terça-feira, 9 de junho de 2026

El Niño volta ao radar global e pode influenciar o clima do Brasil até 2027

INMET confirma condições favoráveis para a formação do fenômeno, enquanto projeções da NOAA apontam mais de 80% de probabilidade de consolidação ainda neste inverno

INMET confirma condições favoráveis para a formação do fenômeno, enquanto projeções da NOAA apontam mais de 80% de probabilidade de consolidação ainda neste inverno
Formação do fenômeno El Niño - Imagem: NOAA

O Pacífico está aquecendo novamente. E quando isso acontece, o mundo inteiro presta atenção. Nesta terça-feira (9), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirmou que as condições observadas no Oceano Pacífico Equatorial são favoráveis ao desenvolvimento de um novo episódio de El Niño, fenômeno climático capaz de alterar regimes de chuva, elevar temperaturas e intensificar eventos extremos em diversas partes do planeta.

O alerta brasileiro acompanha previsões divulgadas por centros meteorológicos internacionais, especialmente pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), que vem registrando uma rápida elevação das temperaturas da superfície do mar na região central e leste do Pacífico.

Segundo o boletim divulgado pelo INMET, um episódio de El Niño é oficialmente caracterizado quando o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI) permanece igual ou superior a 0,5°C durante pelo menos cinco trimestres consecutivos. Com base nos dados observados em maio e nas projeções mais recentes, o instituto avalia que o primeiro período a atingir esse limiar poderá ser o trimestre abril-maio-junho.

O oceano está enviando sinais claros

Os números mais recentes divulgados pelos centros de monitoramento climático reforçam a tendência observada pelo INMET. O Centro de Previsão Climática da NOAA calcula atualmente uma probabilidade superior a 80% de o El Niño se consolidar nos próximos meses, com chances ainda maiores de permanência durante o verão do Hemisfério Sul e o início de 2027.

Os modelos meteorológicos mostram um aquecimento acelerado das águas do Pacífico Equatorial. Embora a interação completa entre oceano e atmosfera ainda esteja em fase de consolidação, especialistas observam atentamente a evolução do fenômeno, já que algumas projeções indicam anomalias superiores a 2°C acima da média histórica — patamar associado aos eventos mais intensos já registrados.

Por enquanto, os cientistas evitam cravar a intensidade final do episódio. Ainda assim, o cenário atual já é considerado suficientemente consistente para manter órgãos meteorológicos em estado de monitoramento permanente.

O que pode mudar no clima do Brasil

Embora cada episódio de El Niño tenha características próprias, existe um padrão histórico bastante conhecido pelos meteorologistas.

Na Região Sul, normalmente aumentam as chances de chuvas acima da média, temporais severos, alagamentos e enchentes. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul costumam ser os estados mais afetados pelos volumes excessivos de precipitação.

No Norte e em parte do Nordeste, a tendência costuma ser oposta. As chuvas podem ficar abaixo da média, favorecendo períodos de estiagem, redução dos níveis dos rios e aumento das temperaturas.

Já no Sudeste, o fenômeno frequentemente contribui para ondas de calor mais persistentes e intervalos mais longos sem chuva, especialmente durante o segundo semestre.

Os impactos, entretanto, dependem da intensidade que o evento alcançará nos próximos meses e também da resposta da atmosfera ao aquecimento das águas do Pacífico.

Uma preocupação que vai além da previsão do tempo

Quando o El Niño se fortalece, seus efeitos vão muito além das nuvens e dos termômetros. Agricultura, abastecimento de água, geração de energia, navegação fluvial e até os preços dos alimentos podem ser influenciados pelas mudanças provocadas pelo fenômeno.

Por isso, governos, produtores rurais, empresas do setor energético e equipes de defesa civil acompanham atentamente cada atualização dos modelos climáticos.

O próprio INMET informou que deverá divulgar nos próximos dias uma nova nota técnica detalhando a evolução das condições oceânicas e atmosféricas observadas no Pacífico Equatorial.

Enquanto isso, uma constatação já parece cada vez mais evidente: o oceano voltou a aquecer de forma consistente. E quando o Pacífico muda de comportamento, os reflexos costumam atravessar continentes inteiros.

Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do fenômeno. Mas os sinais emitidos pelas águas do Pacífico já são suficientes para colocar meteorologistas de todo o planeta em alerta.

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