Em entrevista ao Bom Dia, Ministro, titular da Secretaria-Geral da Presidência criticou a demora na tramitação da proposta no Senado e defendeu a redução da jornada como medida de qualidade de vida para os trabalhadores brasileiros
O debate sobre o fim da escala 6x1 voltou a ganhar força nesta terça-feira (30). Em Brasília, uma discussão que parecia caminhar lentamente voltou ao centro das atenções após declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela EBC.
Ao defender a proposta de redução da jornada semanal de trabalho, o ministro afirmou que a mudança representa mais do que uma alteração na legislação trabalhista. Para ele, trata-se de uma questão que afeta diretamente a saúde física, mental e social de milhões de brasileiros.
“Um grito de liberdade para o trabalhador”
Boulos argumentou que o avanço da proposta reflete uma demanda crescente da população por melhores condições de vida e mais tempo para o convívio familiar.
“Estamos falando de dar tempo de descanso para as pessoas. Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão, de garantir que possam ter mais tempo com a sua família.”
Segundo o ministro, não foi por acaso que o tema ganhou espaço no debate público nos últimos meses. Na avaliação dele, a proposta representa uma resposta ao desgaste enfrentado por trabalhadores submetidos a longas jornadas e períodos reduzidos de descanso.
O que prevê a proposta
O texto em discussão no Congresso Nacional propõe reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, ampliando o período de descanso dos trabalhadores sem redução salarial.
De acordo com informações divulgadas pelo governo federal, cerca de 37 milhões de brasileiros poderiam ser beneficiados diretamente pela mudança caso a proposta avance nas etapas legislativas.
Críticas à demora no Senado
Durante a entrevista, Boulos também criticou o ritmo da tramitação da matéria no Senado. O ministro afirmou que uma pauta que, segundo ele, conta com amplo apoio popular não deveria permanecer parada por tanto tempo sem avançar para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Sem economizar nas palavras, ele sugeriu que interesses econômicos estariam influenciando a lentidão do processo e acusou setores empresariais de atuarem contra a proposta.
Segundo o ministro, argumentos de que a redução da jornada provocaria impactos insustentáveis na economia repetem previsões feitas em outros momentos da história trabalhista brasileira que, posteriormente, não se confirmaram.
Debate longe do fim
O tema continua dividindo opiniões. Enquanto sindicatos e movimentos ligados aos trabalhadores defendem a medida como um avanço social, representantes de parte do setor produtivo alertam para possíveis reflexos nos custos das empresas e na geração de empregos.
Independentemente do resultado da votação, o assunto já se consolidou como uma das discussões trabalhistas mais relevantes de 2026. E, ao que tudo indica, seguirá ocupando espaço nas conversas do Congresso, dos locais de trabalho e das redes sociais nos próximos meses.
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