sábado, 4 de julho de 2026

Senado em disputa: Alvaro lidera, Gleisi avança e a corrida pelas duas vagas começa a ganhar forma no Paraná

Nova pesquisa Vox mostra vantagem confortável de Alvaro Dias e crescimento de Gleisi Hoffmann na disputa pelo Senado. Mas o eleitor ainda tem muitas perguntas sem resposta — e boa parte delas passa pelo trabalho que cada pré-candidato está mostrando pelo Paraná

 
Senado em disputa: Alvaro lidera, Gleisi avança e a corrida pelas duas vagas começa a ganhar forma no Paraná. Nova pesquisa Vox mostra vantagem confortável de Alvaro Dias e crescimento de Gleisi Hoffmann na disputa pelo Senado. Mas o eleitor ainda tem muitas perguntas sem resposta — e boa parte delas passa pelo trabalho que cada pré-candidato está mostrando pelo Paraná.

A política paranaense entrou oficialmente em modo eleitoral. Enquanto a disputa pelo Governo do Estado começa a desenhar um possível segundo turno entre Requião Filho (PDT) e Sérgio Moro (PL), a corrida pelas duas vagas ao Senado Federal também passa a ganhar contornos mais nítidos. E os números divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Vox Brasil ajudam a entender por quê.

O levantamento aponta o ex-senador Alvaro Dias (MDB) na liderança isolada da disputa, com 40,2% das intenções consolidadas de voto. Em segundo lugar aparece a ex-ministra das Relações Institucionais e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), com 19,1%.

Atrás deles surgem Deltan Dallagnol (Novo), com 15,4% - que está inelegível -, e Filipe Barros (PL), com 12,8%, formando um bloco que disputa diretamente a segunda vaga.

Mas pesquisas contam apenas parte da história. O eleitor que acompanha o dia a dia da política tem o direito de fazer uma pergunta simples: o que esses pré-candidatos estão fazendo efetivamente pelo nosso estado?

Alvaro Dias lidera com folga e aposta na força da própria trajetória

A liderança de Alvaro Dias não chega a surpreender. Poucos nomes da política paranaense possuem um histórico tão longo de exposição pública. Ex-governador, ex-senador por diversos mandatos e figura conhecida em praticamente todas as regiões do estado, Alvaro entra na disputa com um patrimônio político construído ao longo de décadas.

Nas últimas semanas, Álvaro tem concentrado esforços na articulação de sua pré-campanha e na construção da chapa liderada por Rafael Greca (MDB) ao Governo do Paraná.

A estratégia é relativamente clara: apresentar experiência, moderação e conhecimento da máquina pública como diferenciais em um cenário marcado pela polarização. Como o MDB é um partido de centro, teoricamente acaba levando o voto também do eleitor tanto da esquerda, quanto da direita, insatisfeitos com seus representantes.

O levantamento da Vox reforça essa vantagem inicial. Além de liderar com ampla margem, Álvaro apresenta um índice de rejeição significativamente menor que seus principais adversários, fator que costuma ser decisivo em eleições majoritárias.

Ainda assim, a campanha terá o desafio de transformar o prestígio acumulado só longo de décadas tem propostas concretas para os possíveis próximos oito anos de mandato.

Gleisi tenta converter entregas do governo federal em apoio eleitoral

Do outro lado da disputa está a petista Gleisi Hoffmann, braço direito do presidente Lula. Diferentemente de Álvaro, ela vive um momento intenso de agendas importantes em todas as regiões do Paraná.

Ao longo das últimas semanas, Gleisi participou de agendas ligadas ao Novo PAC, à liberação de investimentos federais para municípios paranaenses, para a área de saúde, mobilidade urbana, educação, cultura e à articulação entre prefeituras, governo estadual e União.

A deputada aposta em uma narrativa baseada em entregas concretas. Habitação popular, investimentos em saúde, ampliação de programas sociais, obras de infraestrutura e recursos para municípios aparecem no centro de sua estratégia política.

Os números da pesquisa mostram que essa movimentação começa a produzir efeitos. Gleisi está indo ao encontro dos paranaenses e surge consolidada na faixa da segunda vaga ao Senado. E, mais importante, Hoffmann mantém a posição mesmo nos cenários alternativos testados pelo instituto.

Há, entretanto, um obstáculo relevante. A ex-ministra também lidera os índices de rejeição da pesquisa, reflexo da forte polarização política que ainda divide parte do eleitorado brasileiro. Seu desafio será ampliar o diálogo para além da base tradicional do PT. Para conseguir uma vaga ao Senado, ela precisa falar para além de seu tradicional eleitorado.

Direita ainda procura nome para segunda vaga

Outro dado importante da pesquisa é a fragmentação do campo conservador. Deltan Dallagnol e Filipe Barros aparecem dividindo o mesmo espaço eleitoral. O resultado prático é que Gleisi acaba sendo favorecida pela dispersão dos votos da direita, dividida pelas ligações entre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse.

O cenário sem Deltan, testado pela Vox, mostra que seus eleitores não migram automaticamente para um único candidato. Parte vai para Filipe Barros, parte para Alexandre Curi, parte para outros nomes e uma parcela significativa simplesmente retorna à indecisão.

Essa dispersão ajuda a explicar por que Gleisi permanece em segundo lugar mesmo diante de uma rejeição, que embora ainda elevada, vem caindo mês a mês.

E a disputa pelo Governo do Paraná?

Nos bastidores, o debate sobre o Senado acontece paralelamente a outra disputa que promete dominar o noticiário político dos próximos meses. A sucessão do governador Ratinho Junior.

As movimentações mais recentes indicam que o cenário pode caminhar para um segundo turno entre Requião Filho e Sérgio Moro.

O pedetista vem ampliando sua presença no interior e consolidando um discurso de oposição ao atual modelo de gestão estadual. Já Moro continua figurando entre os favoritos, mas enfrenta um período de desgaste político.

Entre os fatores que vêm sendo explorados pelos adversários está a repercussão envolvendo o chamado caso Dark Horse, assunto que tem circulado com frequência crescente nos bastidores políticos e que, segundo analistas, pode estar contribuindo para a redução gradual de seu desempenho em pesquisas recentes.

Ainda é cedo para conclusões definitivas, mas os levantamentos mais recentes mostram uma disputa mais aberta do que se imaginava há alguns meses.

Mais da metade do eleitorado ainda não decidiu

Talvez o dado mais relevante da pesquisa Vox não esteja na liderança de Alvaro nem na ascensão de Gleisi. O número que realmente chama atenção é o tamanho da indecisão.

Quando somadas as respostas de eleitores que ainda não sabem em quem votar ou que pretendem anular o voto para uma das vagas, o contingente continua enorme. Isso significa que a corrida ao Senado está longe de estar definida.

Até outubro, os paranaenses terão a oportunidade de observar quem apenas aparece nas pesquisas e quem realmente apresenta propostas, percorre os municípios, busca investimentos e demonstra compromisso com os desafios do estado.

Porque, no fim das contas, pesquisa aponta tendências. Mas o voto continua sendo decidido pela confiança que cada candidato consegue construir ao longo do processo eleitoral.

E a confiança não nasce apenas nos números das sondagens. Nasce do trabalho que cada candidata, que cada candidato, entrega ao seu eleitorado e mostra estar realizando pelo Paraná.

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