Fungos microscópicos que vivem em associação com as raízes das plantas podem se tornar aliados na recuperação de áreas degradadas, no combate à desertificação e na adaptação à crise climática
| Fungos em microscópio. Foto: Tomas Munita/SPUN |
A proposta foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren durante a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia.
Chamados de fungos micorrízicos, esses organismos formam extensas redes subterrâneas. Em troca do carbono fornecido pelas plantas, ajudam na absorção de água e nutrientes, além de contribuir para a estabilidade do solo, reduzir a erosão e aumentar a resistência da vegetação à seca.
Na Mongólia, Otgonsuren instalou seis áreas cercadas para interromper temporariamente o pastoreio e permitir a recuperação do ecossistema. Os primeiros resultados, registrados em 2025, mostraram plantas mais altas dentro das áreas protegidas.
A ideia é que esses locais funcionem como uma espécie de “banco de fungos”, preservando organismos adaptados às condições locais que poderão, no futuro, ser utilizados em projetos de restauração.
O estudo também revelou uma biodiversidade subterrânea ainda pouco conhecida. Cerca de 90% das sequências de DNA fúngico analisadas nas amostras pertenciam a espécies desconhecidas pela ciência. Foram identificadas 541 unidades taxonômicas associadas a fungos micorrízicos na região do Gobi.
Para as pesquisadoras, os resultados reforçam que a recuperação de pastagens e solos degradados não depende apenas do replantio da vegetação: é necessário também preservar a biodiversidade existente no solo.
A pesquisa ocorre em um momento de intensos debates na COP17 sobre restauração de terras e financiamento para enfrentar a desertificação. Em 24 de agosto, a Agência Brasil informou que a conferência entrou em sua semana decisiva, com novos anúncios de US$ 1,3 bilhão para a agenda, ainda muito abaixo do déficit anual estimado em US$ 278 bilhões.
A programação oficial da COP17 segue até 28 de agosto, com debates sobre resiliência à seca, restauração de terras e financiamento.
Leia na integra: Fungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climática, reportagem original da Agência Brasil.
Atualizada em 25 de agosto de 2026
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