domingo, 14 de junho de 2026

MP investiga privatização da Celepar após denúncia de Requião Filho

Inquérito do Ministério Público do Paraná reforça preocupações sobre a segurança dos dados dos paranaenses e reacende debate sobre os limites da privatização de serviços estratégicos

MP investiga privatização da Celepar após denúncia de Requião Filho

Há decisões de governo que passam quase despercebidas pela maioria das pessoas. Outras, porém, mexem diretamente com algo que pertence a todos. É o caso da Celepar, a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná. Para muitos cidadãos, a empresa pode parecer apenas mais uma estatal. Na prática, porém, ela administra uma parte significativa da infraestrutura digital que sustenta o funcionamento do Estado e guarda informações que fazem parte da vida de milhões de paranaenses.

Foi justamente por causa dessa dimensão estratégica que a denúncia apresentada pelo deputado estadual Requião Filho (PDT) ganhou relevância e agora produz um efeito concreto: o Ministério Público do Paraná instaurou um inquérito civil para investigar medidas adotadas durante o processo de privatização da companhia.

O que está sendo investigado

Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público e pelo gabinete parlamentar, a investigação busca esclarecer procedimentos adotados pelo Governo do Estado antes da conclusão da venda da Celepar. Entre os pontos questionados estão orientações administrativas relacionadas à antecipação de contratos, renovações e outras medidas que poderiam impactar diretamente o valor e a operação da empresa durante o processo de privatização.

A apuração também procura entender quais efeitos essas decisões podem gerar para o patrimônio público e para a administração estadual.

A abertura do inquérito não representa uma condenação prévia nem comprova irregularidades. Significa, entretanto, que o Ministério Público identificou elementos suficientes para aprofundar a investigação e solicitar esclarecimentos oficiais.

Dados públicos não são mercadoria comum

O debate sobre a Celepar vai muito além da venda de uma empresa. O que está em discussão é o controle sobre informações estratégicas do Estado e dos cidadãos.

Na era digital, dados pessoais são ativos extremamente valiosos. Informações relacionadas à saúde, educação, segurança pública, tributação, programas sociais e inúmeros outros serviços passam diariamente pelos sistemas desenvolvidos e administrados pela companhia.

Por essa razão, especialistas em tecnologia, entidades sindicais, servidores públicos e parlamentares da oposição vêm alertando há meses para os riscos de transferir o controle de uma estrutura tão sensível para a iniciativa privada.

Em outra frente de investigação, o próprio Ministério Público também passou a analisar questões relacionadas à proteção de dados da área de segurança pública, ampliando as preocupações sobre os impactos da privatização.

O fantasma da Copel

Para muitos paranaenses, a discussão sobre a Celepar inevitavelmente remete à privatização da Copel.

Desde a venda do controle da companhia de energia, consumidores vêm relatando aumento das tarifas e dificuldades na prestação de serviços. O tema continua gerando debates políticos e questionamentos sobre os reais benefícios da privatização de empresas consideradas estratégicas.

Embora os setores sejam diferentes, a comparação surge naturalmente porque ambos envolvem estruturas fundamentais para a população.

Energia elétrica é um serviço essencial. Informação pública, na sociedade digital do século XXI, também é.

Sem energia, cidades param. Sem sistemas digitais confiáveis e seguros, o próprio funcionamento do Estado fica comprometido.

Uma discussão que ultrapassa a política partidária

Independentemente das posições ideológicas, a abertura do inquérito pelo Ministério Público confere peso institucional a uma preocupação que vinha sendo levantada por Requião Filho desde o início do processo.

O parlamentar, que é apontado como pré-candidato ao Governo do Paraná, sustenta que a Celepar não deve ser tratada como uma empresa comum. Para ele, a companhia representa um patrimônio tecnológico construído ao longo de décadas com recursos públicos e conhecimento desenvolvido por profissionais paranaenses.

Os acontecimentos recentes mostram que essa preocupação não pode ser descartada como mero discurso político.

Quando o órgão responsável pela fiscalização do patrimônio público decide abrir uma investigação formal, o debate deixa de ser apenas eleitoral e passa a integrar o campo institucional.

E é justamente aí que surge a pergunta que milhões de paranaenses talvez ainda não tenham feito:

Se os dados dos cidadãos são um dos ativos mais valiosos da sociedade contemporânea, faz sentido que o Paraná abra mão do controle da maior empresa pública de tecnologia do Estado?

A resposta a essa pergunta poderá influenciar não apenas o futuro da Celepar, mas também a forma como os paranaenses enxergarão o papel do Estado na proteção de informações que pertencem a toda a sociedade.

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