quarta-feira, 24 de junho de 2026

Carros elétricos: governo renova cota zero por seis meses e aposta em mais concorrência e empregos

Medida busca manter preços mais acessíveis ao consumidor enquanto montadoras ampliam produção no Brasil

Carros elétricos: governo renova cota zero por seis meses e aposta em mais concorrência e empregos. Medida busca manter preços mais acessíveis ao consumidor enquanto montadoras ampliam produção no Brasil

O governo federal decidiu renovar por mais seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), em uma tentativa de equilibrar dois objetivos: estimular a expansão dos carros elétricos e híbridos no mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, fortalecer a indústria nacional.

A medida entra em vigor em 1º de julho e autoriza a importação de até US$ 463 milhões em componentes e veículos nos regimes CKD e SKD, que permitem a montagem final dos automóveis em território brasileiro.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a decisão foi tomada pensando principalmente no consumidor.

“Os veículos elétricos já fazem parte da paisagem das cidades brasileiras. A decisão não foi tomada para prejudicar a produção nacional, mas para favorecer o mercado e ampliar as opções para o consumidor”, afirmou durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.

Mais fábricas, mais empregos

O governo argumenta que a renovação da cota ocorre justamente em um momento de transição, em que montadoras estrangeiras estão instalando ou ampliando operações produtivas no país.

Empresas do setor já iniciaram projetos industriais em estados como São Paulo e Bahia, com foco na fabricação de veículos híbridos e híbridos flex, tecnologia vista como estratégica para o mercado brasileiro.

A expectativa oficial é que a expansão dessas plantas gere empregos, aumente investimentos e fortaleça a cadeia produtiva automotiva nacional.

Críticas da indústria tradicional

A decisão, porém, não foi recebida de forma unânime. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) manifestou preocupação com a manutenção das cotas de importação sem imposto, argumentando que a medida pode afetar fabricantes instalados no Brasil, fornecedores de autopeças e postos de trabalho ligados à indústria nacional.

O governo rebate afirmando que os principais programas de financiamento e incentivo continuam voltados para empresas que produzem efetivamente dentro do país.

Imposto continua subindo

Embora tenha renovado a cota temporária, o governo manteve o cronograma de aumento das tarifas de importação para veículos elétricos e híbridos.

Os veículos eletrificados semidesmontados (SKD) passarão a pagar tarifa de 35% já a partir de julho. Já os modelos desmontados (CKD) continuarão sujeitos à alíquota de 14% até o fim de 2026, chegando também a 35% em janeiro de 2027.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, a estratégia busca evitar uma abertura irrestrita das importações, ao mesmo tempo em que mantém um período de adaptação para as empresas que estão investindo na produção local.

Mercado em transformação

A discussão ocorre em um momento de forte crescimento dos veículos eletrificados no Brasil. Nos últimos anos, a presença de carros elétricos e híbridos deixou de ser uma raridade para se tornar cada vez mais comum nas ruas das grandes cidades.

Para o governo, ampliar a concorrência e facilitar o acesso a novas tecnologias pode beneficiar o consumidor. Já para parte da indústria instalada no país, o desafio continua sendo garantir que a expansão desse mercado venha acompanhada de produção nacional, empregos e desenvolvimento tecnológico.

O resultado dessa equação deverá ficar mais claro nos próximos meses, à medida que novas fábricas entram em operação e o mercado brasileiro define qual será o ritmo da transição para a mobilidade elétrica.

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