Documentos revelados pelo Intercept apontam remessas milionárias ligadas à produção de “Dark Horse”, enquanto PF, STF e órgãos internacionais são acionados para apurar o destino dos recursos
| The Intercept Brasil - Reprodução |
Há histórias que começam nas telas de cinema e terminam nos gabinetes de investigação. O caso envolvendo o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), parece caminhar justamente por essa fronteira cada vez mais nebulosa entre entretenimento, política e finanças.
Uma nova reportagem do Intercept Brasil — Planilhas e comprovantes mostram envio de dinheiro aos EUA para produção de Dark Horse — revelou documentos que apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria comprometido US$ 24 milhões (R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a produção do filme.
Planilhas, comprovantes bancários, contratos e recibos obtidos pela publicação detalham remessas feitas aos Estados Unidos entre 2025 e 2026, além de valores já pagos e outros previstos.
Segundo a reportagem, parte dos recursos foi destinada ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. A documentação também sugere a existência de negociações para novos aportes além dos registros já identificados.
Leia a reportagem completa do Intercept Brasil
As revelações ampliaram a repercussão de um caso que já vinha chamando atenção das autoridades brasileiras. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos relacionados ao filme pode ter sido utilizada para custear atividades políticas e despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A suspeita foi mencionada em representações encaminhadas ao STF.
Na última semana, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) informou ter solicitado cooperação internacional para aprofundar a apuração sobre a origem e a movimentação dos recursos. O parlamentar também acionou organismos internacionais para auxiliar no rastreamento das operações financeiras relacionadas ao projeto.
O caso chegou ao STF após pedido encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, que determinou o envio da solicitação à Procuradoria-Geral da República para manifestação sobre a eventual abertura de investigação específica envolvendo os recursos e sua destinação.
Enquanto isso, novas mensagens divulgadas pela imprensa indicam que Vorcaro teria tratado os pagamentos para o projeto cinematográfico como prioridade após cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os diálogos reforçam a existência de um acordo financeiro de grandes proporções para viabilizar a produção.
Do outro lado, Eduardo Bolsonaro nega qualquer participação na gestão dos recursos e afirma não possuir controle sobre o fundo utilizado para receber investimentos nos Estados Unidos. Segundo sua versão, sua atuação limitou-se ao apoio institucional e à aproximação entre investidores e produtores do filme.
Também os responsáveis por Dark Horse sustentam que a produção possui diversos financiadores e afirmam não ter recebido recursos diretamente de Daniel Vorcaro ou de empresas sob seu controle.
Estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, o longa tornou-se um dos projetos cinematográficos politicamente mais controversos dos últimos anos. Além das disputas ideológicas, o caso agora envolve questionamentos sobre a origem, o destino e a finalidade de milhões de dólares movimentados entre Brasil e Estados Unidos.
À medida que novos documentos continuam surgindo e as investigações avançam, permanece a pergunta que mobiliza autoridades, parlamentares e observadores da cena política: os recursos destinados à produção de Dark Horse financiaram apenas um filme ou tiveram outros destinos?
Por enquanto, a resposta definitiva segue nas mãos de quem está investigando. Quando o inquérito for finalizado, a verdade aparecerá.
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