terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Segurança pública: projeto mira dinheiro do crime e gera embate político

Deputado federal Zeca Dirceu alerta que mudanças no texto aprovado no Senado podem enfraquecer combate às facções ao reduzir confisco de bens e financiamento da investigação

Está em disputa, mais uma vez, a estratégia central do Brasil no enfrentamento ao crime organizado: seguir o dinheiro.

O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) fez um alerta público após a aprovação, no Senado, de um projeto de origem do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltado ao combate às facções criminosas. Para o parlamentar, a proposta representa uma mudança de lógica — menos foco apenas no aumento de penas e mais ênfase na asfixia financeira das organizações.

Segundo ele, o texto é “firme e moderno” justamente por atingir o que sustenta o crime organizado: sua estrutura econômica.

Cortar o dinheiro, não apenas aumentar penas

A proposta fortalece mecanismos de bloqueio e confisco do patrimônio acumulado por organizações criminosas, incluindo empresas de fachada e ativos financeiros.

Na avaliação de Zeca Dirceu, sem esse instrumento o Estado “enxuga gelo”, pois as facções continuam operando com capital, logística e capacidade de reinvestimento.

“O texto não aposta só em aumentar pena. Ele ataca o que realmente sustenta as facções criminosas: o dinheiro.”

O deputado argumenta que retirar ou suavizar o perdimento de bens significa manter intacta a engrenagem econômica do crime.

Recursos permanentes para a segurança

Outro eixo central do projeto é a criação de uma fonte contínua de financiamento para a segurança pública com recursos provenientes das apostas eletrônicas.

A medida prevê destinação de valores para inteligência, tecnologia, investigação e melhoria estrutural das forças de segurança — áreas historicamente apontadas como gargalos no combate ao crime organizado.

Na fala, o parlamentar destaca que sem investimento em rastreamento financeiro e estrutura investigativa, o combate ao crime se torna apenas retórico.

“Sem dinheiro para investigar, sem estrutura para rastrear movimentação financeira, o combate ao crime vira só discurso.”

Disputa política sobre mudanças no texto

Zeca Dirceu criticou tentativas de alterar pontos que considera centrais da proposta — especialmente o bloqueio de patrimônio e a destinação de recursos estruturantes.

Para ele, enfraquecer esses mecanismos pode produzir o efeito oposto ao desejado.

“Se enfraquecer o perdimento e retirar recursos estruturantes da segurança, quem ganha são as organizações criminosas.”

O deputado defende que o país precisa de uma legislação “eficaz, moderna e constitucionalmente segura” e afirma que o texto aprovado no Senado caminha nessa direção.

Segurança pública como estratégia de Estado

O debate revela uma tensão recorrente na política de segurança brasileira: endurecimento penal versus inteligência financeira.

A proposta reforça uma abordagem que vem ganhando espaço internacionalmente — tratar o crime organizado como um sistema econômico, e não apenas policial.

Na leitura do parlamentar, retroceder nesse ponto significa manter intacta a capacidade operacional das facções.

“Retroceder agora é facilitar a vida dos criminosos.”

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