Levantamentos internacionais mostram que mais da metade dos brasileiros não bebe regularmente, enquanto o consumo é parte do cotidiano da maioria dos alemães
Sentar-se à mesa, brindar com amigos ou reunir a família em uma comemoração. Em muitos países, a bebida alcoólica faz parte desses momentos, mas a intensidade desse hábito varia bastante ao redor do mundo. Uma comparação entre Brasil, Estados Unidos e Alemanha revela diferenças culturais que ajudam a explicar por que os brasileiros, apesar da fama de apreciadores da cerveja, estão longe de figurar entre os maiores consumidores de álcool.
Dados de organismos internacionais e de levantamentos nacionais indicam que o Brasil é, entre os três países analisados, aquele onde há a maior proporção de pessoas que não consomem bebidas alcoólicas regularmente.
Mais da metade dos brasileiros diz não beber
No Brasil, cerca de 44% dos adultos consumiram bebidas alcoólicas ao menos uma vez nos últimos 12 meses. Isso significa que aproximadamente 56% da população adulta permaneceu sem consumir álcool nesse período, seja por opção, motivos religiosos, questões de saúde ou estilo de vida.
Nos Estados Unidos, o cenário é bastante diferente. Estima-se que 72% dos adultos consumam bebidas alcoólicas ao longo do ano, enquanto cerca de 28% permanecem abstêmios.
Já na Alemanha, o álcool faz parte da cultura cotidiana. Aproximadamente 89% dos adultos beberam nos últimos 12 meses, restando apenas 11% da população adulta sem consumir bebidas alcoólicas nesse período.
Comparativo entre os três países
| Indicador | Brasil | Estados Unidos | Alemanha |
|---|---|---|---|
| Consumiram álcool no último ano | 44% | 72% | 89% |
| Não consumiram álcool no último ano | 56% | 28% | 11% |
| Consumo anual de álcool puro por habitante (15+) | 7,7 litros | 9,8 litros | 10,6 litros |
O Sul lidera o consumo no Brasil
Mesmo sendo o país que menos consome álcool entre os três comparados, existem diferenças importantes dentro do território brasileiro. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, a Região Sul apresenta a maior frequência de consumo de bebidas alcoólicas do país. Cerca de 35,6% dos adultos afirmam beber pelo menos uma vez por mês.
Na outra ponta está a Região Norte, onde aproximadamente 20,5% dos adultos relatam consumir bebidas alcoólicas mensalmente.
Especialistas apontam que fatores históricos, culturais, climáticos e econômicos ajudam a explicar essas diferenças regionais.
Muito além dos estereótipos
A imagem do brasileiro como um dos povos que mais bebe no mundo não encontra respaldo nas estatísticas internacionais. Embora o país seja um dos maiores mercados consumidores de cerveja em números absolutos, isso ocorre principalmente por causa do tamanho da população. Quando o consumo é analisado por habitante, Brasil aparece atrás de diversos países europeus e também dos Estados Unidos.
Na Alemanha, por exemplo, o consumo de cerveja e vinho está profundamente ligado às tradições locais e ao convívio social. Nos Estados Unidos, o hábito é igualmente difundido, embora marcado por diferenças culturais entre os estados e por campanhas permanentes de combate ao consumo excessivo.
O consumo responsável é o desafio
Independentemente do volume consumido, autoridades de saúde alertam que o uso abusivo do álcool continua sendo um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, cirrose hepática, diversos tipos de câncer, acidentes de trânsito e episódios de violência.
Mais do que estabelecer um ranking entre países, a comparação revela como o álcool ocupa espaços diferentes em cada sociedade. Enquanto na Alemanha ele faz parte do cotidiano da ampla maioria da população, no Brasil mais da metade dos adultos opta por não consumir bebidas alcoólicas regularmente.
Os números ajudam a desfazer um mito bastante difundido: proporcionalmente, o brasileiro bebe menos do que os alemães e os norte-americanos.
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Fontes: Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE), LENAD/Unifesp, Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Centro Federal de Educação para a Saúde da Alemanha.

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