terça-feira, 2 de junho de 2026

Lula reage a ameaça de tarifaço dos EUA e acusa filhos de Bolsonaro de atuarem contra o Brasil

Presidente relaciona pressão comercial americana à visita de Flávio Bolsonaro a Donald Trump; Pix, redes sociais, etanol e desmatamento estão entre os argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar novas tarifas

 

Lula reage a ameaça de tarifaço dos EUA e acusa filhos de Bolsonaro de atuarem contra o Brasil. Presidente relaciona pressão comercial americana à visita de Flávio Bolsonaro a Donald Trump; Pix, redes sociais, etanol e desmatamento estão entre os argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar novas tarifas
Lula com cartaz "O PIX É DO BRASIL" - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O assunto dominou os bastidores da política e da economia brasileira nesta semana. Em meio à possibilidade de os Estados Unidos ampliarem tarifas sobre produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu subir o tom e apontou diretamente para a família Bolsonaro como parte do problema.

Durante um evento em Catalão, no interior de Goiás, Lula classificou como "traidores" os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que buscar apoio de um governo estrangeiro para pressionar o Brasil representa um ataque aos interesses nacionais.

Segundo o presidente, eventuais punições comerciais não atingiriam apenas o governo federal, mas também empresários, produtores rurais, trabalhadores e setores importantes da economia brasileira.

Visita de Flávio Bolsonaro amplia tensão política

As declarações ocorreram poucos dias depois da visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.

Lula sugeriu que a aproximação entre integrantes da família Bolsonaro e o governo americano estaria ligada ao aumento da pressão contra o Brasil. Já Flávio afirma que trabalhou justamente para evitar prejuízos às empresas brasileiras e minimizar os impactos de possíveis sanções comerciais.

O episódio acrescenta um componente político a uma disputa que, oficialmente, está sendo tratada como uma questão comercial entre os dois países.

O que os Estados Unidos alegam

A nova ameaça surgiu após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendar à Casa Branca a aplicação de tarifas de até 25% sobre uma série de produtos brasileiros.

O relatório americano lista diversos pontos considerados problemáticos por Washington. O principal deles é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e amplamente utilizado pelos brasileiros.

Na avaliação dos Estados Unidos, o fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema criaria uma situação que dificultaria a concorrência para empresas privadas do setor de pagamentos digitais.

O documento também critica decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais e redes sociais, especialmente medidas adotadas contra empresas que descumpriram determinações judiciais no país.

Outros temas citados incluem barreiras tarifárias ao etanol americano, proteção à propriedade intelectual, combate à pirataria, aplicação das leis anticorrupção e questões ligadas ao desmatamento ilegal.

Nem todos os produtos seriam afetados

Apesar do impacto político da recomendação, parte importante das exportações brasileiras ficaria inicialmente fora da lista de produtos sujeitos às novas tarifas.

Entre os itens poupados aparecem carne bovina, café, frutas, verduras, além de minerais estratégicos como alumínio, níquel e cobalto.

Ainda assim, o mercado acompanha a situação com atenção. Uma ampliação das barreiras comerciais pode afetar investimentos, competitividade e a relação econômica entre os dois países.

Governo brasileiro contesta acusações

O governo Lula rejeita os argumentos apresentados pelos americanos.

Sobre o Pix, a posição oficial é que o sistema ampliou a inclusão financeira, reduziu custos para a população e não impede a atuação de empresas privadas. O governo também argumenta que bancos centrais de diversos países estudam ou desenvolvem soluções semelhantes.

Em relação às redes sociais, Brasília sustenta que as decisões judiciais aplicam a legislação brasileira de forma igual para todas as empresas, independentemente de sua origem.

Já sobre o etanol, o governo afirma que o Brasil cumpre as regras internacionais e lembra que os próprios Estados Unidos mantêm barreiras comerciais contra determinados produtos brasileiros.

Negociação continua

Lula afirmou que manteve conversas recentes com Donald Trump para tentar evitar um agravamento da disputa comercial.

Segundo o presidente, representantes dos dois governos seguem negociando possíveis soluções para as divergências apontadas pelos americanos, mas ainda não houve consenso.

A expectativa é que as tratativas avancem nas próximas semanas. Até lá, o risco de um novo tarifaço permanece sobre a mesa, alimentando tanto a disputa diplomática entre Brasília e Washington quanto a polarização política dentro do Brasil.

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