sexta-feira, 1 de maio de 2026

Maio Amarelo começa no Paraná com um alerta simples — e urgente —: enxergar o outro pode salvar vidas

Campanha de 2026 lançada pela Assembleia Legislativa volta o olhar para motociclistas, os mais vulneráveis no trânsito, em um cenário de números que ainda preocupam

Maio Amarelo começa no Paraná com um alerta simples — e urgente —: enxergar o outro pode salvar vidas. Campanha de 2026 lançada pela Assembleia Legislativa volta o olhar para motociclistas, os mais vulneráveis no trânsito, em um cenário de números que ainda preocupam.

O trânsito não começa quando o motor liga. Ele começa antes — no olhar, na pressa contida, na escolha de parar ou avançar. Nesta segunda-feira (4), às 14h, no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná, o Maio Amarelo de 2026 será oficialmente lançado com um convite que parece simples, mas carrega peso de urgência: enxergar o outro.

Um gesto cotidiano que pode evitar tragédias

Com o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, definido pela Secretaria Nacional de Trânsito, a campanha deste ano se ancora em algo que escapa entre buzinas e notificações no celular: a atenção. A proposta, respaldada pela lei estadual 18.624/2015, é transformar comportamento — tarefa lenta, muitas vezes ingrata, mas decisiva.

O deputado Hussein Bakri, autor da legislação, resume o ponto central: investir em infraestrutura é essencial, mas não substitui educação. Respeitar limites, evitar o uso do celular ao volante, manter distância segura e usar cinto de segurança continuam sendo atitudes básicas — e ainda assim negligenciadas.

Uma mobilização que atravessa o estado

Ao longo de maio, o Paraná se transforma em um grande espaço de conscientização. Escolas, ruas, eventos públicos, terminais de transporte e até festas populares passam a integrar a campanha. A linguagem é múltipla: vai de busdoors a simuladores, de blitze educativas a atividades lúdicas como contação de histórias.

A lógica é clara — o trânsito não é feito apenas de carros. Ele envolve pedestres, ciclistas, motociclistas, entregadores, famílias inteiras. E todos compartilham o mesmo espaço, ainda que nem sempre compartilhem o mesmo nível de proteção.

Motociclistas no centro da discussão

Em 2026, o foco recai sobre quem mais se expõe: os motociclistas. Hoje, eles representam cerca de 40% das mortes no trânsito no Brasil. Não é um dado abstrato — são histórias interrompidas, muitas vezes de jovens entre 15 e 39 anos.

As peças da campanha apostam em humanizar esses números. Mostram motociclistas com seus filhos, em jornadas de trabalho, nas entregas que sustentam rotinas urbanas. A intenção é direta: lembrar que por trás do capacete existe alguém.

Há também um fator técnico importante: motociclistas frequentemente ficam fora do campo de visão dos demais condutores, seja por pontos cegos, seja pela dinâmica acelerada do trânsito. A campanha insiste em conceitos-chave como visibilidade, previsibilidade e distância segura — elementos que, na prática, fazem a diferença entre um susto e uma tragédia.

Crescimento da frota, aumento do risco

Os dados ajudam a entender o tamanho do desafio. Entre 2010 e 2024, a frota de motocicletas no Paraná cresceu quase 60%. No mesmo período, as mortes envolvendo esses condutores aumentaram 14,6%. Em 2025, foram cerca de 825 vidas perdidas.

O impacto também aparece nos hospitais: motociclistas representam mais de 60% das internações por lesões no trânsito no estado. Em 2023, isso gerou um custo superior a R$ 10,8 milhões ao sistema de saúde.

Há ainda mudanças no perfil das vítimas. O número de mortes entre mulheres motociclistas cresceu mais de 70% em menos de duas décadas, indicando que o fenômeno acompanha transformações sociais e econômicas, como o aumento do uso da moto para trabalho.

Um retrato que vai além do Paraná

O cenário local dialoga com uma realidade nacional preocupante. Em 2024, o Brasil registrou mais de 37 mil mortes no trânsito — uma a cada 15 minutos. São mais de 124 milhões de veículos circulando no país, em uma convivência que nem sempre é equilibrada.

No Paraná, foram 131,2 mil sinistros apenas em 2025. O estado soma cerca de 2,2 milhões de condutores, com uma média anual de 81 mil novas habilitações. A pressão sobre o sistema viário cresce — e com ela, a necessidade de responsabilidade coletiva.

Uma campanha que evolui com o tempo

Ao completar 11 anos, a lei que institui o Maio Amarelo no Paraná mostra capacidade de adaptação. Nos últimos anos, novas iniciativas foram incorporadas, como a semana “Moto Vida”, dedicada exclusivamente aos motociclistas, e a ampliação do foco para incluir ciclomotores, bicicletas elétricas e outros meios de mobilidade individual.

A mensagem, no entanto, permanece essencialmente a mesma — e talvez mais necessária do que nunca: o trânsito é um espaço compartilhado. E enxergar o outro, em meio à rotina acelerada, pode ser o detalhe que separa a vida da estatística.

No fim, não se trata apenas de regras. Trata-se de percepção. E, sobretudo, de escolha.

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