionais como Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel.
Mas a provocação feita pela pré-candidata é outra: por que o Paraná não pode se tornar também uma potência tecnológica?
A pergunta parece simples, mas toca em uma discussão estratégica. Estados e países que hoje lideram os indicadores de renda, produtividade e inovação investiram durante décadas em universidades, pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.
É justamente nesse ponto que Gleisi concentra sua argumentação.
O patrimônio invisível do Paraná
Ao citar a expansão da educação superior federal ocorrida nos governos Lula e Dilma Rousseff, a deputada lembra que o Paraná passou a contar com uma estrutura universitária muito mais robusta do que possuía há vinte anos.
A transformação do antigo CEFET em Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a interiorização da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a ampliação dos institutos federais e a presença de dezenas de campi espalhados pelo estado criaram uma base científica que poucos estados brasileiros possuem.
São milhares de pesquisadores, mestres, doutores e estudantes produzindo conhecimento em áreas como inteligência artificial, engenharia, biotecnologia, agricultura de precisão, energias renováveis e desenvolvimento de software.
A questão levantada por Gleisi é se o Paraná está conseguindo transformar esse conhecimento em riqueza, empregos qualificados e empresas inovadoras.
O debate sobre a Celepar
A discussão ganha uma dimensão ainda mais relevante quando observamos o futuro da Celepar, empresa pública responsável por boa parte da infraestrutura digital do governo estadual.
Criada há mais de seis décadas, a companhia tornou-se uma das maiores empresas públicas de tecnologia do país e desempenha papel central na digitalização dos serviços públicos paranaenses.
Nos últimos anos, entretanto, a possibilidade de privatização da empresa passou a integrar o debate político estadual, gerando divergências entre defensores e críticos da medida.
Para os setores que defendem a manutenção da companhia sob controle público, a Celepar representa um ativo estratégico justamente num momento em que tecnologia, dados e inteligência artificial ganham importância crescente na economia global.
Independentemente da posição adotada, o debate revela uma questão maior: qual estratégia o Paraná pretende seguir para ocupar espaço na economia digital?
A eleição que pode discutir o futuro
Ao final do vídeo, Gleisi resume sua visão sobre o papel de um senador: articular diferentes forças políticas em favor do estado.
É uma proposta que tenta deslocar o foco do embate ideológico para uma agenda de desenvolvimento. Na prática, significa discutir como universidades, institutos federais, centros de pesquisa, empresas e governos podem atuar de forma integrada para criar um ambiente favorável à inovação.
O Paraná já é reconhecido nacionalmente pela força do seu campo, pela organização de suas cooperativas e pela qualidade de suas universidades. A pergunta lançada pela pré-candidata ao Senado é se chegou a hora de dar um passo além.
Transformar-se em um dos grandes polos tecnológicos do Brasil não é um objetivo que se alcança apenas com discursos ou campanhas eleitorais. Exige planejamento de longo prazo, investimentos consistentes e articulação política permanente.
Mas a provocação está feita. E talvez seja justamente esse tipo de debate que o Paraná precise aprofundar nos próximos meses: não apenas quem vai representá-lo em Brasília, mas qual futuro pretende construir para as próximas gerações.

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