terça-feira, 19 de maio de 2026

PF investiga perito da própria corporação por vazamento no caso Banco Master

Operação autorizada pelo STF expõe tensão interna na Polícia Federal enquanto investigação sobre o Banco Master avança sobre figuras do alto escalão

 
PF investiga perito da própria corporação por vazamento no caso Banco Master. Operação autorizada pelo STF expõe tensão interna na Polícia Federal enquanto investigação sobre o Banco Master avança sobre figuras do alto escalão.
Imagem meramente ilustrativa - Sulpost 

Brasília tem amanhecido sob o clima de grandes operações federais: corredores silenciosos, movimentações discretas e um peso institucional difícil de esconder. Mas, desta vez, o escopo da operação não estava do lado de fora.

Na manhã desta terça-feira (19), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero tendo como alvo um perito criminal da própria corporação, suspeito de vazar informações sigilosas relacionadas às investigações sobre o Banco Master.

O caso rapidamente ganhou repercussão nos bastidores políticos e jurídicos porque envolve algo extremamente sensível dentro de qualquer investigação: o vazamento de dados protegidos por sigilo funcional.

Operação autorizada pelo STF

A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além do afastamento imediato do servidor de suas funções. O investigado também ficará submetido a medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros envolvidos e de deixar a comarca onde reside.

Segundo informações divulgadas pelo STF, o perito teria repassado a jornalistas materiais sigilosos produzidos a partir da análise de apreensões feitas nas primeiras fases da Operação Compliance Zero. A decisão judicial segue sob sigilo.

Os bastidores da Compliance Zero

O que começou como uma investigação sobre possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master acabou se transformando numa operação de grandes proporções, atravessando o sistema financeiro, setores políticos e até estruturas internas do próprio Estado.

Ao longo dos últimos meses, a Compliance Zero passou a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, relações consideradas impróprias entre empresários e agentes públicos, além de possíveis acessos indevidos a informações sensíveis. Nos bastidores de Brasília, o episódio desta terça-feira é visto como especialmente delicado porque expõe um cenário raro: investigadores investigando integrantes da própria Polícia Federal.

Segundo reportagens publicadas pela imprensa nacional, os vazamentos investigados teriam relação com documentos e informações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de possíveis conexões com autoridades de alto escalão.

Liberdade de imprensa preservada

Diante da repercussão do caso, o Supremo Tribunal Federal fez questão de enfatizar que a investigação não tem como alvo jornalistas nem veículos de comunicação.

Em nota, a Corte afirmou que as medidas adotadas “não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa”, reforçando a proteção constitucional ao sigilo da fonte e à liberdade de atuação jornalística.

O tema é considerado sensível porque envolve uma linha delicada entre o dever de sigilo de agentes públicos e o direito da imprensa de divulgar informações de interesse público.

R$ 27 bilhões bloqueados

A Operação Compliance Zero completou seis meses nesta semana acumulando números impressionantes. Até agora, segundo dados oficiais, já foram realizadas 21 prisões, cumpridos 116 mandados de busca e apreensão e bloqueados mais de R$ 27 bilhões em bens e valores.

As investigações seguem em andamento e ainda podem atingir novos nomes ligados ao sistema financeiro, ao setor público e aos bastidores políticos de Brasília.

Dentro da própria Polícia Federal, o episódio também produz um desgaste institucional inevitável. Quando uma corporação especializada em investigar corrupção e crime organizado precisa voltar seus olhos para dentro de casa, o impacto deixa de ser apenas jurídico. Ele passa a ser também político, simbólico e profundamente institucional.

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