Projeto da UNESCO fortalece o ensino profissional em quatro países africanos e mostra como a formação técnica pode abrir caminho para o empreendedorismo, a autonomia financeira e o desenvolvimento das comunidades
| © UNESCO / Fredrik Lerneryd |
A história de Mohamed Preecious Gbondo, em Serra Leoa, mostra como a educação profissional pode mudar completamente o rumo de uma vida. Depois de participar de um programa de ensino técnico e formação em empreendedorismo apoiado pela UNESCO, ele deixou de procurar emprego para criar o próprio negócio no setor de agroprocessamento.
Hoje, Mohamed administra sua atividade, garante o próprio sustento e ajuda a manter a família.
"Graças ao treinamento técnico que recebi, hoje consigo pagar o aluguel. Também posso sustentar minha família, tanto quem vive comigo quanto aqueles que continuam na aldeia."
A iniciativa faz parte de um modelo de formação que vai além da qualificação para o mercado de trabalho. O objetivo é preparar jovens para empreender, criar empregos e fortalecer as economias locais.
Em Serra Leoa, a mandioca tornou-se um dos motores dessa transformação. A raiz, amplamente cultivada no país, ganha valor depois de processada em farinha e outros alimentos. Em cada etapa da cadeia produtiva — do cultivo à comercialização — surgem oportunidades para geração de renda.
Esse processo tem beneficiado especialmente mulheres e jovens, que conquistam independência financeira e ajudam a impulsionar o desenvolvimento de suas comunidades.
Foi exatamente esse o caminho percorrido por Fatmata. Embora tenha concluído o ensino universitário, foi na formação técnica que encontrou uma oportunidade concreta de trabalho. Atualmente, ela produz e vende derivados de mandioca em um mercado local.
"Com os conhecimentos que adquiri na agricultura, hoje tenho renda. E mais do que isso: também me tornei empregadora."
Empreendedorismo feminino cresce na Costa do Marfim
A transformação também alcança a Costa do Marfim, onde centenas de mulheres passaram a abrir seus próprios negócios no setor da beleza. Cursos técnicos ensinaram desde manicure até cabeleireiro, permitindo que muitas empreendedoras conquistassem independência financeira.
Uma das participantes resume sua experiência:
"Continuei porque acreditei em mim e na minha visão. Isso foi importante, mas, acima de tudo, a formação fez toda a diferença. Sou muito grata por essa oportunidade."
Projeto beneficia quatro países africanos
Essas histórias fazem parte do projeto Better Education for Africa's Rise (BEAR), desenvolvido pela UNESCO com financiamento da República da Coreia desde 2011.
O programa atua em quatro países africanos — Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Serra Leoa — fortalecendo os sistemas nacionais de educação técnica e profissional (TVET).
Além de modernizar o ensino, a UNESCO coordena a cooperação entre governos, instituições de ensino e o setor privado para aproximar a formação das reais necessidades do mercado de trabalho e ampliar o acesso dos jovens ao emprego digno.
Educação que gera renda e desenvolvimento
Um dos diferenciais do projeto é adaptar os cursos às demandas econômicas de cada país. Os estudantes realizam experiências práticas em empresas, enquanto professores e gestores escolares recebem formação para oferecer um ensino mais atualizado e conectado com a realidade.
Para a UNESCO, o lema "Skills Move Us" ("As competências nos impulsionam") representa muito mais do que uma campanha institucional. Ele simboliza uma cadeia de transformação: educação gera qualificação; qualificação abre portas para o trabalho; trabalho cria renda; renda fortalece famílias e comunidades inteiras.
À medida que mais instituições de ensino adotam esse modelo em diferentes regiões da África, cresce também o número de jovens capazes de criar seus próprios negócios, gerar empregos e contribuir para um desenvolvimento econômico mais inclusivo e sustentável.
Com informações da UNESCO - Licença CC-0
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