Entre o futebol e a política, a tradicional amarelinha segue em campo. A dúvida agora é se o peso que não evitou o fracasso esportivo terá influência nas próximas eleições
Bom dia.
E todos os feiticeiros, pais e mães de santo, benzedeiras e sortistas de qualquer parte, localidade e espécie já estavam alertando:
"Na próxima Copa a camisa canarinho vai dar azar."
Brincadeiras à parte, a frase ajuda a ilustrar um fenômeno real. Nos últimos anos, a camisa da Seleção Brasileira deixou de ser apenas um símbolo esportivo para ocupar também espaço na disputa política tupiniquim. O manto que durante décadas serviu para unir torcedores de diferentes origens passou a carregar significados que extrapolam o futebol.
E a Seleção, já no início desta semana, está voltando para casa. O jogo agora é outro. As partidas que agora estão no escopo, e também no imaginário, dos brasileiros são as disputas políticas. E é um jogo bruto.
Falando em jogo, sorte daqueles que apostaram tudo na Noruega. Ganharam uma bolada. E ainda me pergunto quanto rendeu nas bolsas de apostas espalhadas pelo mundo o pênalti desperdiçado por Neymar. Pergunta que provavelmente ficará sem resposta definitiva, perdida entre estatísticas, especulações e milhões movimentados em plataformas digitais.
Mas voltemos à camisa.
Nesta Copa muito se falou sobre o peso da camisa da Seleção Brasileira. A velha teoria de que algumas equipes entram em campo carregando uma história capaz de intimidar adversários antes mesmo do apito inicial. O Brasil conhece bem essa narrativa. Cinco estrelas no peito não são pouca coisa.
Mas desta vez o peso não bastou.
A camisa naufragou nos Estados Unidos.
E talvez esteja aí a grande ironia do momento.
Porque, se dentro das quatro linhas ela não conseguiu evitar a eliminação, fora delas continua sendo disputada como um dos símbolos mais valiosos da política brasileira. Há quem a veja como representação de patriotismo. Há quem a enxergue como um uniforme partidário informal. Há quem simplesmente queira recuperá-la como patrimônio de todos os brasileiros.
A Copa passa.
As eleições ficam.
E agora resta observar quanto peso essa camisa ainda tem.
Se não foi capaz de carregar a Seleção mais longe no Mundial, veremos qual será sua influência na próxima disputa eleitoral. Veremos quem continuará vestindo o manto, quem tentará reivindicá-lo e quantos outros times políticos embarcarão nessa mesma travessia.
Porque símbolos também têm seus ciclos.
E talvez a pergunta mais interessante não seja sobre o que aconteceu nesta Copa.
Talvez seja sobre o que acontecerá nas urnas.
Vamos descobrir quanto pesa a camisa da Seleção Brasileira na política. E quantos times ainda poderão naufragar carregando esse mesmo uniforme.
Ronald Stresser Júnior, para o Sulpost.

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