Com a chegada do inverno e o aumento dos casos de doenças respiratórias, imunização passa a ser oferecida para todas as pessoas acima de seis meses de idade a partir de 29 de junho
O dia amanheceu gelado hoje em Curitiba. Enquanto edita essa postagem os termômetros marcam 6°C aqui na capital paranaense. A fumaça do café quente sobe devagar das xícaras e os casacos, japonas, luvas e cachecóis voltam a dominar as ruas. É uma cena típica do inverno paranaense, que traz com ele um alerta silencioso: junto com o frio chegam as gripes, os resfriados e o aumento das doenças respiratórias.
Diante do cenário invernal, uma notícia importante para a saúde pública do Estado foi confirmada esta semana. A partir da próxima segunda-feira, dia 29 de junho, a vacinação contra a gripe será ampliada para toda a população paranaense acima de seis meses de idade.
A decisão foi pactuada entre a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems), que representa os 399 municípios paranaenses. A medida leva em consideração o período de maior circulação do vírus influenza e busca ampliar a proteção da população durante os meses mais frios do ano.
Segundo a Sesa, cada município poderá organizar sua estratégia de vacinação conforme a realidade local e a capacidade de atendimento da rede pública de saúde.
Inverno aumenta circulação de vírus respiratórios
A chegada do inverno costuma trazer ambientes mais fechados, menor circulação de ar e maior proximidade entre as pessoas, fatores que favorecem a transmissão de vírus respiratórios.
O Paraná já registra números que preocupam. De acordo com o mais recente informe epidemiológico estadual, foram contabilizados 10.119 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 441 mortes. Entre esses registros, 1.535 casos e 88 óbitos tiveram como causa a influenza.
Os dados reforçam a importância da vacinação como principal forma de prevenção contra as complicações mais graves da doença.
Cobertura ainda está longe da meta
Mesmo apresentando desempenho acima da média nacional, o Paraná ainda não alcançou a cobertura considerada ideal entre os grupos prioritários.
A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é vacinar 90% desse público. Atualmente, o Estado registra cobertura de 47,18% entre idosos, gestantes e crianças de seis meses a menores de seis anos.
As gestantes apresentam o melhor índice de adesão, com 63,56% de cobertura. Entre os idosos, o percentual chega a 49,32%. Já entre as crianças, o índice é de 39,34%, um número que continua preocupando especialistas em saúde pública.
Mais de 2,2 milhões de doses já aplicadas
Até o momento, o Paraná recebeu e distribuiu mais de 4,2 milhões de doses da vacina contra a gripe e já aplicou 2.258.571 imunizantes.
Com esse resultado, o Estado ocupa a quinta posição nacional em número absoluto de aplicações, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Quem deve procurar a vacinação
Embora a campanha seja aberta para toda a população a partir da próxima semana, a Secretaria da Saúde reforça que os grupos prioritários continuam sendo os mais vulneráveis às complicações da gripe.
- Crianças de seis meses a menores de seis anos;
- Gestantes e puérperas;
- Idosos;
- Profissionais da saúde;
- Professores e trabalhadores da educação;
- Pessoas com doenças crônicas;
- Pessoas com deficiência permanente;
- Povos indígenas;
- Pessoas em situação de rua;
- Caminhoneiros e trabalhadores do transporte;
- Integrantes das forças de segurança, salvamento e Forças Armadas;
- Trabalhadores do sistema prisional e população privada de liberdade.
Um gesto simples que pode salvar vidas
Em tempos de temperaturas baixas, a vacina continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para reduzir internações, evitar complicações e salvar vidas.
A chegada do inverno não precisa significar uma temporada de hospitais lotados ou famílias preocupadas com doenças respiratórias. Para milhões de paranaenses, a proteção pode estar a poucos minutos de casa, em uma das mais de 1,8 mil salas de vacinação espalhadas pelo Estado.
Com o frio avançando e os vírus circulando com mais intensidade, a recomendação dos profissionais de saúde é simples: não espere os sintomas aparecerem. Vacinar-se continua sendo o melhor caminho para atravessar o inverno com mais segurança.

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