Jogos da Seleção na Copa de 2026 provocam quedas e picos no consumo de eletricidade, exigindo resposta rápida da maior usina em geração acumulada do mundo
| Sala de Controle Central da Itaipu Binacional - Foto: William Brisida |
Durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo de 2026, a usina tem acompanhado uma mudança curiosa e previsível no consumo de energia elétrica do país. Minutos antes do apito inicial, a demanda cai. No intervalo, milhões de pessoas voltam a circular pela casa ao mesmo tempo, provocando uma rápida elevação do consumo. Depois, durante o segundo tempo, a carga diminui novamente e volta a crescer quando a partida termina.
O fenômeno, conhecido informalmente como “efeito torcida”, exige atenção constante dos operadores do sistema elétrico nacional. Como uma das principais fornecedoras de energia para o Brasil, a Itaipu participa de um esquema especial coordenado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para garantir estabilidade antes, durante e após cada jogo da Seleção.
Quedas e picos poucos minutos
Na estreia contra o Marrocos, a energia fornecida por Itaipu ao Brasil caiu cerca de 7% na hora que antecedeu o início da partida. No Sistema Interligado Nacional (SIN), a redução chegou a 8,6%. Terminado o jogo, a demanda voltou a crescer rapidamente, exigindo uma retomada de 4.307 megawatts em apenas 21 minutos — volume equivalente ao consumo médio de todo o estado do Rio Grande do Sul.
O comportamento se repetiu no confronto diante do Haiti. Em aproximadamente 40 minutos antes do início da partida, Itaipu reduziu em 17% o fornecimento ao sistema brasileiro. Logo após o apito final, a usina elevou a geração em 7% em apenas 14 minutos para acompanhar o retorno do consumo.
Segundo a binacional, a expectativa é de que o mesmo cenário ocorra nos próximos compromissos da Seleção. A partida decisiva contra a Escócia deve provocar novas oscilações na demanda de energia, exigindo novamente a rápida capacidade de resposta da usina.
Uma Copa que mexe com a rede elétrica
Nos jogos da seleção paraguaia, o fenômeno também acontece, mas em escala menor. Isso ocorre porque o consumo total de energia do Paraguai é significativamente inferior ao do Brasil, tornando os impactos menos perceptíveis no sistema operado por Itaipu.
Mais do que uma curiosidade da Copa, o fenômeno mostra como hábitos cotidianos de milhões de pessoas podem influenciar, em questão de minutos, o funcionamento de uma das mais importantes estruturas de geração de energia da América do Sul.
Fonte: Itaipu Binacional.
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