Denúncia recebida pela Justiça envolve três homens e a esposa do deputado estadual; Ministério Público aponta esquema de repasses de salários e ocultação de recursos entre 2018 e 2023
As engrenagens discretas dos bastidores da política voltaram a chamar atenção da Justiça paranaense nesta segunda-feira (22). Em mais um desdobramento de uma investigação que já vinha sendo acompanhada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR). Quatro pessoas ligadas ao entorno do deputado estadual Ricardo Arruda (PL), passaram oficialmente à condição de rés após o recebimento de denúncia apresentada pelo Núcleo Regional de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A nova ação penal apura a suposta participação dos denunciados em um esquema de "rachadinha" envolvendo servidores comissionados vinculados ao gabinete parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Entre os denunciados está a esposa do parlamentar, Patrícia Miranda Arruda Nunes. Os demais investigados responderão por diferentes acusações relacionadas aos crimes de concussão e lavagem de dinheiro.
Como funcionaria o suposto esquema
De acordo com a denúncia, servidores comissionados teriam sido pressionados a repassar parte de seus salários. As investigações apontam que os valores não eram entregues diretamente ao parlamentar, mas passavam por uma série de mecanismos destinados a dificultar o rastreamento dos recursos.
Entre as estratégias identificadas pelos investigadores estão transferências bancárias, saques em dinheiro, depósitos em contas de terceiros, pagamentos de despesas pessoais e repasses para uma empresa familiar ligada ao núcleo investigado.
O Gaeco também descreve situações em que recursos teriam sido utilizados para compra de moeda estrangeira, posteriormente entregue em espécie, numa tentativa de ocultar a origem dos valores.
Outro ponto destacado na investigação envolve o pagamento de despesas atribuídas à esposa do deputado, incluindo gastos realizados por meio de cartões de crédito.
Justiça determina afastamento
Além de receber a denúncia, a 2ª Vara Criminal de Curitiba determinou o afastamento cautelar de um dos denunciados que ainda exercia cargo comissionado na ALEP.
Segundo o Ministério Público, a medida busca preservar a instrução processual e evitar eventual interferência na produção de provas. As autoridades também aprofundam a análise de movimentações financeiras relacionadas ao caso.
Arruda já responde a outra denúncia
O deputado Ricardo Arruda não integra esta nova denúncia porque já havia sido denunciado anteriormente. Já foi alvo de outras operações policiais, e investigado por supostos crimes que teriam relação com os mesmos fatos investigados atualmente.
Na avaliação dos investigadores, a nova ação amplia o alcance das apurações ao incluir pessoas apontadas como participantes da operacionalização e da ocultação dos recursos supostamente desviados.
Defesa contesta acusações
Em nota divulgada nesta segunda-feira, Ricardo Arruda afirmou que as acusações são falsas e declarou confiar na Justiça paranaense.
“O deputado Ricardo Arruda declara que as acusações são inverídicas e que tem confiança plena no trabalho da Justiça Paranaense, que reconhecerá a verdade e absolverá todos os envolvidos nas injustas acusações do GAECO.”
Durante sessão plenária da Assembleia Legislativa, o parlamentar também voltou a sustentar que as denúncias são infundadas.
A partir do recebimento da denúncia, os acusados passam a responder formalmente à ação penal, etapa em que terão oportunidade de apresentar defesa e contestar as acusações perante a Justiça.
Este é um blog democrático. O espaço permanece aberto, caso o deputado ou sua defesa queiram se manifestar

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