sexta-feira, 12 de junho de 2026

Gleisi, Dire Straits e o rock que pulsa no coração do Paraná

Ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná mostrou seu lado roqueiro durante participação no Podcast Três Irmãos e acabou conectando política, cultura e identidade paranaense

Brasília costuma apresentar Gleisi Hoffmann em meio a negociações intensas, votações decisivas e disputas que movimentam os bastidores do poder. Mas uma cena bem diferente chamou atenção dos paranaenses nos últimos dias.

Durante sua participação no Podcast Três Irmãos, a ex-ministra, deputada federal e pré-candidata ao Senado pelo Paraná apareceu em um momento descontraído, mostrando que também aprecia um dos gêneros musicais mais tradicionais do estado: o velho e bom rock and roll.

Ao som da clássica banda britânica Dire Straits, Gleisi deixou de lado por alguns instantes os temas pesados da política nacional e revelou um lado mais próximo do cotidiano de milhares de paranaenses que cresceram ouvindo guitarras, solos marcantes e canções que atravessaram gerações.

Mais do que um gosto musical

A identificação não acontece por acaso. Embora o sertanejo romântico continue liderando a preferência musical dos paranaenses, pesquisas culturais realizadas nos últimos anos mostram que o rock permanece entre os estilos mais ouvidos no estado, especialmente em Curitiba, cidade que construiu uma relação histórica com o gênero.

Dos bares do Largo da Ordem aos festivais independentes, passando pelas bandas autorais que surgiram nos bairros da capital, o rock ajudou a moldar parte da identidade cultural curitibana. É uma herança que atravessa gerações e continua presente mesmo diante das transformações do mercado musical. Não é à toa que Curitiba é conhecida como a Capital Nacional do Rock.

A ligação do PT Paraná com o ritmo não é novidade, o deputado Arilson Chiorato é responsável pela lei que tornou o patrimônio material do Estado a música Bicho do Paraná, do meu bom e saudoso amigo João Lopes.

O hit paranaense continua fazendo sucesso com a Carminha, esposa do João. Sim, João Lopes era roqueiro e moldou, na mesma época que bandas como Blindagem, A Chave, Arrigo Barnabé, Tetê e Carlos Careqa, o estilo único do rock paranaense. Não somos gatos de Ipanema, somos bicho do Paraná.

Talvez seja justamente por isso que o momento tenha repercutido nas redes sociais. Em um ambiente normalmente dominado por discursos técnicos e disputas ideológicas, apareceu algo simples e universal: a música escolhida para ilustrar a postagem no Instagram da deputada.

Uma conversa sobre o Brasil

A participação de Gleisi no Podcast Três Irmãos foi muito além do momento musical.

Ao longo da entrevista, a parlamentar falou sobre os desafios enfrentados pelo governo para construir maiorias no Congresso Nacional, analisou a correlação de forças políticas no país, comentou a influência do sistema financeiro sobre decisões econômicas e abordou temas ligados às relações internacionais.

Também houve espaço para reflexões sobre movimentos separatistas que periodicamente ressurgem no Sul do Brasil, tema que a deputada classificou como reflexo de interesses ligados a correntes neoliberais.

A conversa aconteceu poucos meses após Gleisi deixar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), do governo Lula, e retornar à Câmara dos Deputados. Agora, ela se prepara para uma nova disputa eleitoral, buscando retornar ao Senado Federal, onde já exerceu mandato entre 2011 e 2019. Na época Gleisi foi eleita com votação bastante expressiva.

Antes da política, a trilha sonora

Num país marcado por divisões políticas cada vez mais profundas, talvez o trecho mais compartilhado da entrevista tenha sido justamente aquele que não envolvia debates, estatísticas ou embates partidários.

Foi apenas uma música.

Mas uma música capaz de lembrar que, antes de serem governantes, parlamentares, apoiadores ou adversários, as pessoas carregam histórias, memórias e trilhas sonoras que ajudam a explicar quem são.

E, pelo menos naquele momento, Gleisi mostrou sintonia com uma tradição que continua encontrando abrigo no Paraná: a paixão pelo rock and roll.

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