Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram cerca de 96% da produção nacional; Bélgica, China e Estados Unidos estão entre os principais compradores do produto brasileiro
Antes de qualquer debate sobre o consumo de tabaco, existe um fato econômico que costuma passar despercebido: o Brasil continua sendo o maior exportador mundial do produto e uma das principais referências globais na produção de fumo de alta qualidade. A atividade movimenta bilhões de dólares todos os anos, gera milhares de empregos diretos e indiretos e sustenta a renda de famílias agricultoras, especialmente na Região Sul.
Embora o tabagismo seja reconhecido como um importante problema de saúde pública, a cadeia produtiva do tabaco possui enorme relevância para a economia nacional. O país abastece mais de uma centena de mercados internacionais e mantém a liderança mundial nas exportações desde 1993.
Produção concentrada na Região Sul
Cerca de 96% de todo o tabaco produzido no Brasil é cultivado na Região Sul. O Rio Grande do Sul lidera a produção nacional, seguido por Santa Catarina e Paraná, estados onde predominam pequenas propriedades familiares que cultivam principalmente as variedades Virgínia, Burley e Comum.
Segundo dados da Epagri/Cepa e do setor produtivo, dezenas de milhares de famílias dependem diretamente da fumicultura como principal fonte de renda, movimentando também cooperativas, transportadoras, agroindústrias e o comércio regional.
Exportações atingem novo recorde
Os números mais recentes confirmam a força do setor. Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 561 mil toneladas de tabaco para 121 países, alcançando uma receita recorde de US$ 3,389 bilhões, um crescimento de 13,85% em relação ao ano anterior.
O resultado superou inclusive o recorde histórico anterior e reforçou a posição brasileira como principal fornecedor mundial de tabaco.
Em 2024, as exportações já haviam somado cerca de US$ 2,977 bilhões, demonstrando uma trajetória consistente de crescimento da cadeia produtiva.
Quem compra o tabaco brasileiro?
A Bélgica aparece como o principal destino das exportações brasileiras, respondendo por aproximadamente 24% das vendas externas. Na sequência aparecem:
- Bélgica
- China
- Estados Unidos
- Egito
- Indonésia
Apesar da liderança belga nas estatísticas, especialistas explicam que o país funciona como um grande centro logístico internacional. Boa parte do tabaco brasileiro desembarca no Porto de Antuérpia e posteriormente é redistribuída para outros mercados europeus ou transformada em produtos manufaturados.
Entre os principais destinos finais estão Reino Unido, França, Alemanha, Polônia, Suíça e Turquia. Já considerando o consumo efetivo, a China figura entre os maiores mercados mundiais para o tabaco brasileiro.
Tarifas norte-americanas
Os Estados Unidos permanecem entre os principais compradores do tabaco brasileiro, mesmo após a adoção de novas medidas tarifárias sobre produtos importados do Brasil. Ainda assim, o amplo número de mercados consumidores reduz a dependência de um único país e mantém a competitividade internacional da produção brasileira.
Uma atividade que movimenta milhares de famílias
Mais do que uma commodity agrícola, o tabaco representa uma importante fonte de renda para milhares de pequenos produtores rurais do Sul do país. A atividade impulsiona economias locais, gera empregos na indústria, no transporte, na logística e no comércio exterior.
Ao mesmo tempo em que o debate sobre os impactos do tabagismo permanece fundamental sob a perspectiva da saúde pública, os números mostram que a cadeia produtiva do tabaco continua desempenhando papel estratégico na balança comercial brasileira e na geração de divisas para o país.

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