Presidente dos Estados Unidos diz que acordo de paz está “largamente negociado”, enquanto autoridades iranianas falam em cessar-fogo amplo e reabertura do Estreito de Ormuz
O relógio corre em Teerã, os mercados observam em silêncio e o mundo tenta entender se, finalmente, a guerra no Irã começa a perder força. Na manhã deste domingo (24), uma sinalização inesperada partiu de Washington — e mexeu com a geopolítica internacional.
Segundo reportagem publicada pelo jornal The New York Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo para encerrar a guerra entre Irã, Israel e aliados “está próximo” e já teria sido “largamente negociado”.
A declaração foi feita por meio da rede Truth Social, onde Trump afirmou ter conversado com líderes árabes sobre um memorando “relacionado à PAZ”. O republicano disse ainda que os “aspectos finais e detalhes do acordo” seguem em discussão e devem ser anunciados em breve.
Apesar do tom otimista da Casa Branca, ainda existe uma grande névoa sobre o conteúdo real do possível entendimento. Autoridades americanas e iranianas apresentaram versões diferentes sobre os pontos centrais das negociações.
De acordo com integrantes do governo dos EUA ouvidos pelo jornal norte-americano sob condição de anonimato, uma das exigências seria o abandono, por parte do Irã, de seus estoques de urânio altamente enriquecido — um dos principais focos de tensão da guerra.
Já autoridades iranianas disseram ao New York Times que o memorando não trata diretamente do programa nuclear do país neste momento. Segundo elas, essa discussão ficaria para uma nova rodada de negociações dentro de 30 a 60 dias.
Cessar-fogo amplo e reabertura de Ormuz
As fontes iranianas afirmam que Teerã concordou com uma proposta que prevê a interrupção dos combates em todas as frentes, incluindo os confrontos no Líbano, além da reabertura do estratégico Estreito de Ormuz — rota fundamental para o transporte global de petróleo e gás.
O estreito havia sido praticamente fechado desde os primeiros meses da guerra, provocando uma disparada internacional nos preços da energia e ampliando o temor de uma recessão global.
O possível acordo também incluiria o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã e a liberação de cerca de US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior.
Netanyahu e Hezbollah seguem como incógnitas
Trump também revelou ter conversado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O governo israelense, no entanto, ainda não comentou oficialmente o possível acordo.
Uma das principais dúvidas gira em torno do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e envolvido em confrontos frequentes com Israel no Líbano. Não está claro se o entendimento proposto conseguiria encerrar também esses embates paralelos.
O cessar-fogo firmado no início de abril já havia reduzido a intensidade da guerra após mais de um mês de ataques contínuos. Ainda assim, episódios de tensão seguiram acontecendo nas últimas semanas, mantendo o cenário instável.
Agora, o que se desenha é uma tentativa de transformar uma trégua frágil em algo mais duradouro. Mas, no Oriente Médio, onde alianças mudam rapidamente e desconfianças históricas atravessam décadas, até mesmo anúncios de paz costumam ser recebidos com cautela.
Fonte: The New York Times


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