Novo satélite sino-brasileiro usará radar de última geração para monitorar desmatamento, queimadas, enchentes e mudanças ambientais mesmo sob nuvens ou durante a noite
O céu do Brasil está prestes a ganhar mais um aliado silencioso. Enquanto a maior parte da população sequer percebe o trabalho realizado por satélites em órbita, um novo equipamento desenvolvido em parceria entre Brasil e China promete ampliar significativamente a capacidade do país de vigiar o território nacional e acompanhar as transformações ambientais em tempo real.
O projeto atende pelo nome de CBERS-6, a próxima missão do Programa Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos Terrestres. O diferencial desta nova geração está na tecnologia embarcada: pela primeira vez, um satélite da parceria será equipado com um radar de abertura sintética (SAR), capaz de produzir imagens da superfície terrestre mesmo durante a noite ou sob intensa cobertura de nuvens.
Para um país como o Brasil, onde vastas regiões da Amazônia permanecem encobertas por nuvens durante boa parte do ano, a novidade representa um salto importante na capacidade de monitoramento ambiental.
Na prática, o CBERS-6 permitirá identificar áreas de desmatamento, queimadas, invasões de terras, mudanças no uso do solo, enchentes e outros eventos ambientais com maior frequência e precisão. As informações também poderão ser utilizadas por órgãos públicos, pesquisadores e instituições responsáveis pelo planejamento territorial.
Nova fase do projeto
Os preparativos para a missão avançaram nas últimas semanas após uma série de reuniões entre especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da agência chinesa CRESDA, responsável pela operação e distribuição de dados de satélites de observação da Terra na China.
Os encontros resultaram na definição dos principais procedimentos que serão utilizados durante a operação do satélite, incluindo estratégias de aquisição, processamento e distribuição das imagens produzidas pelo radar.
Também foram formalizados novos compromissos de cooperação entre os dois países, consolidando a fase de preparação para o futuro lançamento da missão.
Parceria que atravessa décadas
A cooperação espacial entre Brasil e China começou ainda nos anos 1980 e se transformou em uma das mais duradouras iniciativas científicas entre países em desenvolvimento.
Desde então, diversos satélites do programa CBERS foram colocados em órbita, fornecendo gratuitamente imagens utilizadas em estudos ambientais, planejamento agrícola, monitoramento de recursos naturais e pesquisas científicas.
O CBERS-6 será o mais avançado dessa família de satélites e deverá ampliar consideravelmente a qualidade das informações disponíveis para os sistemas brasileiros de monitoramento ambiental.
Mais dados para proteger as florestas
Além do novo satélite, a cooperação entre os dois países pode ganhar um reforço adicional. Durante as reuniões recentes, representantes chineses manifestaram interesse em disponibilizar ao Brasil dados produzidos pelos satélites Gaofen-1 e Gaofen-6.
As imagens poderão auxiliar sistemas como o Deter e o Prodes, utilizados pelo governo brasileiro para acompanhar o avanço do desmatamento e outras alterações ambientais, especialmente na Amazônia.
Em um cenário marcado por eventos climáticos extremos, incêndios florestais e crescente pressão internacional por preservação ambiental, o investimento em monitoramento por satélite tornou-se uma ferramenta estratégica para a gestão do território.
Mais do que um novo equipamento em órbita, o CBERS-6 representa o fortalecimento de uma parceria tecnológica que há décadas aproxima Brasil e China e ajuda a ampliar o conhecimento sobre um dos patrimônios ambientais mais importantes do planeta.
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