segunda-feira, 6 de julho de 2026

A camisa que pesou na Copa e pode pesar nas urnas

Entre o futebol e a política, a tradicional amarelinha segue em campo. A dúvida agora é se o peso que não evitou o fracasso esportivo terá influência nas próximas eleições

A camisa que pesou na Copa e pode pesar nas urnas. Entre o futebol e a política, a tradicional amarelinha segue em campo. A dúvida agora é se o peso que não evitou o fracasso esportivo terá influência nas próximas eleições.

Bom dia.

E todos os feiticeiros, pais e mães de santo, benzedeiras e sortistas de qualquer parte, localidade e espécie já estavam alertando:

"Na próxima Copa a camisa canarinho vai dar azar."

Brincadeiras à parte, a frase ajuda a ilustrar um fenômeno real. Nos últimos anos, a camisa da Seleção Brasileira deixou de ser apenas um símbolo esportivo para ocupar também espaço na disputa política tupiniquim. O manto que durante décadas serviu para unir torcedores de diferentes origens passou a carregar significados que extrapolam o futebol.

E a Seleção, já no início desta semana, está voltando para casa. O jogo agora é outro. As partidas que agora estão no escopo, e também no imaginário, dos brasileiros são as disputas políticas. E é um jogo bruto.

Falando em jogo, sorte daqueles que apostaram tudo na Noruega. Ganharam uma bolada. E ainda me pergunto quanto rendeu nas bolsas de apostas espalhadas pelo mundo o pênalti desperdiçado por Neymar. Pergunta que provavelmente ficará sem resposta definitiva, perdida entre estatísticas, especulações e milhões movimentados em plataformas digitais.

Mas voltemos à camisa.

Nesta Copa muito se falou sobre o peso da camisa da Seleção Brasileira. A velha teoria de que algumas equipes entram em campo carregando uma história capaz de intimidar adversários antes mesmo do apito inicial. O Brasil conhece bem essa narrativa. Cinco estrelas no peito não são pouca coisa.

Mas desta vez o peso não bastou.

A camisa naufragou nos Estados Unidos.

E talvez esteja aí a grande ironia do momento.

Porque, se dentro das quatro linhas ela não conseguiu evitar a eliminação, fora delas continua sendo disputada como um dos símbolos mais valiosos da política brasileira. Há quem a veja como representação de patriotismo. Há quem a enxergue como um uniforme partidário informal. Há quem simplesmente queira recuperá-la como patrimônio de todos os brasileiros.

A Copa passa.

As eleições ficam.

E agora resta observar quanto peso essa camisa ainda tem.

Se não foi capaz de carregar a Seleção mais longe no Mundial, veremos qual será sua influência na próxima disputa eleitoral. Veremos quem continuará vestindo o manto, quem tentará reivindicá-lo e quantos outros times políticos embarcarão nessa mesma travessia.

Porque símbolos também têm seus ciclos.

E talvez a pergunta mais interessante não seja sobre o que aconteceu nesta Copa.

Talvez seja sobre o que acontecerá nas urnas.

Vamos descobrir quanto pesa a camisa da Seleção Brasileira na política. E quantos times ainda poderão naufragar carregando esse mesmo uniforme.

Ronald Stresser Júnior, para o Sulpost.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leia também: